Richa atinge limite de gastos com salários e congela obras | Fábio Campana

Richa atinge limite de gastos com salários e congela obras

Após reajuste a servidores, governador busca empréstimos para cumprir metas e acusa União de barrar financiamentos; aumento do piso do funcionalismo foi promessa eleitoral

Estelita Hass Carazai para a Folha de SP

Eleito com a promessa de gastar menos e melhor, o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), elevou as despesas com pessoal ao limite, com reflexos negativos no investimento e nas metas de gestão.

O montante pago ao funcionalismo já representa cerca de metade dos gastos. No fim de 2012, o Paraná atingiu o limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal: mais que 46,55% da receita é destinada à folha de pagamento. Com isso, não pode mais contratar ou reajustar salários.
O aumento do piso de professores e policiais, em 2012, foi o responsável pelo baque. Richa assumiu promessa de que equipararia o salário dos docentes ao dos demais servidores. No caso dos policiais, foi forçado a cumprir lei aprovada na gestão anterior, e enfrentou ameaça de greve até aumentar o piso.

O governo diz que está cumprindo suas obrigações, e culpa as transferências federais. Por causa de desonerações, esses repasses subiram só 0,95% neste ano, contra 12% das receitas estaduais. Representam 14% do caixa, mas, segundo o governo, causam “falta de liquidez”.
“Não tem dinheiro em caixa. O dinheiro entra e sai, não há sobra”, diz o secretário da Fazenda, Luiz Carlos Hauly.
A gestão, porém, reconhece fragilidades: gastos têm crescido mais que receitas. Despesas com custeio, por exemplo, devem atingir 20% do total este ano.
Com o cobertor curto, o governo cortou 25% do orçamento restante do ano. Reformas de escolas, presídios e construção de moradias foram canceladas.
Para obter recursos e cumprir metas, Richa está recorrendo a PPPs (Parcerias Público-Privadas) e até a um polêmico acordo com o Tribunal de Justiça, que propôs emprestar parte dos depósitos judiciais ao Estado.
A gestão também pleiteia oito financiamentos, em avaliação no Tesouro Nacional, responsável por liberar as operações aos Estados. Os empréstimos são como “bote salva-vidas” para o governo. Aprovados por organismos como Banco Mundial e BNDES, somam R$ 4,1 bilhões.
Para o Tesouro, porém, o Paraná já ultrapassou o teto de gastos com pessoal, de 49%, o que o impede de tomar empréstimos.
O órgão desconsidera uma exclusão de gastos com aposentados e Imposto de Renda autorizada pelo Tribunal de Contas do Paraná. Sem ela, a despesa com pessoal sobe a 54%.
O governo acusa Brasília de agir politicamente –lá está uma das prováveis rivais de Richa em 2014, a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil), do PT. “É evidente que é político”, diz o secretário de Planejamento, Cassio Taniguchi.
O Tesouro não quis comentar. A Casa Civil nega atuação política e diz que o Estado não consegue os empréstimos por questões técnicas.
Além da petista Gleisi, deve concorrer com Richa o senador Roberto Requião (PMDB).


19 comentários

  1. sergio silvestre
    sábado, 3 de agosto de 2013 – 17:57 hs

    Ascoisas quando começam mau feitas acabam assim.Não é preciso dormir com o governador para saber que algo esta´errado.
    As granmdes verbas para irrigar propagandas e campanhas está minguando tambem,A maior teta que seria o pedagio está com os dias contados,e não e as instituições que estão galopando agora,e porque o povo está de olho e muitos que ainda tem grandes salarios como é o caso do TC,tem que por as barbas de molho.
    Se eles não se espertar opovo vai pra cima e acaba com muitas mordomias que ainda vão perdurar.
    OS GOVERNOS TEM QUE SER GERENTES DO ESTADO E NÃO A SERVIÇO DOS AMIGOS.
    QUANDO O BARCO AFUNDA,SÓ FICA AQUELES ESCANTEADOS ,O RESTO PULA NA AGUA E NADAM PARA OUTRO LUGAR.

  2. HAROLDO DANTON
    sábado, 3 de agosto de 2013 – 19:23 hs

    qual obra que vai ser congelada? esse governo esta brincando com o povo. Ando pelo estado e nada vejo, alias as delegacias cidadãs tanto veiculada não sairam do papel.

  3. sábado, 3 de agosto de 2013 – 19:46 hs

    Beto Richa deveria exonerar no mínimo 3 mil cargos em comissão, este, oriundos da Prefeitura e das esquinas com suas bandeiras.

  4. zangado
    sábado, 3 de agosto de 2013 – 19:58 hs

    Lá vem os “xoque de jestão” do governador, talvez para deslocar o foco de atenção a outros problemas – pedágio, por exemplo.

    Pôxa – convenhamos – deixar a situação chegar a esse ponto só pode ser devido à já manifesta incompetência e à própria ausência do governador aos assuntos prioritários da administração pública.

    Já se prenunciava isso desde quando prefeito – haja vista o “estouro” do preço da passagem do transporte coletivo, cuja origem está na sua omissão em abrir a caixa preta dos contratos.

