O harakiri de Dilma, por Suely Caldas | Fábio Campana

O harakiri de Dilma,
por Suely Caldas

De Suely Caldas, O Estado de S.Paulo:

No dia em que o campo gigante de Libra foi vendido para a Petrobrás e quatro empresas estrangeiras, a presidente Dilma Rousseff foi à TV comemorar o sucesso do leilão e garantir que seu governo não privatizou o petróleo do pré-sal.

Ora, então por que leiloou? Por que despachou equipes para a Europa, EUA e China com a missão de “vender” o petróleo do pré-sal como um bom negócio? Por que a tristeza e a decepção de seu governo quando as gigantes Chevron, British Petroleum e Exxon Mobil desistiram da licitação?

Por que a alegria e o alívio quando a francesa Total e a anglo-holandesa Shell aderiram ao consórcio vencedor? Por que negar algo tão simples e óbvio?

Shell, Total, CNPC, CNOOC e Petrobras formaram consórcio vencedor (Fernando Frazão / ABr).

A resposta veio de um ex-tucano (hoje aliado querido de Dilma), o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes: “O discurso antiprivatista ainda resiste no Brasil de 2013, quando a gente vê pessoas fazendo questão de dizer que não estão privatizando ou negociando com o setor privado”, afirmou ele na manhã seguinte ao discurso da aliada, misturando espanto, lamento e decepção.

Afinal, em mais de 20 anos a privatização já deu provas e provas de que mais enriquece a população do que empobrece o patrimônio público. Privatização e autonomia do Banco Central nasceram liberais e tornaram-se políticas universais.

Mas com espantosa insistência ela ainda é atacada, por oportunismo político de quem usa o argumento do falso nacionalismo para impressionar e comover os brios do sincero patriotismo dos brasileiros. Pura enganação.

O que os políticos defendem são seus interesses e privilégios, temem o desmanche de uma parcela do Estado que sempre usaram para trocar favores, comprar aliados, fazer caixa para suas campanhas eleitorais. Só alguns exemplos: os bancos estaduais, as elétricas estaduais, as siderúrgicas federais, a Rede Ferroviária Federal (a Valec pode seguir caminho igual) e muitas outras. Felizmente privatizadas.

A Vale privada ganhou em qualidade de gestão e passou a arrecadar para o Estado mais dinheiro em impostos do que em dividendos quando era estatal.

Não parece o caso da presidente Dilma. O combustível que a move é ideológico, mas de uma forma tão confusa e atrapalhada – porque contraditória (afinal, ela precisa do capital privado) – que mais tem prejudicado sua gestão do que satisfeito seu preconceito.

Leia a íntegra em O harakiri de Dilma


3 comentários

  1. Helena
    terça-feira, 29 de outubro de 2013 – 13:02 hs

    Até a Língua Portuguesa sofre com as mentiras do pt, privatizar agora se transformou em parcerias ou concessão. Pode um negócio desse?

  2. antonio carlos
    terça-feira, 29 de outubro de 2013 – 15:53 hs

    Harakiri, data vênia prezada Suely, só você viu isto, porque a companheira presidanta conseguiu convencer a tigrada de que aquilo não era privatização e nem nada parecido. E não é que a tigrada acreditou nela. E é assim que a tigrada vai votar, acreditando que o pestismo, ao contrario dos tucanos, não privatizou nada. Você e eu sabemos que não é assim, mas a tigrada não.

  3. frachico
    quarta-feira, 30 de outubro de 2013 – 10:06 hs

    A decepçao pela participaçao das petroliferas americanas, me parece, que nao foi do governoe sim da Globo. O governo, alias esta euforico com os resultados, e nao e semrazao.

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