ABCR aponta distorções na pesquisa da FIEP sobre pedágio | Fábio Campana

ABCR aponta distorções na pesquisa da FIEP sobre pedágio

Da Cláudia Gabardo

O diretor regional da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR/PR), João Chiminazzo Neto, disse ontem que não se surpreendeu com as “notórias distorções” que identificou no resultado da pesquisa sobre o pedágio. Encomendada pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), a sondagem, segundo ele, “pode servir ao interesse político de alguns”, mas se revela de pouca utilidade como instrumento de definição de políticas públicas visando a dotar o Paraná e o país da infraestrutura logística necessária ao desenvolvimento.

A pesquisa da Federação das Indústrias, divulgada na semana passada, aponta que 71% dos entrevistados consideram elevadas as tarifas de pedágio praticadas no Paraná; 63% preferem que as estradas sejam administradas diretamente pelo governo com o dinheiro dos impostos; 41% consideram fundamental a realização de mais obras, 25% são favoráveis à redução dos valores e outros 33,4% declaram as duas medidas como necessárias. A sondagem aferiu também que 41% dos entrevistados mostram-se insatisfeitos com as rodovias pedagiadas. Dentre os 2.512 entrevistados, 32% declararam não ser usuários das rodovias e 68% que as utilizaram pelo menos uma vez nos últimos 12 meses.

DISTORÇÕES

Para Chiminazzo, a opinião popular deve ser respeitada, mas a metodologia empregada na pesquisa da Fiep compromete seus resultados. Cita, como exemplo, o fato de que um terço dos entrevistados não é usuário das rodovias pedagiadas, o que, no seu entendimento, “é um fator de distorção” dos demais índices, especialmente quando pede a pesquisados que não trafegam pelas estradas que respondam sobre sua qualidade. O representante das concessionárias disse, porém, que não se surpreendeu com a opinião da grande maioria de que as tarifas no Paraná são muito elevadas quando comparadas às cobradas nas novas concessões federais.

Chiminazzo pondera, no entanto, que o alto índice dos que protestam contra o valor da tarifa praticado no Paraná decorre do “generalizado desconhecimento das diferenças entre um modelo de pedágio e outro: poucos sabem que o modelo implantado pelo governo paranaense apresenta exigências muito superiores àquelas que devem ser cumpridas pelas concessionárias das estradas federais. Uma das diferenças, diz ele, é o fato de no Paraná as concessionárias serem obrigadas a manter mais de 300 quilômetros de rodovias nas quais não se cobra pedágio, “sem falar que todo o custeio da fiscalização policial e de obras, que deveria ser obrigação do governo, é arcado pelas empresas. “São custos altos que naturalmente pesam nas tarifas”, ressalta.

A comparação das rodovias pedagiadas pelo Paraná, argumenta Chiminazzo, não deve ser feita com as do governo federal, mas sim com as estradas não pedagiadas, administradas diretamente pelos governos com recursos orçamentários. “A falta de qualidade ou mesmo as péssimas condições das estradas não pedagiadas, seja no Paraná ou em qualquer lugar do país, representa um prejuízo muito maior para a economia do que rodovias pedagiadas. Neste sentido o Paraná é um exemplo: não fossem as concessões implantadas há 16 anos, com certeza não teríamos saído do conhecido caos rodoviário que vivíamos até 1998”, enfatizou.

NEGOCIAÇÕES

O diretor da ABCR não responsabiliza o governo pelas más condições das rodovias sob administração pública porque, no seu entendimento, “não é justo que a população em geral, tão carente em serviços públicos de saúde, educação e segurança, seja obrigado a pagar, com seus impostos, o preço que cabe apenas a quem se utiliza de estradas”. Por isso, diz Chiminazzo, quando a pesquisa aponta que a maioria dos entrevistados é a favor da extinção do pedágio e da transferência do custeio das estradas para o poder público, “esta opinião popular, diante da realidade brasileira, não serve como fundamento para definir políticas públicas responsáveis”.

Sobre o valor da tarifa, considerado alto pelos entrevistados na pesquisa da Fiep, e o manifesto desejo da maioria pela realização de mais obras, o diretor regional da ABCR lembra que as duas possibilidades estão sendo discutidas entre o governo e as concessionárias. Pelo menos dois estudos técnicos encomendados pelo governo estadual estão sendo feitos por instituições independentes. Tão logo estejam prontos, o governo terá condições de propor as medidas necessárias para alcançar os dois objetivos, antes mesmo do término dos atuais contratos, cuja validade vai até 2021. “As concessionárias do Paraná estão abertas ao diálogo, como sempre estiveram”, reforçou.

Para Chiminazzo, os esforços do governo estadual têm se pautado pelo respeito à legitimidade dos atuais contratos, “numa clara sinalização de que a desastrada política do ‘baixa ou acaba’ nunca foi o melhor caminho para buscar soluções que atendam ao interesse público”. Lembrou, também, que a mesma postura tem sido adotada pela presidente Dilma Roussef, que em recente contato com investidores estrangeiros, em Nova Iorque, reforçou a premissa de que “o Brasil é um país que respeita os contratos”.

