Centrais sindicais se 'reconfiguram' para apoiar candidatos à Presidência | Fábio Campana

Centrais sindicais se ‘reconfiguram’ para apoiar candidatos à Presidência

João Villaverde – O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA – Segunda maior central do País, a Força Sindical sofreu nesta semana uma defecção que terá influência direta nos apoios das entidades de classe aos candidatos à Presidência da República no ano que vem. O tesoureiro da Força, Luiz Motta, que também preside a Federação dos Comerciários de São Paulo, vai deixar a central rumo à União Geral dos Trabalhadores, a UGT, ligada ao PSD, partido que já anunciou apoio à reeleição de Dilma Rousseff. Com isso, a Força deve aderir, sem maiores resistências internas, ao projeto presidencial do senador mineiro Aécio Neves (PSDB).

Motta levará todos os 68 sindicatos da categoria em São Paulo para a UGT, o que engordará os cofres da entidade em cerca de R$ 4 milhões – dinheiro que a Força deixará de receber por não mais representar essa categoria.

Além do deputado federal e presidente do Solidariedade, Paulinho (SDD-SP), que já faz campanha para Aécio, a Força conta também com dois vice-presidentes filiados ao PSDB – Melchíades Araújo, da área de alimentação, e Antônio Ramalho, do ramo da construção civil.

Por outro lado, a UGT, que tem no presidente Ricardo Patah (PSD) um nome forte pró-Dilma, fica ainda mais próxima do governo federal e amplia o apoio do movimento sindical em favor da reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Filiação. Motta se filiou ao PTB há dois meses, partido que sinaliza se aliar a Dilma na campanha do ano que vem. Ele nutre o desejo de sair candidato a deputado federal por São Paulo no ano que vem. Patah, a quem o ex-prefeito Gilberto Kassab prometeu a mesma candidatura pelo PSD, aceitou abrir mão em prol de Motta.

A UGT deve aumentar de tamanho. Nas contas dos dirigentes da central, a entidade deve ganhar cerca de 200 sindicatos nas próximas semanas, contando os 68 sindicatos de comerciários que fazem parte da Federação dos Comerciários de São Paulo, presidida por Motta. A central vai se aproximar do poder de fogo da Força Sindical, mas ainda permanecerá como a terceira maior entidade do gênero, atrás também da Central Única dos Trabalhadores (CUT), historicamente ligada ao PT.

Lá e cá. Com 1,2 mil sindicatos e prevendo embolsar mais de R$ 30 milhões com imposto sindical no ano que vem, a UGT também vai aumentar sua musculatura política. “Nossa postura no PTB é semelhante daquela dos colegas do PSD”, disse Motta ao Estado, “porque apoiamos o governador Geraldo Alckmin em São Paulo, e a presidente Dilma no campo federal”.
Segundo Paulinho, que já presidiu a Força, a decisão de Motta foi “um erro grave”, motivado por uma avaliação política e partidária, e não sindical. “Ele queria ser o presidente do Solidariedade em São Paulo, mas para mim a vaga deveria caber a um metalúrgico. A decisão de ir para o PTB e agora para a UGT, no campo sindical, foi um erro de cálculo”, disse Paulinho, que admitiu: “a Força fica quase inteira com Aécio, agora”.

A declaração de apoio da Força ao senador tucano provoca uma mudança de cenário em relação às eleições presidenciais de 2010, quando havia unidade entre as duas maiores entidades no apoio à candidatura de Dilma. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), também tenta se aproximar dos sindicalistas, o que poderá dividir ainda mais o setor. Se não conseguir apoios explícitos, Campos buscará compromissos de neutralidade.


2 comentários

  1. Messias Silva
    quarta-feira, 25 de dezembro de 2013 – 13:52 hs

    O quê? 4 milhões para o Paulo Rossi. esse mundo tá perdido.

  2. antonio carlos
    quinta-feira, 26 de dezembro de 2013 – 15:34 hs

    As ditas Centrais Sindicais perderam completamente a razão de ser, estão todas ligadas ao Governo ou aos governos, sem exceção. A mais desmoralizada de todas elas é a que mais tem gente no governo, está virou o braço sindical do pestismo, perdeu completamente a credibilidade que tinha entre os que devia atender, a classe trabalhadora.

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