O enigma do PMDB | Fábio Campana

O enigma do PMDB

Celso Nascimento

Dividido em três partes, o PMDB paranaense não sabe que caminho tomar na eleição para o governo do estado. Nenhuma das facções tem maioria para fazer valer a própria vontade na convenção de junho – uma delas inevitavelmente precisará do apoio de uma segunda para derrotar a terceira. As três alas são lideradas, respectivamente, pelo governador Beto Richa (embora tucano, é quem manda nos votos dos deputados estaduais, os quais, segundo se calcula, controlariam 40% dos votos convencionais); o senador Roberto Requião, que contaria com a adesão de outros 30%; e o ex-governador Orlando Pessuti, cuja tropa de adeptos também chegaria aos 30%. Portanto, sozinha, nenhuma das três frentes conseguiria mais de 50% dos delegados votantes.

São três também as tendências. Uma delas, lógico, defende que a legenda deve apoiar a reeleição de Beto Richa, talvez nem mesmo sem exigir a posição de vice em sua chapa, desde que garanta postos estratégicos na administração. Argumentam os deputados que, sem essa aliança, a bancada (hoje com 13 parlamentares) seria inevitavelmente reduzida à metade. Isto é: a maior parte dos atuais deputados não conseguiria manter suas cadeiras na Assembleia Legislativa.
Olho vivo

Metrô na linha

A partir de hoje e pelos próximos 30 dias, a primeira versão do edital de licitação das obras do metrô curitibano ficará disponível no site da prefeitura. Interessados poderão examiná-lo em minúcias e terão um mês para sugerir eventuais mudanças. Prevê-se para março o lançamento da versão final. O prefeito Gustavo Fruet, que fará hoje a primeira apresentação, acredita que as obras poderão ser iniciadas no segundo semestre.

Fonte do 13.º

O Diário Oficial do Estado – maná de notícias nesta temporada de recesso político – deixou mais um rastro dos tortuosos caminhos percorridos pelo governo para pagar o 13.º salário do funcionalismo. Graças a uma manobra de redução do seu capital social, a Agência de Fomento do Paraná colaborou com R$ 150 milhões. A assembleia que tomou a decisão foi presidida pela secretária da Fazenda, Jozélia Nogueira.

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O caso dos desenquadrados

Já a ala liderada pelo senador Roberto Requião defende candidatura própria (no caso, a dele mesmo) e uma postura de oposição a Richa. Também é a favor de candidatura própria a turma do ex-governador Orlando Pessuti. Da mesma forma que Requião, Pessuti também põe seu nome à disposição para disputar a eleição.

Vai daí que o PMDB, pelo menos oficialmente, só será levado a se aliar com o PSDB de Beto Richa se Pessuti e Requião – hoje politicamente rompidos – não se unirem. Somadas, suas alas perfazem supostos 60% dos votos convencionais. Mas nem mesmo a aliança Requião-Pessuti é suficiente para definir o rumo partidário, pois ainda restaria pelo menos uma decisão a tomar: qual deles seria o candidato a governador?

Todo o cenário descrito supõe que o PMDB estadual tenha autonomia para fixar seu próprio destino. Não é o que acontece. Ordens diferentes poderão partir do Olimpo peemedebista instalado em Brasília, mais precisamente do presidente de honra da legenda e, ao mesmo tempo, vice-presidente de Dilma Rousseff e candidato a permanecer na mesma posição no pleito presidencial, Michel Temer.

Estudadas as conveniências do ponto de vista nacional, dele pode partir uma ordem diversa de qualquer das três grandes tendências locais. Em vez de uma aliança com o tucano Richa ou de lançar candidato próprio – seja Pessuti, seja Requião –, há forte probabilidade de o PMDB paranaense ser induzido a integrar a chapa da petista Gleisi Hoffmann. Ou, ainda, a lançar candidato próprio para tornar inevitável um estratégico segundo turno. A prevalecer a vontade do Olimpo, são mínimas as chances de o PMDB firmar aliança com Beto Richa. Seria até mais conveniente ter candidato próprio no Paraná, pois isso garantiria duplo palanque para a campanha reeleitoral de Dilma Rousseff, especialmente se, nesse segundo palanque, Pessuti figure como candidato em razão de seu perfil mais disciplinado e confiável do que o de Requião.

Pelo sim pelo não, Pessuti está a postos. Antes do fim de janeiro, ele o senador Sérgio Souza (suplente de Gleisi) estarão em Brasília para uma nova jornada de conversas com Michel Temer e com o presidente formal do PMDB, senador Valdir Raupp. E, para fevereiro, Pessuti programa 22 encontros microrregionais para reunir a totalidade dos diretórios. em busca de bases para a construção de um consenso prévio. Para março, espera que Temer venha ao Paraná para as comemorações do aniversário do PMDB. A expectativa de Pessuti é de que bem antes da convenção a legenda já tenha decifrado seu enigma.


Um comentário

  1. Miguel
    quinta-feira, 9 de janeiro de 2014 – 11:40 hs

    As ordens já estão prontas para serem enviadas. Para quem? Para o empregado do PT, Orlando Pessuti. Se não obedecer em alinhar o PMDB com candidatura própria, no caso Requião, outro documento já esta pronto: Intervenção no Paraná com nomeação de uma executiva estadual com todos os poderes.

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