O rei dos laranjas e dos caixas de campanha | Fábio Campana

O rei dos laranjas e dos caixas de campanha

Empresário-fantasma faturou 1 bilhão de reais com um serviço valioso: corrupção e financiamento clandestino de candidatos. Entre seus clientes, estão as maiores empreiteiras do país, bancos, consórcios, consultorias, concessionárias e muitos amigos do poder…

Na Veja que está nas bancas

O empresário paulista Adir Assad é uma pessoa conhecida no ramo do entretenimento. Durante décadas, ele trabalhou na captação de patrocínios para shows e espetáculos. Por suas mãos vieram ao Brasil a banda U2 e as cantoras Amy Winehouse e Beyoncé. Nas festas e jantares estava sempre em companhia de gente famosa. Assad se acostumou aos holofotes, mas, apesar da badalação, levava uma vida típica de classe média. Essa história começou a mudar quando o empresário — que aprendeu com o pai, um mascate de origem libanesa, que o segredo do sucesso é vender bem — trocou o ramo dos eventos pelo de engenharia.

Mais especificamente, aquela engenharia perversa que garante o repasse de dinheiro, sob a forma de propina e caixa dois eleitoral, a servidores públicos e políticos corruptos. A mudança de área de atuação teve efeitos imediatos. O faturamento das empresas de Assad cresceu 574 vezes em quatro anos, ele enriqueceu e, de quebra, trocou o noticiário de celebridades pelo policial, sob a suspeita de coordenar um esquema de distribuição clandestina de recursos estimado em 1 bilhão de reais.


Formado em engenharia civil, Assad contribuiu para o fim melancólico da CPI do Cachoeira. Criada pelo PT para atacar instituições que investigaram e denunciaram o mensalão, a comissão passou a aterrorizar os políticos, inclusive os petistas, depois de VEJA revelar que a empreiteira Delta, até então a principal fornecedora da União, usava uma extensa rede de empresas-fantasma para pagar propina a servidores públicos e financiar ilegalmente campanhas eleitorais. Assad era peça vital dessa engrenagem. Suas empresas de engenharia e terraplenagem recebiam da Delta grandes quantias, que depois eram sacadas na boca do caixa e repassadas aos beneficiários finais. Coube ao próprio dono da Delta, Fernando Cavendish, relatar esse esquema a parlamentares. Na conversa, Cavendish disse que não apenas a Delta mas companhias de diversos setores usavam o laranjal de Assad para remunerar funcionários públicos e políticos. O recado era claro. Todos, empresários e autoridades, perderiam se o esquema fosse investigado a fundo. Todos deixaram o esquema de lado. Em agosto do ano passado, VEJA mostrou que as firmas de Assad haviam recebido mais de 200 milhões de reais da Delta e de outras empreiteiras. Agora, descobre-se que o valor é muito maior.

Colaboraram Hugo Marques e Adriano Ceolin


3 comentários

  1. luiz
    domingo, 15 de dezembro de 2013 – 16:03 hs

    Campanha só pessoa física! Chega de construção que vira pó!

  2. QUESTIONADOR
    segunda-feira, 16 de dezembro de 2013 – 12:58 hs

    -E o Marcos Valério que leva a fama!!!
    -Tem peixe graúdo nadando livremente nos corredores em Brasília…….mas realmente a justiça é cega ou se faz de cega…enquanto isso…no Planalto rumo à reeleição em 2014…
    -Senho Jesus ajudá-nos e olhai por nós…pobre povo iludido e enganado…

  3. antonio carlos
    segunda-feira, 16 de dezembro de 2013 – 21:15 hs

    Segundo a pesquisa do Ibope a ninguenzada vota até se o voto não for obrigatório. Assim sendo precisamos a nos acostumar com a nossa singular realidade. Em Pindorama convivemos com a corruptocracia e a cleptocracia, tudo isto junto.

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*