Medidas para reduzir a tarifa de ônibus em Curitiba | Fábio Campana

Medidas para reduzir a tarifa de ônibus em Curitiba

Artigo de Lafaiete Neves, Doutor em Desenvolvimento Econômico pela UFPR e pesquisador na área de políticas públicas.

A Câmara Municipal de Curitiba promoveu, recentemente, um debate sobre “ novas formas de financiamento do transporte coletivo” com a presença do prefeito Gustavo Fruet, secretários municipais, vereadores, Ministério das Cidades e representações da sociedade civil.

A proposta é sobre o pagamento de 100% do vale transporte pelas empresas públicas e privadas, que hoje pagam 94%, sendo o restante 6% pago pelos trabalhadores. O valor total seria repassado para o Fundo de Urbanização de Curitiba (FUC) para pagar as empresas do transporte coletivo. A proposta, enviada pelo prefeito municipal ao governo federal, tem seu mérito por aliviar o custo do transporte para o trabalhador. Porém, não resolve a questão central do alto preço da tarifa do transporte coletivo de Curitiba, pois não entra no mérito da questão, que são os parâmetros de cálculo da tarifa que estão superdimensionados, já que tem por base dados construídos na década de 1980. Hoje, há uma tecnologia avançada de motores, carrocerias, combustíveis, por exemplo, que garantem maior economia ao sistema de transporte coletivo.

Na verdade, esta tarifa elevada tem provocado a fuga de passageiros, que encontra mais estímulo no uso do veículo individual. Tal situação tem preocupado os empresários e a URBS, esta por perder receita e aqueles por verem seus lucros diminuírem. A proposta que a prefeitura apresenta visa resolver este problema. Em todas as discussões que os empresários tem participado, quer na Comissão de Análise da Tarifa na URBS ou na CPI dos Transportes, os mesmos tem defendido sempre a ampliação dos subsídios por parte dos governos. O subsídio representa transferência de recursos públicos, retirados do orçamento, muitas vezes das áreas sociais, para atender aos interesses privados dos empresários.
A URBS tem evitado enfrentar a questão central para resolver o problema, que é enxugar as gorduras da tarifa atual para aos empresários (R$2.9994) por passageiro e cobrado dos usuários (R$2.70), logo subsidiando a tarifa em( R$0,30). Até hoje a URBS não apresentou nenhuma proposta que viesse a mexer no lucro das empresas (tarifa técnica). Todas as propostas encaminhadas aos governos estadual e federal, é para aumentar os subsídios.
É evidente que a PMC deve negociar, imediatamente, o pagamento das isenções e gratuidades concedidas, com o governo estadual para a policia militar, com o governo federal para os idosos, com os Correios para os carteiros, com os empresários de ônibus para motoristas e cobradores e a própria PMC pagar para os guardas municipais. As isenções são um direito e deve ser mantido. Quem paga hoje as isenções são os usuários, pois se esses 3,5 milhões de passagens /mês forem incluídos no número de passageiros transportados, a tarifa cai para R$2,40. Essa proposta com mais uma centena de outras está no relatório final sobre os custos tarifários, aprovado, há mais de um mês, na URBS. O lamentável é que este importante trabalho da Comissão de Análise da Tarifa, que em muito está contribuindo com a CPI do Transporte Coletivo,tende apenas a ficar no site da URBS e cair no esquecimento, se não for continuamente cobrado pela sociedade civil organizada.
Os dados da consolidação contábil apresentados recentemente pelo Sindicato das Empresas do Transporte Coletivo, na CPI, que estão disponíveis no site da CMC, apresentam elementos interessantes, que bem analisados, apontam na direção do relatório da Comissão de Análise da Tarifa da URBS, quando apresenta a necessidade da URBS fazer um encontro de contas entre o que a URBS provisiona na tarifa e o que, realmente, as empresas gastam. Apenas no item amortização, peças e acessórios já dá para perceber que o provisionado na tarifa é 6% e o efetivamente gasto é bem menor e imaginem que o item combustíveis e lubrificantes pesa na tarifa 16,46%. A URBS, que fez a licitação, que deu origem aos contratos em 2010, logo, há mais de três anos, não realizou até hoje, este encontro de contas. E assim, quem paga a conta não verificada pelo poder público, é o indefeso usuário.


4 comentários

  1. Vigilante do Portão
    sábado, 31 de agosto de 2013 – 19:00 hs

    Como sempre, achando que o Poder público deve bancar TUDO.

    Mais,

    Coloca nas costas dos empresários, acreditando que os custos não vão contaminar os preços.

    É o chamado CUSTO BRASIL.

    Pensadores de academia, longe da realidade, fora do mundo moderno e competitivo.

  2. Cidedão Indignado
    sábado, 31 de agosto de 2013 – 22:00 hs

    Mais uma proposta RIDÍCULA. Queremos ações concretas e factíveis que beneficiem a todos o mais rápido possível.

