PMDB vai a Temer com discurso "rachado" | Fábio Campana

PMDB vai a Temer com discurso “rachado”


Alas pró-Richa e candidatura própria levam posições divergentes a dirigente nacional da sigla

BEM PARANA

A bancada do PMDB na Assembleia Legislativa desembarca amanhã em Brasília para um encontro com o vice-presidente da República e presidente nacional licenciado do partido, Michel Temer, na busca por uma solução para o racha que vive a legenda no Paraná. Dividido entre o lançamento de candidato próprio ao governo e o apoio à reeleição do governador Beto Richa (PSDB), os deputados querem saber de Temer, qual será a orientação da cúpula nacional da sigla para o ano que vem. A julgar pelo discurso dos parlamentares, porém, dificilmente haverá uma solução para o “racha” no curto prazo, já que ambos os lados esperam ter o apoio de Brasília para seus planos divergentes.

No plano nacional, o PMDB já está fechado em torno da reeleição da presidente Dilma Rousseff, em aliança com o PT. Em troca, garantiu a manutenção de Temer na chapa da petista. Essa posição foi confirmada em reunião na Granja do Torto, residência oficial da presidente, no último final de semana, que teve a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dirigentes das duas legendas.
A dúvida é como ficarão as alianças nos estados, em especial aqueles em que PT e PMDB estão em campos opostos. No Paraná, os peemedebistas paranaenses integram a base do governo Richa e ocupam duas secretarias no primeiro escalão da administração estadual: a do Trabalho, comandada por Luiz Cláudio Romanelli; e a do Meio Ambiente, encabeçada por Luiz Eduardo Cheida – ambos deputados estaduais licenciados.
Palanques – O discurso dessa ala é de que a direção nacional não deve interferir nos palanques regionais, liberando o partido para fazer as alianças mais convenientes no Estado. “Acredito que ele (Temer) reafirmará que quem tem que decidir é a convenção. Tudo o que eles nos falaram é que as decisões do PMDB do Paraná serão respeitadas”, diz Romanelli, que não esconde sua preferência pelo alinhamento à reeleição do tucano. “Defendo a aliança com o governador Beto Richa”, confirma ele.
Já o grupo que defende a candidatura própria – reivindicada pelo senador Roberto Requião e pelo ex-governador Orlando Pessuti – tem uma visão diametralmente oposta. Na visão dessa ala, a tendência da direção nacional é de que priorizar a candidatura própria, ou a repetição nos estados da aliança com o PT, que no caso do Paraná, deve lançar para o governo a ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. Essa avaliação é amparada em resolução da direção nacional segundo a qual nos estados em que o PMDB não tiver candidato ao governo, qualquer aliança que não for com os petistas terá que passar pelo crivo da Executiva Nacional. “A ideia é ou candidatura própria ou aliança com o PT. Acho que é isso que ele (Temer) vai falar”, prevê o deputado estadual Anibelli Neto.
O próprio Anibelli Neto admite, porém, que dificilmente haverá uma solução para o “racha” tão cedo. “O Temer não vai chegar e dizer: ‘é isso ou aquilo’. Ele quer que a coisa vá pronta para ele abençoar”, reconhece.


2 comentários

  1. justino bonifacio martins
    terça-feira, 3 de dezembro de 2013 – 18:59 hs

    Temer vai exigir da bancada paranaense fidelidade partidário; há informações que se isso não acontecer a Comissão de Ética do PMDB terá muito trabalho. Por outro lado, dos trairas que estão apoiando – e inclusive no secretariado- o governo Beto, só dois tem reeleição garantida Romanelli e Alexandre Curi; ambos tem currais eleitorais garantidos, principalmente Alexandre que herdou do avô o “esquema cartorial” que lhe garante ótima votação. O restante dos parlamentares do PMDB, vovozinho de guerrinha, se não se enquadrarem na candidatura própria vão se ferrar.

  2. Sérgio
    quinta-feira, 5 de dezembro de 2013 – 0:52 hs

    Com estes deputados não dá para contar. O Osmar que o diga!

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