Zola Florenzano, marco da resistência, vira mulher em obituário | Fábio Campana

Zola Florenzano, marco da resistência, vira mulher em obituário

Do Aroldo Murá

Quando mais se espera do jornalismo profissional, como contraposição a uma certa farra do amadorismo das “redes”, as surpresas podem chegar. Como aconteceu ontem, domingo, quando a coluna de obituário do mais impoprtante jornal de Curitiba, Gazeta do Povo, “enterrou” o brigadeitro Zola Florenzano, 101, classificando-o como mulher, apresentando-o como “funcionária pública federal”.

É isto que dá: páginas de obrituários têm de ser feitas – como a do New York Times – por profissionais que, pelo menos, conheçam a realidade da história próxima da cidade e do país.

Pois anote-se: a “Zola Florenzano”, “funcionária pública” foi um dos nomes mais respeitados da resistência à ditadura militar. Por isso, teve sua patente de oficial da FAB cassada, foi preso, sofreu humilhações extensivas à família. Além do notável espírito libertário de Zola Florenzano, autor de vários livros de qualidade – leitura pesada – sobre marxismo e materialismo científico, o brigadeiro da reserva da FAB era conferencista sempre solicitado e dono de uma memória privilegiada. Conhecia todos os escaninhos da vida militar brasileira do século 2o.

Zola, com a anistia, recuperou os direitos civis e teve acesso ao posto de brigadeiro. Foi pai do jornalista Emílio Zola Florenzano, por anos editor do Diário do Paraná, introdutor das primeiras publicações sobre jornalismo no Brasil (Cadernos de Jornalismo do JB) e também do publicitário Rogério Florenzano, que por 20 anos dirigiu o Dep.Comercial
do diário Gazeta do Povo, de Curitiba.


7 comentários

  1. José Diniz
    domingo, 13 de outubro de 2013 – 13:13 hs

    Erro lá, erro aqui:
    “É isto que dá: páginas de ‘obrituários’t êm de ser feitas – como a do New York Times – por profissionais que, pelo menos, conheçam a realidade da história próxima da cidade e do país.”
    Como se diz, é fácil ver a cauda do outro, já a nossa, bom, aí é outro papo.
    Mas, ainda fico com o nacionalismo, sou brasileiro sim, de BRASIL com “S”.

  2. Geraldino
    domingo, 13 de outubro de 2013 – 17:17 hs

    Esta superficialidade não é exclusiva dos jornalistas que fazem o obituário. É verdade que no caso, o meio-jornalista abusou, ainda mais se tratando de alguém com a história de Zola Florenzano. Mas basta uma leitura razoavelmente atenta para ver a falta de profundidade, amadorismo e irresponsabilidade que vicejam nos atuais profissionais(?) do jornalismo. Mas alegrem-se jornalistas(?). A crise profissional não é exclusividade de vocês. Pode estender esta crítica aos médicos, advogados, professores, bioquímicos, engenheiros, juízes, promotores, desembargadores, empresários, padres, bispos, pastores, artistas, etc, etc,etc….
    É a crise da educação formal pelas escolas que educam mal. e da responsabilidade deveria ter origem nas famílias.
    Não há milagre.

  3. Corra que o brasill vem aí
    domingo, 13 de outubro de 2013 – 17:44 hs

    alguém tem de fazer alguma coisa ? O brasil tem jeito ?

  4. Corra que o brasill vem aí
    domingo, 13 de outubro de 2013 – 17:45 hs

    quem ? eu ? e alguém me ajuda a juntar-me os cacos depois ?

  5. laura
    domingo, 13 de outubro de 2013 – 17:45 hs

    Essa gazeta é um lixo

  6. antonio carlos
    domingo, 13 de outubro de 2013 – 18:41 hs

    Fábio, Fábio, você trabalhou nesta gazeta então deveria saber que ela não prima pelo rigor nas suas informações. E barrigada parece ser coisa normal e perfeitamente aceitável.

  7. anytonia marciano
    domingo, 13 de outubro de 2013 – 19:04 hs

    os obituátrios maltratados de certos jornais são prova de nossa indigência jornalística: ninguém pergunta, ninguém pesquisa, pouco se lê (quando se lê).

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