Construtoras são fonte de 55% das doações a partidos em 2012 | Fábio Campana

Construtoras são fonte
de 55% das doações a partidos em 2012

G1 fez levantamento com base em prestação de contas das siglas ao TSE. Construtoras e incorporadoras doaram R$ 416 milhões no ano passado.

Mariana Oliveira e Nathalia Passarinho Do G1, em Brasília

Construtoras, empresas de engenharia e incorporadoras foram responsáveis por mais da metade das doações a partidos políticos em 2012, segundo levantamento do G1 efetuado com base nas prestações de contas entregues pelas siglas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os dados começaram a ser disponibilizados em maio deste ano – desde então, o G1 contabiliza manualmente os valores de cada doação.

Dos R$ 751,8 milhões recebidos em 2012 (ano de eleições municipais) por 27 partidos para financiamento das atividades partidárias e das campanhas, 55,3% (R$ 416 milhões) vieram de empresas do segmento de construção. O país tem 30 partidos registrados, mas três declararam não ter recebido nenhuma doação no ano passado (PRTB, PSOL e PCO).

O G1 considerou no levantamento as prestações de contas entregues ao TSE, que são dados oficiais do dinheiro arrecadado pelos partidos. Em anos anteriores, porém, houve casos de doações não contabilizadas, apelidadas de “caixa dois”. Foi o que aconteceu com o PT, por exemplo, no caso do mensalão, em que o próprio partido admitiu ter movimentado dinheiro de campanha sem declarar. O PSDB também é investigado por caixa dois no caso conhecido como mensalão mineiro. Um inquérito no Supremo apura arrecadação ilegal para a campanha ao governo de Minas Gerais em 1998, mas o partido nega irregularidades.

O financiamento de campanhas é um dos temas em discussão do grupo de trabalho da Câmara encarregado de elaborar uma proposta de reforma política e um dos principais pontos de divergência entre os deputados do grupo. Na última quarta (28), um grupo de quatro partidos protocolou na Câmara uma proposta de plebiscito sobre a reforma política, em que um dos temas sugeridos para consulta aos eleitores é o financiamento de campanha.

Atualmente, as campanhas são bancadas com dinheiro público – do fundo partidário – e com doações de pessoas físicas e empresas. Com o somatório das verbas, os candidatos e partidos, pagam as despesas de propaganda e bancam comícios e viagens, por exemplo. Alguns partidos e parlamentares defendem o financiamento exclusivamento público, sob o argumento de essa seria uma maneira de combater a corrupção.

Metodologia
O levantamento do G1 utilizou dados das prestações de contas do exercício de 2012, entregues no fim de abril deste ano, e das declarações de doações recebidas pelos diretórios nacionais especificamente para campanhas eleitorais, enviadas ao TSE no fim do ano passado (a prestação de contas da campanha foi feita à parte; o tribunal não obrigava que fosse incluída na prestação de contas do ano).

GRUPOS DE EMPRESAS QUE MAIS DOARAM

Segmento empresarial

Valor

% do total

Construtora, incorporadora, engenharia e empreendimentos

R$ 416,09 milhões

55,3%

Agropecuária, agroindústria e fertilizantes

R$ 61,36 milhões

8,1%

Banco, investimentos, consórcio e seguros

R$ 51,28 milhões

6,8%

Administração, serviços e telemarketing

R$ 50,52 milhões

6,7%

Indústrias e tecnologia

R$ 42,23 milhões

5,6%

Saúde, saneamento e meio ambiente

R$ 24,93 milhões

3,3%

Alimentos e bebidas

R$ 20,51 milhões

2,7%

Partidos

R$ 20,29 milhões

2,6%

Energia, petróleo e gás

R$ 19,05 milhões

2,5%

Comércio

R$ 17,94 milhões

2,3%

Pessoas físicas

R$ 12,64 milhões

1,6%

Transportes e veículos

R$ 10,47 milhões

1,3%

Outros

R$ 4,42 milhões

0,5%

Total

R$ 751,8 milhões

Fonte: prestação de contas dos partidos ao TSE e prestação de contas das campanhas de 2012

Dos 27 partidos que receberam doações, 11 declararam na prestação de contas do exercício também os valores recebidos para campanha (PMDB, PSDB, PSB, DEM, PSD, PC do B, PTB, PSC, PV, PT do B e PTC). O PEN, criado no ano passado, não participou da eleição e só declarou o exercício do ano, que é a verba recebida para financiamento das atividades do partido, como propaganda e realização de eventos, por exemplo.

