Pusilanimidade companheira | Fábio Campana

Pusilanimidade companheira

Artigo de Belmiro Valverde Jobim castor na Gazeta do Povo de hoje

Para um país que se jacta de ser a sétima economia do mundo, que aspira a entrar nos círculos rarefeitos das grandes decisões mundiais e que impressiona pela grandeza de seu território, sua unidade linguística e pela ausência de ódios tribais ou étnicos, deveria causar vergonha e asco o caminho que vêm tomando nossa diplomacia e nossa política internacional. O país do Barão do Rio Branco, que moldou nossas fronteiras com sabedoria, esperteza e desassombro, deveria se envergonhar do nível de pusilanimidade e de servilismo a que o Brasil chegou no trato de sua soberania e de sua reputação.


A presidente Dilma Rousseff – como sempre, com aquele tom professoral que utiliza para disfarçar a pobreza dos argumentos – está indignada com o ato de lesa-majestade que o diplomata brasileiro Eduardo Saboia teria infligido ao governo da Bolívia ao trazer para o Brasil, em carro diplomático, o senador oposicionista boliviano Roger Pinto Molina. Mas nossa primeira mandatária não viu nada de mais no fato de o governo Evo Morales se recusar durante um ano e meio a conceder salvo-conduto para que ele deixasse a embaixada brasileira, onde estava asilado, morando em uma salinha. Agora, os áulicos de sempre se agitam para condenar o ato do diplomata brasileiro, ameaçando-o de processo e acenando com a possibilidade de extraditar ou mesmo devolver o senador boliviano a Morales. Até o futuro procurador-geral da República, Rodrigo Janot, já fala na possibilidade de o senador ser processado por corrupção no Brasil. Mau começo…

Mas, alto lá! O italiano Cesare Battisti não foi condenado (sim, condenado, não processado) por ter matado várias pessoas em seu país? Não entrou no Brasil ilegalmente, pelo que está sendo processado até agora? E que fez o ex-presidente Lula, preceptor e padrinho da nossa presidente? Passou a mão na caneta e autorizou sua permanência definitiva no Brasil, com seus áulicos (os mesmos de sempre, Tarso Genro à frente) colocando em dúvida a lisura da justiça italiana.

Quando o avião de Evo Morales foi detido e revistado na Áustria, nosso governo capitaneou imediatas e veementes manifestações de repúdio. Mas ocultou cuidadosamente do distinto público o fato de que um avião da Força Aérea Brasileira, conduzindo um ministro de Estado, foi detido e cuidadosamente revistado em La Paz. O ministro, no caso Celso Amorim, não tugiu nem mugiu, aceitando a humilhação e fazendo de conta que nada havia acontecido.

O ex-presidente Lula classificou de “abomináveis” os protestos em Fortaleza contra a vinda de médicos cubanos. Mas esqueceu-se – ele que se diz tão amante do debate e da controvérsia – de condenar os atos de hostilidade praticados contra a dissidente do governo cubano Yoani Sánchez, em sua visita ao Brasil; ela foi inclusive impedida de fazer o lançamento de seu livro em São Paulo pelas ameaças de grupinhos de manifestantes, obedientes como macaquinhos amestrados agindo sob a direção do embaixador cubano e com a leniência do governo. Mas é claro: era uma inimiga dos amigos do peito dos governantes brasileiros, os indefectíveis irmãos Castro, paradigmas – para os basbaques – do progresso, da liberdade e da justiça.

Esses são apenas alguns episódios dessa derrapagem histórica para a irrelevância e para a falta de respeito internacional de nosso país a que estamos assistindo. Quando o panteão de heróis de nosso governo é composto por gente dessa qualidade, como o era por figuras como Hugo Chávez e Fernando Lugo, a irrelevância e o desrespeito estão a um passo.

Bem-vindo ao Malawi, Burkina Fasso, Coreia do Norte ou São Cristóvão e Névis, caro diplomata Eduardo Saboia. É para postos aprazíveis e importantes como esses que os que se dispõem a afrontar a realpolitik brasileira estão condenados. Que vergonha!

Belmiro Valverde Jobim Castor é professor do doutorado em Administração da PUCPR.


17 comentários

  1. Aline
    domingo, 1 de setembro de 2013 – 20:25 hs

    Bravo, Bravissimo. Parabéns Sr Belmiro por não se acovardar como tanto e escrever um belo texto.

  2. Aline
    domingo, 1 de setembro de 2013 – 20:26 hs

    Bravo, Bravissimo. Parabéns Sr Belmiro por não se acovardar como tantos e escrever um belo texto.

