Curitiba tem menor taxa de homicídios em seis anos, destaca a Gazeta | Fábio Campana

Curitiba tem menor taxa de homicídios em seis anos, destaca a Gazeta

O número de homicídios em Curitiba ainda não chegou a um nível aceitável, mas a tendência de queda já é realidade. Com 25 casos a cada grupo de 100 mil, a capital atingiu a menor taxa de homicídio dos últimos seis anos, graças à queda de 21% nas ocorrências entre janeiro e setembro deste ano em relação ao mesmo período de 2012, destacou a Gazeta do Povo, em reportagem de capa nesta sexta-feira (22).

Foram 380 assassinatos em 2013 contra 479 no ano passado. A redução se materializou em 35 dos 75 bairros – o equivalente a 47% –, entre eles Cidade Industrial, Uberaba, Cajuru e Boqueirão, que sempre figuraram entre as regiões mais violentas de Curitiba.

Apesar de omitir que a queda é resultado das ações implementadas pelo governo Beto Richa (PSDB), o jornal informa que foram duas iniciativas levadas a cabo pela Secretaria de Segurança Pública, que “parecem ter surtido efeito contra a violência. Uma delas é visível: a implantação das Unidades Paraná Seguro (UPS). A outra não”, frisou a Gazeta.

“O órgão estadual investiu no trabalho de inteligência, dando suporte à Coordenadoria de Análise e Planejamento Estratégico (Cape), responsável pelas estatísticas de criminalidade”, destacou.

As informações coletadas sobre os crimes são levadas para dentro das Polícias Militar e Civil, que as aplicam em ações preventivas e investigações. O núcleo chega a identificar padrões de hora, local e data onde os crimes ocorrem. Essas análises acabam auxiliando delegados e policiais militares a resolver crimes e prevenir delitos.

Como cerca de 70% dos homicídios estão ligados ao tráfico e o uso de drogas, já foi possível mapear que a maior parte desses crimes ocorre em pontos de venda. Com isso, os policiais permanecem nas proximidades dessas regiões.

“Isso faz a diferença. Não dá mais para ficar apenas na investigação antiga. Quando se fala em inteligência policial, é isso, e não apenas interceptação telefônica”, diz o delegado Guilherme Rangel, da Divisão de Narcóticos.

Ele é um exemplo de como a ajuda da Cape faz a diferença no trabalho policial. Em 2011, ele prendeu em flagrante uma quadrilha de assaltantes em Curitiba, depois de analisar informações dos crimes cometidos por ela. A partir disso, conseguiu saber o período e o local em que a quadrilha agiria novamente.

“Política acertada”

Para o delegado da Polícia Federal e coordenador do Núcleo de Estudos de Segurança da Universidade Tuiuti do Paraná, Algacir Mikalovski, a política oficial para reduzir os homicídios é acertada. “Foram priorizadas as áreas de risco [com as UPS], onde há mais carência do Estado”, comenta.

Ele ressalta que o mapeamento do crime está começando a dar resultados mais concretos. “Os números ainda não são aceitáveis, mas partimos para uma melhora. Controlar dentro de níveis aceitáveis é possível”, afirma.

Cape pretende se instalar em unidades da PM e delegacias

Mais de 400 policiais foram capacitados, nos últimos dois anos, para analisar e aplicar as informações da Coordenadoria de Análise e Planejamento Estratégico (Cape) no Paraná. Eles estão espalhados por batalhões e delegacias do estado. O objetivo da Cape é que cada batalhão da Polícia Militar e subdivisão da Polícia Civil conte com uma extensão da unidade de diagnóstico e pesquisa. Atualmente, a coordenadoria já está presente na PM.

“Criamos um sistema de gestão integrada”, comenta o coordenador técnico da Cape, Rodrigo Perim de Lima. Ele explica que os diagnósticos, com horário, local e data dos homicídios, são informações que podem ser lidas on-line pelas polícias pelo software Bussiness Intelligence.

De acordo com o diretor da Cape, delegado Elcio Fuscolim, o trabalho desenvolvido tem colaborado muito com o sistema de metas. “Nós damos o diagnóstico. A PM e a PC fazem o planejamento operacional. Todos os gestores já têm consciência da importância”, comenta. Lima lembra que muitos dos gestores até cobram as informações de suas áreas e os boletins com metas estabelecidas de quedas de homicídios. “Está havendo uma receptividade muito boa”.


4 comentários

  1. sandra arendt
    sexta-feira, 22 de novembro de 2013 – 14:42 hs

    Nível aceitável é não haver homicídios. Não se pode medir nível de segurança enquanto houver um homícidio. Não estamos lidando com taxas de juros, nível de inflação, ou qualquer outro assunto econômico. Também não resolve capacitar ou contratar policiais, comprar viaturas, se os mesmos não tiverem o devido aparelhamento e suporte para cumprir suas funções. Policial tem que receber salários dignos, estar munido de armas potentes (mais do que os bandidos), ter respaldo governamental quando cumprindo sua missão mata traficantes e bandidos que revidam. O que pensar das delegacias superlotadas, onde os investigadores tem que servir de babá de meliante (escolta até médido, dentista, etc, vide caso do investigador morto em Campo Largo recentemente)? Investigador tem de estar nas ruas fazendo (com segurança) seu papel. Policiais para fazerem seus trabalhos precisam das ferramentas certas. E não me venham com histórias de grandes recentes investimentos, porque no Governo atual vemos muitos gastos desnecessários com nome de investimento e pouco retorno efetivo à população. E olhe que os funcionários públicos de carreira (incluindo policiais, professores) tem feito muito mais que sua parte. O que estraga toda e qualquer ação ou plano de governo, são estes “visitantes apadrinhados sem comprometimento e sem conhecimento” que deixam a “coisa pública” correr à solta. Daqui a pouco vâo embora sacudindo a poeira da roupa, e os que ficam ( funcionários efetivos) que se f….! Dá no que dá!

  2. Doutor Prolegômeno
    sexta-feira, 22 de novembro de 2013 – 15:00 hs

    Um jeito interessante de reduzir as taxas de crimes em geral: as pessoas não podem mais telefonar para a polícia para relatar as ocorrências. Por isso pararam de pagar as contas. Criatividade e inovação no governo estadual.

  3. Doutor Prolegômeno
    sexta-feira, 22 de novembro de 2013 – 15:07 hs

    Aliás, meu pai, um promotor de justiça velho de guerra do RJ, dizia que para acabar com os crimes a única solução era jogar fora o livro de ocorrências. Sem ocorrência, não há crime.

  4. ROGÉRIO
    sexta-feira, 22 de novembro de 2013 – 15:34 hs

    Este é um motivo de que se deve valorizar mais os profissionais
    da Segurança Pública, principalmente os policiais civis, militares e bombeiros. A valorização fator humano é fundamental para a base.

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