Em relação aos outros 15 partidos que declararam separadamente os valores, o G1 somou as doações informadas nas duas declarações (a do ano e a da campanha). Foram os casos de PT, PP, PRB, PDT, PR, PPS, PMN, PPL, PHS, PSTU, PTN, PRP, PSL, PCB e PSDC.

Os dados sobre valores recebidos para as campanhas estão disponiveis no site do TSE em um sistema que permite exportar planilhas com as doações recebidas por cada legenda.

No caso da declaração do exercício de 2012, porém, os dados foram entregues em papel pelas legendas ao TSE, que digitalizou os documentos.

Por esse motivo, o G1 publica a reportagem somente agora – desde maio, contabiliza manualmente cada doação recebida.

O TSE está em fase de julgamento das contas apresentadas pelos partidos. Após a análise, poderá determinar suspensão de repasses de recursos do Fundo Partidário de legendas cujas contas sejam consideradas irregulares.

Construtoras
As informações das prestações de contas mostram que construtoras, incorporadoras, empresas de engenharia e empreendimentos imobiliários desembolsaram R$ 416,09 milhões para financiar partidos no ano passado.

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), que reúne as principais construtoras do país, afirmou ao G1 que defende a transparência e aprimoramento das regras do processo político.

“A CBIC preza pela transparência nas doações, na lisura de todo o processo, e também defende que as regras de todo processo politico devem ser aprimoradas para atender a estes princípios.”

Em segundo lugar em volume de doações a partidos estão agropecuárias, agroindústrias e empresas de fertilizantes, que destinaram R$ 61,36 milhões – 8,1% do total de recursos recebidos pelas legendas.

Em terceiro lugar na quantidade de recursos repassados a legendas aparecem bancos e empresas de investimentos, seguros e consórcios. Elas doaram R$ 51,28 milhões, 6,8% do total recebido por todos os partidos.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que reúne as instituições financeiras, disse que não iria comentar o assunto. “A Febraban não faz doações e não vamos nos manifestar sobre o tema.”


5 comentários

  1. QUESTIONADOR
    segunda-feira, 2 de setembro de 2013 – 16:46 hs

    -Enfim, de uma forma quase totalitária, o dinheiro envolvido em campanhas eleitorais vem de origem empresarial, sendo os políticos patrocinados por eles, seus vassalos…
    -As campanhas eleitorais deveriam ser mais simples e com mais restrições de markting…mas acredito que isso nunca acontecerá no Brasil…afinal, qual política adotaria este argumento contra seus próprios interesses….

  2. antonio carlos
    segunda-feira, 2 de setembro de 2013 – 20:23 hs

    e prometem muito mais em 2014.

  3. luizz
    segunda-feira, 2 de setembro de 2013 – 20:44 hs

    Por isso que tudo que elas constroem, superfatura, cai, racha, chove dentro, etc…

  4. xx
    segunda-feira, 2 de setembro de 2013 – 22:55 hs

    É um absurdo e um retrocesso voltarem a famosa discussão de financiamento público de campanha para que todos os partidos tenham igual chance. Discussão que é uma balela porque lógico que os grandes partidos teriam mais financiamento publico da mesma forma que hoje eles tem mais tempo de horário político. A questão realmente importante é o porquê de campanhas políticas serem tão caras!!! O ponto é que os políticos não querem mostrar suas propostas, que para isso não precisa de muito dinheiro,eles querem emcambelar o povão e por isso precisam dos melhores marqueteiros e publicitários do pedaço e daí os valores astronômicos de campanha. As campanhas não são mostras dos verdadeiros políticos e sim shows caros.

  5. nic
    segunda-feira, 2 de setembro de 2013 – 22:57 hs

    As construtoras estão literalmente construindo o cenário político do Brasil. Rsss.

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