  3. ZE DAS BOTINAS
    domingo, 1 de setembro de 2013 – 20:33 hs

    É ISSO AI BELMIRO, CHEGA DESTA PT-ZADA DESQUALIFICADA, O BRASIL NÃO MERECE MAIS ESSA VERGONHA NACIONAL. CHEGA BASTA, TEMOS DE GRITAR …
    FORA PT
    FORA DILMA
    FORA PARA LULA E SUA STRIPE MENSALEIRA

  4. verde oliva
    domingo, 1 de setembro de 2013 – 20:42 hs

    Além de todos os problemas ptistas tem mais este: atuação na política internacional medíocre e tendenciosa. E só países parceiros decadentes, Cuba, Venezuela, Bolívia, Argentina ………

  5. Dieter
    segunda-feira, 2 de setembro de 2013 – 0:11 hs

    É esperar que em 2014 essa presidANTA BURRA seja escurraçada da presidência e que possamos trilhar um caminho melhor.
    Minha maior raiva é que o DOI/CODI não fez um serviço descente.

  6. Vigilante do Portão
    segunda-feira, 2 de setembro de 2013 – 4:54 hs

    IMPERDÍVEL!

  7. Parreiras Rodrigues
    segunda-feira, 2 de setembro de 2013 – 8:22 hs

    Irretocável o artigo do prof. Belmiro Valverde.
    E qualifica muito bem o poste que Lula enterrou na goela do brasileiro e este o engoliu: Ar professoral para esconder a pobreza dos seus argumentos.

    E verde oliva tem razão quando nos chama para observarmos as “amizades” do lulodilmismo: Só tranqueira.

  8. segunda-feira, 2 de setembro de 2013 – 9:59 hs

    Parabéns ao autor desse artigo. São poucos q tem coragem de expressar o q verdadeiramenre vem acontecendo com o nosso país. Não sei quem poderia mudar essa situação, mas de uma coisa tenho certeza, depois de milhares de escândalos, trapalhadas, incompetência testada e aprovada, este povo tem que sair do governo.Esta fase tem q ser esquecida pela história do Brasil.

  9. Gardel
    segunda-feira, 2 de setembro de 2013 – 10:27 hs

    Parabéns senhor Belmiro Valverde, o governo petista colocou o Brasil na condição de gigante sem cérebro, um robô que acata ordens de paizinhos que querem impor sua vontade sobre nós. Quando algum brasileiro faz algo por questões humanitária como o caso do diplomata Saboia, vem os ptralhas crucifica-lo. Ou tiramos o PT do poder ou o Brasil se transforma num pais comunista.

  10. Doutor Prolegômeno
    segunda-feira, 2 de setembro de 2013 – 10:28 hs

    Este governo vem desonrando a soberania nacional. Os EUA perdem tempo espionando o governo brasileiro. Suas patacoadas estão em todos os jornais e revistas. O Brasil é o capacho do bolivarianismo de sarjeta praticado no continente.

  11. segunda-feira, 2 de setembro de 2013 – 10:33 hs

    A condescendência do governo brasileiro com o de EVO MORALES chega às raias da ignorância e da idiotice, adicionada a falta de diplomacia que todo país deve ter. Se CALAM e se ACOVARDAM OS NOSSOS GOVERNANTE DIANTE DE FATOS QUE AFETAM NOSSOS DIREITOS. Quando chamam esse pseudo-governo de PETRALHA é que ele USA A MÁSCARA DOS IRMÃOS METRALHA para não enxergar o que está ao seu lado. Deixaram o EVO MORALES, pintar e bordar com os nossos direitos. O mesmo ultrapassou os mais comezinhos princípios de direito internacional e de respeito conosco. E o governo ainda o abençoa. Salve-nos dessa gente, URGENTE.

  12. Luiz
    segunda-feira, 2 de setembro de 2013 – 13:44 hs

    O governo brasileiro alia-se e compromete-se com o socialismo decadente das republiquetas das Américas e Caribe, elege uma terrorista para presidente e depois reclama que os EUA estão monitorando o que acontece aqui?
    É uma vergonha termos um (des)governo desses e nos incluírem em uma lista de países problemáticos.

  13. zangado
    segunda-feira, 2 de setembro de 2013 – 14:52 hs

    Mas, o que bah que esses aloprados não conspurcaram na República?

    O grande problema é que colocaram eles lá e remover esse elefante de maracutaias do poder não vai ser fácil.

