Diante do valor da consulta, pediatras param de atender por plano de saúde | Fábio Campana

Diante do valor da consulta, pediatras param de atender por plano de saúde

Do G1 PR, com informações da RPC TV Curitiba:

A Sociedade Paranaense de Pediatria afirma que médicos estão deixando de atender pelos planos de saúde porque o valor repassado é insuficiente para manter o consultório. Em média, por consulta, o pediatra recebe de R$ 40 a R$ 50. Essa quantia, de acordo com a entidade, representa menos da metade do valor necessário.

A falta de especialistas já foi percebida pelos usuários dos planos de saúde. Em muitos casos, o paciente precisa esperar mais de um mês para conseguir agendar um horário. E, conforme avaliação do presidente da Associação Paranaense de Pediatria, Gilberto Pascolat, a tendência é que a dificuldade aumente já que alguns optaram por fechar os consultórios.

“Esse custo que está agregado ao valor da consulta, que eles acham que estão economizando pagando uma remuneração muito baixa, está saindo muito caro porque está agregando valores de procedimento, valores de exames laboratoriais, exames de imagens que acabam encarecendo muito mais para o plano de saúde”, disse Pascolat.

A Unimed, a maior operadora de planos de saúde em Curitiba, confirmou o descredenciamento de pediatras, mas informou também que o número de médicos que ingressam tem sido maior do que o dos que saem.

O que se percebe é que a falta de pediatras, que atendem nos consultórios, obriga os pais a procurarem os setores de emergência ou ambulatórios dos hospitais. Nesses locais, portanto, aumenta a procura por médicos, e as consultas também costumam demorar mais.

O hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, é referência no atendimento infantil. O local tem um setor que atende somente crianças com plano de saúde. São vários pediatras, mas, em dias de grande movimento, a espera pode chegar a quatro horas. Nas áreas de emergência, quase sempre o médico não conhece a história do paciente, ao contrário de um pediatra que acompanha o crescimento da criança cada vez que ela vai ao consultório.

“Se você consultar o seu filho dez vezes por mês com dez médicos distintos, podem ser ótimos médicos, mas não será a mesma coisa”, afirmou o diretor do Hospital Pequeno Príncipe, Donizetti Gianberardino.


3 comentários

  1. antonio carlos
    segunda-feira, 11 de novembro de 2013 – 12:18 hs

    Data vênia, permita-me discordar, mas R$ 50 não é tão ruim assim, porque dependendo do tempo de consulta, e, seguindo as normas da OMS e da OPAS, podem-se atender 4 consultas por hora. Trabalhando-se 4 horas até que dá para arranjar uma grana razoável. Isto sem falarmos de que muitos dos nossos pediatras, pelo menos os mais veteranos, salvo raríssimas exceções, todos tem empregos públicos. Públicos porque muitos trabalham para prefeituras, estado e governo federal. Vi muito disto quando ainda trabalhava. O chororô do nobre presidente não procede totalmente.

  2. De olho...
    segunda-feira, 11 de novembro de 2013 – 17:09 hs

    Algumas coisas merecem ser comentadas a respeito:

    1. Se o número de médicos que ingressam na Unimed é maior do que aqueles que deixam a operadora, certamente os novos ingressantes são recém formados que ainda não angariaram sua clientela particular. Os profissionais mais experientes, que investiram durante anos em sua carreira além da formação universitária, não se prestam a atender por aqueles ínfimos valores.

    2. O problema da má remuneração destinada pela Unimed aos profissionais prestadores de serviços de saúde não atinge apenas os médicos, mas também profissionais de outras áreas como Psicologia, Fisioterapia, Nutrição, etc…

    3. Além da questão da baixa remuneração, a “maior Cooperativa médica do Brasil” – Unimed – também adota a prática de restringir o acesso de seus usuários aos serviços profissionais dificultando ao máximo a liberação de procedimentos, sujeitando-os a “auditorias” internas, tudo dentro da mais pura lógica de “cobrar o máximo, pagar o mínimo.”

    4. E enquanto isso (ou justamente por isso)… lá está a Unimed patrocinando times de Futebol da primeira divisão com intensa publicidade nos maiores Estádios do País. Basta ver na televisão um jogo do Campeonato brasileiro e lá está a marca do patrocinador que não tem dinheiro para remunerar dignamente seus profissionais prestadores de serviços.

  3. Cesar - Barraquinha
    terça-feira, 12 de novembro de 2013 – 10:49 hs

    Calculo simples :- 4 conculta por hora (pode ser mais) x 40,00 = 160,00, vezes 4 horas de trabalho = 640,00, vezes 15 dias de trabalho = R$ 9.600,00.
    Nada mal, e ainda sobram 4 horas para atendimento particular e uns dias para as cirurgias etc, etc.

    Faz favor!!!!!

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