Mil vítimas de tortura no Paraná | Fábio Campana

Mil vítimas de tortura
no Paraná

Da Gazeta do Povo:

Um baú de crueldades aberto por quase 21 anos. Choques elétricos, afogamentos e muitas surras deixaram marcas intermináveis em vítimas do regime militar no Brasil. As torturas se tornaram práticas mais rotineiras após a promulgação do Ato Institucional número 5 (AI-5), em 1968, que aumentou a repressão, proibiu manifestações públicas e aboliu o habeas corpus. A medida vigorou por dez anos.

Utilizada especialmente para obter informações dos envolvidos na luta contra o governo dos generais, a tortura chegou a contar com “assessoria técnica” do Exército norte-americano. Os militares invadiam casas ou locais de trabalho. A situação piorava em delegacias e quartéis.

A Comissão Nacional da Verdade afirma que a tortura passou a ser prática sistemática da ditadura militar logo após o golpe, em 1964, e não apenas como resposta à luta armada contra o regime, iniciada em meados de 1968. De acordo a comissão, cerca de 50 mil pessoas foram presas só em 1964. Em todo o regime, pelo menos 20 mil foram torturadas de forma brutal.

No Paraná, a história se repete. A Comissão Estadual da Verdade (CEV) se baseia nas pesquisas do grupo Tortura Nunca Mais – Paraná, que dá conta de pelo menos 4 mil presos durante a ditadura. Destes, no mínimo mil sofreram tortura. Mas o número pode ser muito maior. “A gente trabalha com esses dados, mas não podemos afirmar ainda se é isso mesmo ou se são mais casos”, afirma o presidente da CEV, o sociólogo Pedro Bodê.

Quatro cidades abrigaram os maiores centros de tortura no estado. Os quartéis do Exército de Apucarana, Foz do Iguaçu, Ponta Grossa e Curitiba. Na capital, as ações se concentravam principalmente no antigo quartel que existia na Praça Rui Barbosa, nas delegacias de polícia, na Delegacia de Ordem Política e Social e na Clínica Marumbi. Esta clínica, que pertencia ao Exército, ficava perto de outro quartel que existia em frente à Praça Oswaldo Cruz e hoje abriga um shopping.


6 comentários

  1. segunda-feira, 30 de dezembro de 2013 – 11:21 hs

    E a tortura continua após os regime milita, somos torturados e triturados pela carga tributária, pelos gestores e políticos corruptos e pela falta de justiça,de segurança, de educação, de saúde pública e aí vai …

  2. segunda-feira, 30 de dezembro de 2013 – 11:40 hs

    E a tortura continua após os regimes militares, somos torturados e triturados pela carga tributária, pelos gestores e políticos corruptos e pela falta de justiça,de segurança, de educação, de saúde pública e aí vai …

  3. Parreiras Rodrigues
    segunda-feira, 30 de dezembro de 2013 – 12:23 hs

    “Esse não volta mais”, foi o que ouviu amigo meu de um arenista numa esquina da avenida Gustavo Brigagão, quando eu passei dentro duma Veraneio da delegacia da Polícia Federal, entre quatro agentes, o motorista e um outro na frente, eu no meio de dois outros atrás, cada um com uma metralhadora à mão. O dia era 30 de março de 1974 e o meu crime era o texto Mensagem Verde Amarela Para Uma Juventude Azul Branca. Mas, eu voltei, sim, dia 2 de abril. Passei o 10o. aniversário do golpe de Primeiro de Abril, numa garagem improvizada de cela, as outras lotadas, tendo como cama, um monte de capim seco. Dia 30, entreguei-me depois de saber que me procuravam. Desfilaram comigo, recolhendo os cartazes expostos em cartórios, bancos, na prefeitura. Antes, em 1968, quando o menino-estudante Edson Luiz, recebera um balaço numa refrega entre estudantes e milicos no Calabouço – RJ, eu, presidente da União dos Secudaristas Isabelenses, a USIES, redigi um manifesto condenando a brutalidade. Num quarto de papel sulfite rodado em mimeógrafo. Foi o que bastou para que o dedo-duro local da Arena – toda cidade tinha um, geralmente membro da Arena, pedisse a minha expulsão do colégio e encaminhasse cópia à Delegacia de Ordem Polícia e Social, a DOPS. Na minha ficha consta que eu frequentemente me insurgia contra o regime, que era envolvido com sindicatos – fundei o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santa Isabel do Ivai, e que era filho de comunista, o carpinteiro Manoel Alves Rodrigues. Meu pai sempre foi motorista e solteiro ainda, foi preso quando rasgou faixa do partido na cidade de Guaraçai, SP. Vejam só. Todo esse meu “envolvimento” causou problemas quanto a estudo, emprego. Numa cidade pequena como Santa Isabel do Ivai, ser conhecido como comunista é o mesmo que ser um leproso. Democratizada a Nação, li a Mensagem Verde Amarela Para Uma Juventude Azul e Branca, na tribuna da Assembléia Legislativa do Paraná, durante um Congresso do Setor Jovem do MDB. Plenário e galerias lotados. Rapazes e moças de todos os cantos do Paraná. Ao final, eu não sabia se me alegrava com os aplausos ou se me afogava nas lágrimas que inundavam aquele espaço. Mas, hoje ao observar que os assassinatos, as torturas, os suícidios, todas as desgraças decorrentes da luta contra o arbítrio, resultassem na construção dessa gigolotagem da miséria que hoje manda no Brasil, me pergunto se valeu a pena. E eu mesmo me respondo: Navegar vale a pena.

  4. QUESTIONADOR
    segunda-feira, 30 de dezembro de 2013 – 12:59 hs

    -Acho que estes números não estão corretos…temos que levar em consideração apenas os presos políticos e não presos comuns encarcerados por outros motivos que não políticos…
    -De qualquer forma, a tortura não se jusitifca, pois há outros meios para se obter informações de prisioneiros…a vítima da tortura em estado de degeneração física e mental afirma qualquer coisa para se livrar dos algozes…não se jusitifica em qualquer época e em qualquer situação…
    -Mesmo sendo um regime militar, em que os “santos dos terroristas” faziam o que queriam…podia-se matar, sequestrar, explodir e roubar…tiveram a resposta à altura, que naquela época era dente por dente e ainda o é!

  5. Levir Batisti
    segunda-feira, 30 de dezembro de 2013 – 20:48 hs

    Sugiro entrevista com o Frei Paulo Botas que foi vítima da ditadura e hoje tem um mosteiro em Campina Grande do Sul e atua na PUC.

  6. Anônimo
    terça-feira, 31 de dezembro de 2013 – 12:52 hs

    Depois disso, virão os pedidos de indenização e pensões gordas as custas da viúva.

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