    Corremos grande risco não só político como da própria pátria e são poucos que estão apontando-o, a maioria silenciosa ou vai contribuir para afundar o país ou surpreendentemente poderá salvar nosso Brazuca.

    Não esperemos pelo melhor, vamos agir, gente, é hora – A PÁTRIA CORRE PERIGO!!

  14. tadeu rocha
    segunda-feira, 2 de setembro de 2013 – 16:58 hs

    NÓS BRASILEIROS TEMOS QUE ACABAR MESMO COM ISSO CHEGA DESSES MENSALAO, CHEGA DE ROUBAR O BRASIL, OLHE NOSSA SAUDE SEGURANÇA ETC, VAI DE PIOR A PÍOR, VOCE VE NA TELEVISAO O POVO BRASILEIRO SOFRENDO COM SAUDE , ESSES IDOSOS DA ATÉ PENA DELES NOS CORRETORES, ENGUANTO ESTAO CONTRUINTO ESTADIOS DE MAIS DE 200 MILHOES.VOLTAR ATRAS NUNCA MAIS……

  15. Elton
    segunda-feira, 2 de setembro de 2013 – 17:03 hs

    Na época do FHC o Brasil vivia curvado aos interesses estrangeiros. Até base militar dos USA o FHC deixou implantarem aqui agora querem falar mal da política exterior brasileira? Francamente, não me faça dar risadas.

  16. JACÓ - O PENSADOR DO AHÚ
    segunda-feira, 2 de setembro de 2013 – 17:50 hs

    O ORÁCULO DA DIREITA CURITIBANA É PUSILAMINE ?????NÃO SÓ ESCREVEU UM JOGRAL PARA BOBOS INCAUTOS.

    Em entrevista à Carta Maior, o ex-secretário-geral do Itamaraty, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães analisa o episódio da fuga do senador boliviano, que acabou provocando a demissão do ministro Antônio Patriota. Para Guimarães, trata-se de “um jogo de política interna”. “Essas pessoas acham que o governo do presidente Evo Morales não é sequer democrático, quando ele foi eleito com maioria enorme. São conservadoras e acham que a ascensão dos trabalhadores, dos índios, dos negros nos países da América Latina é algo preocupante para eles”.

    “É um contexto razoavelmente claro. De um lado você tem governos de esquerda, em diferentes graus e características, que são os governo do Brasil, da Argentina, do Uruguai, da Venezuela, do Equador e da Bolívia. De outro lado você tem governos que podem ser situados como do centro para a direita, como o do Chile, o do Peru que, apesar de ter sido eleito com grandes perspectivas, na realidade se mostrou um governo aliado às teses da direita, e o governo da Colômbia. Não é por coincidência que estes governos se unem ao México para formar a chamada Aliança do Pacífico, que se coloca claramente em oposição ao Mercosul. E isso se reflete no cenário interno brasileiro, onde você tem os partidos de centro-direita que se aliam com esses governos de direita, que se desdobram em elogios ao Chile, à Colômbia, elogiam até o Paraguai. E criticam a Venezuela, o Evo Morales, e aproveitam todas as oportunidades para fazer esse embate. Essa situação atual se coloca neste contexto. O senador Roger Pinto pertence a um partido de direita.

    O direito de asilo diplomático é uma instituição latino-americana. Não é reconhecida pelo direito internacional, diferente do asilo territorial. E nessa convenção latino-americana [a Convenção de Caracas, de 1954], os países que estão obrigados a seguir suas disposições, são os que assinaram a convenção. A Bolívia não signatária dessa convenção e não tem nenhuma obrigação de segui-la, de dar salvo-conduto. Aliás, nem considera que ele seja um asilado político. Então, não tem porque dar. O senador poderia perfeitamente abrir a porta e sair à rua, nada o impedia. O que se está criando é uma situação de política interna para criar dificuldades para a presidenta, para o Itamaraty, para criticar o Itamaraty por uma razão ou por outra, por ter dado asilo ou por não ter dado asilo.

    Pode, claro. Pode haver também um pedido de extradição. A decisão é do Executivo, como ocorreu no caso Cesare Battisti. O judiciário pode examinar, mas o próprio judiciário brasileiro chegou a conclusão de que a prerrogativa é do Executivo. E é importante observar que estas questões tem alcance limitado após certo tempo. Ninguém mais fala em caso Battisti, nem fala mais que isso prejudicaria a relação do Brasil com a Itália. “

  17. antonio carlos
    segunda-feira, 2 de setembro de 2013 – 20:29 hs

    E ainda tem gente que se orgulha dos feitos acontecidos nos 10 anos de pestismo em Pindorama.

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