Deus e o Diabo na Terra do Sol | Fábio Campana

Deus e o Diabo
na Terra do Sol

Por Sandro Vaia

Sempre que houver uma dificuldade aparecendo no horizonte, faça como a presidente Dilma: chame o ministro Gilberto Carvalho. Ele não vai resolver o problema, claro, mas com certeza vai complicar aquilo que parece simples.

Gilberto Carvalho é um homem de fé, e a primeira crença dele é em Gilberto Carvalho. Desde os tempos de Celso Daniel, ele, como Batman, gosta de sobrevoar trevas.

Mas ele não está sozinho no embate. Ao lado dele, a solerte ministra da Igualdade Racial, Luiza Barros, que vê nos rolezinhos do shopping uma manifestação contra a discriminação racial.

Lucas Lima, o garoto de 17 anos que foi entrevistado pela Folha nesta semana, e que organizou o rolezinho de Itaquera no sábado anterior, contou que tudo começou com encontro de garotos e garotas marcados via redes sociais e que ele estava satisfeito porque conseguiu “beijar 16 ou 17 garotas”.

Com uma lata de gasolina na mão, Gilberto Carvalho acusou a polícia de jogar gasolina na fogueira no mesmo instante em que o secretário da Segurança de São Paulo dizia que a polícia não tem nada com isso, mesmo porque os shoppings são espaços privados de utilização pública e a segurança interna é de responsabilidade de seus administradores.

Mas é difícil viver sem uma bandeira a desfraldar . Como dormir sem uma causa para acalentar o sono? Como acordar sem achar que há alguma engenharia social a fazer para tornar o mundo melhor?

Enquanto o rolezinho não rolar como uma bola de neve e não houver um policial desatinado pronto a criar uma vítima, o agito não cessa. Enquanto a farra adolescente não virar um movimento social e não fornecer toneladas de teses à intelligentsia ociosa das universidades ou dos jornais ou dos partidos brasileiros, alguém não vai sossegar.

Nas redes sociais, que se tornaram o mais divertido rolezinho de sandices que a avalanche de modernidade tecnológica foi capaz de criar, houve quem escrevesse – a sério – que as correrias desgovernadas dos jovens que querem beijar as meninas eram um protesto contra os shoppings, que representam “a utopia neoliberal”.

Atreva-se a sorrir e pedir “menos”, e prepare-se para ser linchado como sujeito de rara insensibilidade social.

Enquanto isso, no confortável presídio de Pedrinhas, do Maranhão, em consequência – segundo a governadora do Estado – de explosivo enriquecimento do Estado, as cabeças são literalmente cortadas, sem que haja sequer um Gláuber Rocha vivo para registrar para a posteridade esse embate entre Deus e o Diabo na Terra do Sol.

O ministro da Justiça levou para lá o seu ar mais grave, aquele dos grandes momentos, para posar ao lado da governadora nas fotos, mas preferiu guardar o recato em seus pronunciamentos, e assim poupou-se do vexame de Luiza Barros e de Gilberto Carvalho.

E olha que o rolezinho de Pedrinhas é coisa de gente grande.

Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez e “Armênio Guedes, Sereno Guerreito da Liberdade”(editora Barcarolla). E.mail: svaia@uol.com.br


5 comentários

  1. sergio silvestre
    domingo, 19 de janeiro de 2014 – 15:28 hs

    Então,o Gilberto Carvalho é um Londrinense de boa familia e está desde 2002 ao lado dos ultimos presidentes do Brasil.
    Estranho essa midia golpista e as irmandades obscuras estar de orelha em pé.
    Querem manter os seus 1% de nababos e orbitantes na riqueza,e a cada ano querem duplicar suas fortunas e quando isso vai ficando mais dificil querem dar um golpe nos governos que vão contra seus interesses.
    Num Pais que se forma 10 advogados para cada médico,onde o povo e guiada por uma rede de TV,é normal eles seguirem a metodologia de mentir para o povo simples e muar.
    Está mudando essa história,o povo mais ressabiado não está mais indo na conversa deles.
    O JN ,novelas e outros meios de lavagem cerebral estão diminuindo audiencia,isso prova que o povo começa a pensar.
    Mas ainda noticiam que o Gilberto é o demonio,que a dilma é uma bruxa que come criancinhas e o Lula o Lucifér.
    Queriam que nós acreditassemos que o Serra foi nocauteado por uma ‘BOLINHA DE PAPEL”,né pessoal.
    Então fica dificil acreditar no que nos passam de informação.
    Vivemos 3 ditaduras,de informação,pois nunca sabemos se ela não é uma armação politica,a absolutista que são os escorcheantes impostos e a piór,a da Justiça que só funciona para os 1%para manter suas benesses e livrar eles dos roubos e contravenções.

  2. Parreiras Rodrigues
    domingo, 19 de janeiro de 2014 – 18:27 hs

    Doidim prá criar uma vítima, para demonizar a direita reacionária, o neoliberalismo entreguista, o imperialismo.

    Tá na cartlha leninista que ele trocou pela Vida de Jesus, pela Vida dos Santos, aquelas que ele lia no seminário.

  3. Sociedade Responde
    domingo, 19 de janeiro de 2014 – 20:57 hs

    “Um protesto contra os shoppings, que representam “a utopia neoliberal”; Insuflados pelos carvalhinhos da vida e da esquerda delirante, sonham em transformar o Brasil democrático em uma Cubanacan tupiniquim. Salve-se quem puder antes que seja tarde demais. É preciso restaurar a seriedade no Brasil.

  4. antonio carlos
    domingo, 19 de janeiro de 2014 – 22:53 hs

    Enquanto o pé vermelho fofoqueiro não vir Pindorama pegando fogo ele não descansa. E agora conta com a ministra da Igualdade Racial, outra incansável na busca de quimeras. Os dois formam uma boa dupla, mas qual dos dois é o Rocinante?

  5. juliano cordeiro
    segunda-feira, 20 de janeiro de 2014 – 11:34 hs

    faz o jogo sujo,

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