Realidade e fantasia | Fábio Campana

Realidade e fantasia

Do Merval Pereira, O Globo:

Não combina com a ousada decisão de comparecer ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, o discurso eleitoreiro da presidente Dilma sobre o estado das contas públicas brasileiras. Não é crível que tenha sido à toa que ela buscou a expressão “guerra psicológica” para desqualificar as críticas que seu governo recebe.

A presidente utilizou um jargão militar autoritário para se colocar como a defensora do país contra aqueles críticos, que seriam os antipatrióticos. Não é a primeira vez que ela ou seu mentor político Lula utilizam esse truque vulgar para acusar a oposição de estar trabalhando contra o País, confundindo propositalmente a facção que está no governo em termos provisórios com o Estado brasileiro.

É natural que um partido político queira se manter no poder o mais tempo possível, mas a alternância no poder é uma das características mais fortes das democracias. Anos eleitorais trazem necessariamente a expectativa de mudanças, mesmo quando, como agora, o partido governista esteja em posição vantajosa na disputa presidencial.

Por isso, a mensagem de fim de ano da presidente Dilma, marcadamente eleitoral, não trouxe alento para quem espera mudanças de rumo. Desse ponto de vista, o discurso vai de encontro ao desejo expresso da maioria, que quer mudanças, como demonstram as mesmas pesquisas de opinião que apontam Dilma como a favorita na eleição de outubro.

Assim como os principais candidatos oposicionistas Aécio Neves, do PSDB, e Eduardo Campos, do PSB, devem procurar sintonia com esse desejo de mudança para terem alguma possibilidade eleitoral, a presidente Dilma também deveria estar atenta a essa necessidade de sintonia com esse anseio, sob o risco de perder uma eleição que parece ganha nove meses antes das urnas serem fechadas.

Acusar seus críticos de “guerra psicológica” diante de fatos tão claros só demonstra teimosia e malícia, confirmando um dos traços de sua personalidade mais prejudiciais à boa governança, e colocando no tabuleiro um toque de distorção política que não constava de seu cardápio.


6 comentários

  1. Irineu
    quinta-feira, 2 de janeiro de 2014 – 12:07 hs

    Essa é a mostra que o governo brasileiro atual é ditador, autoritário e cego uma vez que o pior cego é aquele que não quer enxergar, discursando e pregando pelo mundo afora uma falsa democracia.

  2. antonio carlos
    quinta-feira, 2 de janeiro de 2014 – 14:33 hs

    Adoro campanha politica, principalmente quando fora de época, antecipada. O desespero realmente bateu na companheira presidanta. Esta coisa de ela dizer que quem critica este governinho que ela está fazendo, de guerra psicológica, é mesmo de chorar de tão ridículo. Se o tom da campanha vai ser este, o ano vai ser mesmo duro de aguentar.

  3. zangado
    quinta-feira, 2 de janeiro de 2014 – 17:12 hs

    Não combinaria, igualmente, se o governador Richa fosse a Davos com o orçamento público estouradaço depois de 3 anos de ausência governamental e incompetência administrativa …

    Lá não vale a virtualidade das pesquisas e bodes expiatórios nacionais ou internacionais …

    É uma espécie de se vira nos 30; quem faz, faz na hora; não tem desculpa.

  4. Palpiteiro
    quinta-feira, 2 de janeiro de 2014 – 18:50 hs

    O lulopetismo utiliza as técnicas comuno-socialistas mais antigas e elementares, como repetir incansavelmente as mentiras para que se tornem verdades. Assim vão levando no ano eleitoreiro, se segurando para não cair no abismo. Depois das eleições…. o dilúvio…. o povo escolhe, o povo merece…

  5. Dieter
    quinta-feira, 2 de janeiro de 2014 – 23:52 hs

    O pior não conviver só com corrupção, desvios e mentiras desse governinho de bost@. O pior de tudo é escutar as merd@s que ela fala e o jeito desengonçado dela andar. Parece um rinoceronte bebado.

  6. Parreiras Rodrigues
    sexta-feira, 3 de janeiro de 2014 – 12:08 hs

    Palpiteiro: Aceite como contribuição. Não existe mais petismo. Estamos vivendo o lulodilmismo. Petismo era quando a militância se reunia e era ouvida. Participava da vida do partido. Tinha importância dentro dele. Aliás, o partido era a militância. Agora, se transformou em objeto de uso pessoal do Lula Judas da Silva e de Vanda Rousseff, aliás, esta, uma cria do lulismo. Como o Haddad em São Paulo e outros postes plantados por aí.

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