    Vemos que tudo que pode causar frisson à sua imagem de candidato ao próximo pleito eleitoral não há qualquer ação governamental.

    No caso do transporte logo deu um “subsídio” para livrar-se de sua parte no ônus causado à sociedade.

    Assim não dá, assim não – lhe diria FHC!!!

  5. Genildo
    sábado, 3 de agosto de 2013 – 20:29 hs

    Há tá, a culpa é dos bons salários dos professores e policiais deste Estado….. só falta dizer que foi enganado pelos servidores.
    Tái uma boa desculpa para a incompetência e ainda sair de vítima e tentar e reeleição que não vai ganhar.

  6. SEPULVIDA
    sábado, 3 de agosto de 2013 – 22:15 hs

    Pena que um veículo de imprensa de São Paulo tenha dado esta notícia. Isto significa falta de informação interna aqui no Paraná. O problema que a divulgação em nível nacional pode comprometer os investimentos em nosso estado.
    Esperamos que ainda consigamos salvar a lavoura. Ao mesmo tempo vemos a possibilidade da volta de Requião. Será que as novas lideranças não poderiam estar fazendo melhor?

  7. Vigilante do Portão
    domingo, 4 de agosto de 2013 – 0:52 hs

    A Folha, prestando um serviço ao PT.

    E os outros Estados, como andam?

    Será que a queda da arrecadação e dos repasses do FPM atingiram apenas o Paraná?

  8. Gilmar
    domingo, 4 de agosto de 2013 – 7:44 hs

    Se tirasse metade dos cargos comissionados estaria tudo resolvido!!!

  9. domingo, 4 de agosto de 2013 – 9:00 hs

    Fábio o Governador Beto Richa está fazendo tudo certo, enxugando as despesas com pessoal, e liberando somente o que realmente necessário, através de um controle rigoroso da Casa Civil e Secretária de Planejamento e da Receita Estadual, novas despesas só são aprovadas depois de criteriosa analise, aonde da para economizar a administração vem planejando todos os cortes de despesas possíveis , para bancar as obras mais importantes e urgentes, a situação critica das finanças do Paraná se deve as administrações anteriores e a uma politica do governo federal que barra ou dificulta a liberação de empréstimos ao Estado , O Paraná merece mais atenção e respeito por parte do Governo Federal.

  10. Mad Men
    domingo, 4 de agosto de 2013 – 9:00 hs

    Nao aprendeu nada com o pai, Esta vez a fruta nasceu bem longe do pe.

  11. Berlarmino
    domingo, 4 de agosto de 2013 – 9:07 hs

    Ou demite os cabos eleitorais comissionados e não se reelege ou não demite e não se reelege. hahahahaha

  12. Luiz
    domingo, 4 de agosto de 2013 – 11:21 hs

    Somente aumentar salários não resolve os problemas de segurança e educação, pois o pessoal, embora com melhor salário, continua fazendo o que sempre fez. O problema é a gestão, é colocar este pessoal pra trabalhar de verdade, com responsabilidade, para fazer jus ao que ganha. O Governo tem que deixar de ser refém dos sindicatos e governar de fato.

  13. silvajr
    domingo, 4 de agosto de 2013 – 15:24 hs

    Eita incompetência, não deve ter calculadora no trabalho, trabalho, o que é isso para esses caras?

  14. verde oliva
    domingo, 4 de agosto de 2013 – 17:22 hs

    Não há folha de pagamento que resista à epidemia de comissionados nas secretarias. Cabos eleitorais com o pomposo nome de Assessor Estratégico. Não batem ponto e muitas vezes com salários superiores aos dos funcionários concursados. É maneira Requião de se governar mas em plena gestão Richa. Estamos quebrados.

  15. cesar eu mesmo.
    domingo, 4 de agosto de 2013 – 17:43 hs

    Foi muito choque. muita promessa e o povo engolindo.
    Tem horas que chego a pensar que o ocimar e outros, que postam comentários neste blog, são conselheiros deste menino.

  16. Professor
    domingo, 4 de agosto de 2013 – 19:33 hs

    E quem paga o pato, somos nós funcionários. Sem desmerecer, é claro, nossos amigos funcionários públicos, nós professores na história do Paraná, são os mais DESVALORIZADOS!!! E agora, que o atual governador propõe a equiparação, vem a LRF!

  17. Cap. Nascimento
    segunda-feira, 5 de agosto de 2013 – 8:24 hs

    Este é político profissional pós-graduado. Aprendeu tudo o que existe de rasteiro e aparentemente legal para manter os privilégios dos amigos, parentes e apaniguados. Sabe como poucos usar a palavra para titar o foco das denúncias e incopentências e promover mais promessas qua sabe que não vai cumprir. A política paranaense vive seus piores dias na história. Tá difícil salvar alguém.

  18. QUESTIONADOR
    segunda-feira, 5 de agosto de 2013 – 16:49 hs

    -Claro que cargos em comissão devem ser cortados, como primeira medida. Mas como pagar as dívidas de campanha(em que cargos públicos são oferecidos como troca por apoio político) e em segundo plano, as obras que nunca saem do papel????

  19. joão
    terça-feira, 6 de agosto de 2013 – 19:39 hs

    ESSE JÁ ERA!!!

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