HC estuda alternativas para parar de encolher | Fábio Campana

HC estuda alternativas para parar de encolher

O diretor do HC, Flávio Tomasich (foto), afirma que o hospital precisa resolver a falta de funcionários com urgência e que a adesão à Ebserh não está totalmente descartada

Da Gazeta do Povo:

Sem perspectiva de realização de concurso público, o Hospital de Clínicas (HC) de Curitiba estuda alternativas para parar de encolher. Nos últimos dez anos, o maior hospital público do Paraná, ligado à Universidade Federal do Paraná (UFPR), perdeu 16% do quadro funcional e 39% dos leitos de atendimento e internação. Uma situação que só tende a piorar caso nada seja feito. “Se não solucionarmos o problema [da falta de pessoal], tudo vai se desmontando”, desabafa o diretor-geral do HC, Flávio Tomasich. Nesse momento são três as possibilidades: aderir à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) do governo federal; agilizar a implantação de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA); e apostar em novas pesquisas de biotecnologia.

Em relação à Ebserh, o tom do discurso mudou. Antes completamente descartada, a proposta agora começa a ser vista com outros olhos e uma revisão da decisão de não aderir à empresa, tomada em agosto de 2012, surge como uma possibilidade. “Isso depende do Conselho Universitário e pode ser revisto a qualquer momento”, afirma Tomasich. O reitor da UFPR, Zaki Akel Sobrinho, afirma que “é cedo para confirmar a não implantação da empresa”, que poderia suprir a falta de funcionários com a abertura de novos concursos.

Já a UPA seria instalada onde hoje funciona o setor de emergência e urgência do HC e ficaria sob administração da Secretaria de Saúde de Curitiba. Com isso, os servidores do HC que atualmente trabalham no setor poderão ser recolocados em outras áreas do hospital. “É uma medida paliativa que pode fazer com que entre 70 a 100 funcionários sejam rearranjados dentro do HC”, explica Tomasich.

Pesquisas

Outras alternativa possível, segundo o diretor-geral do HC, é investir no desenvolvimento de novas pesquisas de biotecnologia, possibilitando a contratação de mais servidores. “Os contratados auxiliariam na pesquisa e com um remanejamento de funcionários poderíamos dar um suporte no atendimento. É uma medida também paliativa e pontual. Mas é uma das salvações para reoxigenar o HC e gerar mais recursos”, explica Tomasich.

Leitos fechados

Na semana passada o hospital anunciou o fechamento de 94 leitos devido à decisão judicial que proibiu os funcionários de fazer horas extras. Para impedir o fechamento dessas vagas seriam necessários mais 400 funcionários, de acordo com o HC. Hoje, o hospital conta com 2.910 funcionários.

Abatimento toma conta do hospital

O clima nos corredores do Hospital de Clínicas está pesado. Os problemas vão além dos 94 leitos fechados na semana passada. Equipamentos sem manutenção e falta de medicamentos complicam ainda mais a vida de pacientes e profissionais do HC.

Um médico, que pediu para não ser identificado, revela que chega a usar equipamentos particulares para atender os doentes. Além disso, como enfermeiros e técnicos de enfermagem não podem mais fazer horas extras, muitos procedimentos estão deixando de ser realizados. “Já tivemos que cancelar cirurgias porque não tem funcionário para nos auxiliar no procedimento. Se não resolver a situação, a tendência é piorar”, ressalta.

O cardiologista Darley Wollmann conta que o desânimo tomou conta de muitos servidores do HC. Ele atua no hospital desde 1990 e revela que o sucateamento é de longa data. “O problema naquela época era questão de investimento e salário. Agora a situação aumentou para a falta de servidores e o fechamento de leitos”, diz ele, que é presidente da regional Sul da Federação Nacional dos Médicos.

Wollmann revela que em muitas situações teve de usar remédios cedidos diretamente por laboratórios porque não havia medicamentos no HC. Além disso, o fechamento de vagas nos centros cirúrgicos também afeta a residência médica. “Muitas cirurgias não estão sendo realizadas, o que compromete a formação do formando”, diz. O diretor do HC, Flávio Tomasich, garante que não há precariedade de equipamentos. “Estamos enfrentando problemas apenas com medicamentos.”


4 comentários

  1. Parreiras Rodrigues
    sexta-feira, 25 de outubro de 2013 – 11:31 hs

    A matéria mostra também a diminuição do número de funcionários e de leitos no HC, de 2004 até agora.
    Dai, Dilma importa médicos e alardeia dó das pessoas carentes moradoras nas periferias.

    É o ânus da tapir, como diria um cruzadista.

    E a Oposição, nem um pio. Já não se elegem parlamentares como antigamente. Os de hoje, são atores. No palco, Oposição, nos bastidores, a luta pela sobrevivência – cargos, sinecuras, emendas, essas coisas. E quer ganhar eleição. Ora, pois…

  2. LUIZ ATENTO
    sexta-feira, 25 de outubro de 2013 – 17:37 hs

    … E ENQUANTO ISSO, AS OBRAS E INVESTIMENTOS PARA A COPA DO MUNDO DE FUTEBOL NÃO PARAM !
    VERGONHOSO. LASTIMÁVEL. DEPRIMENTE.
    ALHEIA À TUDO ISSO, DONA DILMA SEGUE VENDENDO O BRASIL EM PEDAÇOS E VÊ SUA POPULARIDADE CRESCER GRAÇAS AO CARTÃO “MORAR MELHOR”…
    VONTADE DE IR EMBORA DESTA TERRA. OU DE CONSERTAR TUDO ISSO.

  3. Anônimo
    sexta-feira, 25 de outubro de 2013 – 18:14 hs

    Mesmo a contra gosto e promessa de campanha, tem que a Ebserh……….

  4. Adriano
    sábado, 26 de outubro de 2013 – 12:39 hs

    E o governo federal? O que diz? Café os recursos que o governo federal tem que disponibilizar? Deveriam entrevistar a Dilma e perguntar porque ela quer acabar com o HC. Se a Ebserh entrar o atendimento exclusivamente público deixará de existir, pois o hospital passará a fazer atendimentos particulares em detrimento da população pobre. Vamos lá PT privatiza tudo! Seria interessante privatizar os políticos também, pois com um leilão de cadeiras no senado e na câmara de deputados poderíamos pagar menos com mais qualidade e talvez até desse para comprar os medicamentos que o HC precisa e repor os 400 profissionais. Quando o governo deixa deliberadamente de cumprir seu papel passa a bola para os outros e finge que não é com eles. A técnica do avestruz. Pensem muito bem, pois quem vai sofrer é a população!

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