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Cláudia Gabardo

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9 comentários

  1. Sergio Silvestre
    segunda-feira, 14 de outubro de 2013 – 20:56 hs

    O distinto vendedor do peixe mais caro do mundo ai ,precisa rebolar para explicar as coisas.
    Uma delas é bem simples,olhando nos seus olhos.
    O pedagio do Parana é caro?
    Se ele dizer o contrario alem de vazelina e mentiroso,porque o pedagio das estradas que cortam o Norte do Parana,é uma vergonha.
    Tem uma coisas que tamebm ele deveria explicar.
    Porque da divisa do estado de São Paulo,até Londrina foi pedagiada e o pedaço que mais mata Londrinenses,que é saindo para Curitiba até Máua,não foi.
    Era complicado?Muito oneroso?
    Cambada,voces só pegaram o filét mignon e racharam de ganhar dinheiro,alem de distribuir muitos presentes para vereadores e outras autoridades.

  2. Anônimo
    segunda-feira, 14 de outubro de 2013 – 22:01 hs

    engraçado esse tal de chiminazzo dizendo que um terço dos entrevistados não são usuários de rodovias.
    Todos nós pagamos pedágio, pois ele está embutido em tudo que consumimos independente de passar ou não na cancela.Quem mais paga pedágio é a classe trabalhadora,Quem paga a conta do transporte e do pedágio é o consumidor final, não
    o produtor, independente do Estado que consuma.

    Da mesma forma, os produtos primários – importados ou nacionais,
    independentemente de origem – são transportados para sua
    industrialização, da mesma forma, quem pagará a conta é o consumidor
    final não é o proprietário do caminhão, nem o produtor, é o consumidor
    final que nem conhece as rodovias por onde transitou aquelas matérias
    primas.

  3. neusa
    segunda-feira, 14 de outubro de 2013 – 22:44 hs

    O presidente da Fiep não conseguiu espaço em nenhuma sigla partidária para se candidatar.

    Prepara agora a reeleição, apesar de ter se posicionado contra a prática na sua campanha para a entidade.

    Uma lástima. Usa a federação para seus interesses pessoais.

  4. AAS
    segunda-feira, 14 de outubro de 2013 – 23:01 hs

    Que pobreza de idéias achar que apenas alguns cidadões dependem das estradas. A economia do Estado, o abastecimento, o transito de pessoas se dá por acaso por telepatia?

  5. Anônimo
    terça-feira, 15 de outubro de 2013 – 9:22 hs

    Coisas do Paraná e do Brasil. O sindicato que representa as pedageiras, que compreende a construção pesada, é filiado a Fiep, que deveria representar os interesses institucionais desta categoria. Aliás, a Fiep recebe sua parte da polpuda contribuição sindical recolhida pelas empresas pedageiras e ajuda a pagar os 45 mil reais que o presidente recebe por mês para representar os sindicatos filiados. Neste caso há um evidente conflito de interesses que deveria ser mediado pela Fiep que recebe dinheiro para defender as categorias filiadas.

  6. carlos rocha
    terça-feira, 15 de outubro de 2013 – 9:34 hs

    NO LUGAR DE DESMERECER A PESQUISA O SR. JOÃO NETO DEVERIA EXPLICAR OS ELEVADOS PREÇOS DO PEDAGIO NO PARANÁ E OS PRECÁRIOS SERVIÇOS PRESTADOS PELAS CONCESSIONARIAS, O RESTO É CONVERSA MOLE DESSE CIDADÃO.

  7. VLemainski - Cascavel
    terça-feira, 15 de outubro de 2013 – 10:12 hs

    Tudo é teatro… Segundo declaração de um dirigente do DER, não são feitas medições do número de veículos que passam nas praças de pedágio… Por aí já se pode ter uma ideia da “vontade” que se tem em negociar… Certa vez, com os dados nas mãos provei ao Heins Herwig que com a arrecadação de 2 anos,daquela época (1988), daria para duplicar o trecho entre Cascavel e Santa Terezinha de Itaipu. O número de veículos deve ter dobrado e a concessionária somente tapando buracos e roçando as beiradas… Quem quer faz… Quem não quer sempre acha uma desculpa ou uma dificuldade…

  8. dibel
    terça-feira, 15 de outubro de 2013 – 10:28 hs

    O que interessa é que, apenas para citar um exemplo, o cidadão paga um absurdo para passar pelo pedágio (no caso dese exemplo o Jataizinho, depois de Lodnrina) e vai atrás do caminhão até quase a fronteira com São Paulo. Sequer terceira faixa fizeram! E diziam que logo haveria a duplicação, que vai de Londrina a Jataizinho e acaba justamente depois que o trouxa paga o pedágio! Já não dá mais para aguentar!!!

  9. terça-feira, 15 de outubro de 2013 – 11:05 hs

    Esses contratos nunca foram divulgados em seus mínimos detalhes para a população paranaense. Com o dinheiro arrecadado dava para fazer a duplicação da BR 277. Esse papo de que o Estado não tem competência é puro disfarce para continuarem com essa mamata. Alto valor cobrado. Tem que acabar com essa roubalheira. Pegaram estradas prontas, sem sequer gastarem nenhum dinheiro para desapropriar terras da rodovia e, além disso, com asfalto de primeira. Esse pessoal das concessionários só querem mesmo: VENHA A NÓS O VOSSO REINO.

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