Polícia busca documentos na casa de Derosso em investigação sobre a CMC | Fábio Campana

Polícia busca documentos na casa de Derosso em investigação sobre a CMC

Núcleo de Repressão aos Crimes Econômicos (Nurce) cumpre 18 mandados de busca e apreensão em investigação relacionada a supostos desvios de verba publicitária

Da Gazeta do Povo:

Policiais do Núcleo de Repressão aos Crimes Econômicos (Nurce) cumprem, nesta quinta-feira (31), 18 mandados de busca e apreensão relacionados ao inquérito criminal que apura supostos desvios de verbas de publicidade da Câmara Municipal de Curitiba. Entre os locais nos quais os policiais cumpriram os mandados está a casa do ex-presidente da Câmara João Cláudio Derosso. A intenção é recolher indícios de que houve crime por parte dos investigados para que o Ministério Público ofereça denúncia à Justiça. As irregularidades apuradas são de um período no qual Derosso foi presidente do legislativo.

No total, 15 mandados são cumpridos na capital paranaense, dois em Pinhais, na região metropolitana, e um em Londrina, no Norte do Paraná. A polícia pediu à Justiça que fossem expedidos mandados de prisão, mas estes foram negados.

Durante a ação policial, três pessoas que estavam nas casas que são alvos da operação foram conduzidas à delegacia por posse ilegal de arma. Essas prisões não estavam previstas nem têm relação com o objeto da operação, mas foram realizadas diante do flagrante. O Nurce informou que Derosso não está entre esses três presos.

A operação começou por volta das 6 horas e, até as 10 horas, ainda não tinha sido concluída. O cumprimento dos mandados envolve o trabalho de 70 policiais, conforme informações repassadas pelo delegado do Nurce Fernando Tino Zanoni, que falou em nome do titular do Nurce, Robson Barreto. “Foram solicitadas várias outras medidas sociais para impulso das investigações e para a condução dos trabalhos, dentre elas busca e apreensão”, disse Zanoni, que disse não poder dar mais detalhes pelo fato de o caso correr em segredo de Justiça.

Derosso já responde a uma ação civil pública por improbidade administrativa em contratos de publicidade da Câmara durante a gestão dele como presidente do parlamento. Mas os mandados de busca e apreensão cumpridos nesta quinta são relacionados à apuração da parte criminal do caso. Nesta esfera, ainda não foi apresentada denúncia à Justiça. Apesar de o Nurce já ter enviado o inquérito ao Ministério Público do Paraná (MP-PR), este último solicitou novas diligências para poder encaminhar o caso adiante.

O advogado Figueiredo Basto, que defende Derosso, disse que soube dos mandados de busca e apreensão, mas que não tem nenhuma declaração para fornecer sobre o fato e que só se pronunciará em juízo.

Marcelo José Ciscato, advogado de Cláudia Queiroz – dona da empresa de publicidade Oficina da Notícia, investigada no caso – disse que, até as 10 horas, não tinham sido feitas buscas na casa da cliente dele.

Relembre o caso

Denúncias feitas pela série de reportagens “Negócio Fechado”, da RPCTV e do jornal Gazeta do Povo, em 2011, apontaram uma série de irregularidades nos contratos e despesas com a publicidade da Câmara de Curitiba. Em primeiro lugar, a licitação para a escolha das duas agências de publicidade da Câmara de Curitiba, em 2006, contou com apenas duas concorrentes. No entendimento do Tribunal de Contas, vícios no processo – como a pouca divulgação e o conflito de prazos entre o extrato do edital e o próprio edital – colaboraram para a baixa participação de concorrentes. O Ministério Público viu indícios de direcionamento.

Uma das empresas vencedoras, a Oficina da Notícia, é de propriedade de Cláudia Queiroz, que, na época, não tinha relacionamento afetivo com o ex-presidente da Câmara João Cláudio Derosso. Mas, durante a licitação, ela era funcionária comissionada da Câmara, o que viola a Lei de Licitações. Ela pediu exoneração antes de assinar o contrato.

Os contratos eram de apenas dois anos, mas foram prorrogados duas vezes, em 2008 e 2009 – chegando, então, a cinco anos de duração. Nesta época, Cláudia já tinha um relacionamento estável com Derosso. Isso contraria o princípio da impessoalidade na gestão de verba pública.

A revista Câmara em Ação, produzida entre 2006 e 2010 pela empresa Visão Publicidade, custou R$ 14 milhões e teve uma tiragem mensal que variou entre 156 mil e 247 mil exemplares. Questiona-se se a tiragem era compatível com o conhecimento que a população tinha da revista. Isso levantou a suspeita de que a publicação teria sido superfaturada.

Técnicos do TC revelaram que quase todos os gastos feitos pela Câmara em publicidade podem ter sido inconstitucionais. A Casa pagou para diversos jornais de bairro e até colunas sociais publicarem matérias elogiosas sobre os vereadores, o que pode ser considerado uso de dinheiro público para “promoção pessoal de autoridades”.


4 comentários

  1. antonio carlos
    quinta-feira, 31 de outubro de 2013 – 12:46 hs

    A Policia deve encher uma carreta com tantos documentos. Com certeza a Justiça vai “encontrar” muita coisa importante. Depois de tanto tempo o Derosso deve ter organizado pilhas e pilhas de dossiês , sobre tudo e sobre todos. Muita gente que se passa por boa vai ter que se explicar bem direitinho.

  2. antonio nunes
    quinta-feira, 31 de outubro de 2013 – 13:32 hs

    Venham investigar aqui em fazenda rio grade tb! a câmara daqui tem mais vagabundo por m2 que no presídio!

  3. Irineu
    sexta-feira, 1 de novembro de 2013 – 11:37 hs

    Esse aí é mais um que está ca… e andando com a justiça, e ainda se faz de coitado.

  4. Pimentão
    sexta-feira, 1 de novembro de 2013 – 14:18 hs

    TENHO PENA do velho e HONRADO Vereador João Derosso.

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