    Chega de Teoria e Projetos de quem com certeza não utiliza o transporte público. Será que não existe cabeças pensantes na URBS, IPPUC, PMC ?

    Por exemplo: Em Curitiba, quem não reside próximo a uma canaleta de expresso sofre grandes problemas com o transporte público devido aos congestionamentos. Como projeto piloto, sugiro as seguintes obras nas Avenidas Getúlio Vargas e Iguaçú :

    1 – Transformar a pista de rolamento da direita em canaleta exclusiva para ônibus ;

    2 – Criação de espaço para estacionamento de carros ao longo destas vias, nos mesmos moldes que é feito em frente ao Clube Curitibano (45º );

    3 – Liberação da pista da esquerda destas avenidas para o tráfego.

    Desta forma; além dos ônibus chegarem mais rápido ao centro do que um automóvel, também ajudaria no valor da tarifa do transporte público devido ao menor engarrafamento que o ônibus sofreria ( desgates de peças, combustível, etc ).

  3. Vigilante do Portão
    domingo, 1 de setembro de 2013 – 9:03 hs

    A gazetona de hoje (domingo), dá conta de que a “AUDITORIA” vai sugerir uma nova “AUDITORIA”.

    Seria a 3ª.

    Querem arrastar a pendenga.

    Solução?

    NENHUMA!

    É uma daqueles casos em que tá tudo muito obscuro.

    Meses e meses para detectar que o edital foi mudado;
    Meses e meses para conferir soma de gastos;
    Meses e meses para decidir “contar” passageiros.

    Na verdade, não querem “AUDITAR” nada.
    Querem ficar em evidência.
    Um joguinho de vaidades, sem resultados práticos.

  4. Rinaldo de Andrade Pinto
    domingo, 1 de setembro de 2013 – 19:58 hs

    Estou dando de graça este interessante projeto para resolver os prolemas da linha Pinheirinho- Praça Rui Barbosa, das Avenidas R. Argentina, Sete de Setembro e suas ruas Transversais, como as citadas Av. Getúlio Vargas, Iguaçu e Silva Jardim.
    O IPPUC não vai resolve-los com seu superfaturado Projeto Metrô ( R$ 4.500.000.000), que aliás passa a exatos 850 m da praça Rui Barbosa e que está o perigosamente sendo impingido ao povo de Curitiba, o qual em úlma analise será quem irá pagar a conta, seja na tarifa ou seja atraves de subsidios da Prefeitura cuja arrecadação anual de impostos em torno de R$ 3,90 bilhões é inferior ao custo absurdo do metrô.
    Para obter detalhes do ante projeto completo envie um email para: rinalpinto @terra.com.br ou ligue 9616 0512
    Rinaldo de Andrade Pinto Engenheiro Civil, com 50 anos de experiência sendo 20 anos em projetos

    PROJETO ALTERNATIVO AO METRÔ DE CURITIBA

    ÔNIBUS ARTICULADO SOBRE ELEVADOS

    LINHA PINHEIRINHO – PRAÇA RUI BARBOSA – Extensão 10,83 km

    O Projeto visa dar mais segurança, aumentar a velocidade média e a capacidade de transporte do sistema BRT (Bus Rapid Transport), implantado desde a década de 1970, a um custo módico que não cause alteração na tarifa. Será mantido o mesmo traçado e utilizado os mesmos ônibus biarticulados, sendo que nos trechos em que hajam cruzamentos hoje congestionados, principalmente na hora de pico, faremos viadutos ou elevados colocando os ônibus por cima.
    O traçado do projeto está desenhado sobre o Mapa do Google Earth.
    Na maior parte da extensão da linha, em aproximadamente 6,27 km, os ônibus continuariam a trafegar na canaleta existente implantada nas Av. Winston Churchill e Av. República Argentina, que são mostradas em vermelho no Mapa.
    Então, seria interessante que o IPPUC elaborasse um projeto de alargamento destas avenidas a exemplo do que foi feito recentemente na Av. Marechal Floriano e Av. Sete de Setembro, de modo a manter uma pista central com 7,00 m e duas pistas laterais também com 7,00m, para permitir com o descasamento das estações tubo, ultrapassagem do expresso parador pelo direto, e introduzir, em cada uma destas laterais, uma faixa de ciclovia de 2,00 m.
    Os custos das obras necessárias e desapropriações para estes melhoramentos não estão aqui incluídos, mas os recursos poderiam ser perfeitamente obtidos no PAC Mobilidade do Governo Federal, a fundo perdido ( R$ 1bilhão) com um custo máximo de 250 milhões.
    No restante do trecho (5,11 km) seriam executados sete viadutos e um elevado acima das Ruas Sete de Setembro e Alferes Poli desde a Rua Bento Viana até a Praça Rui Barbosa, listados no quadro 1 mostrados em cor branca no Mapa do Google Earth. O espaço abaixo dos elevado poderá ser usado para estacionamento, serviços e recreação, enquanto que nas duas pistas laterais da Av. Sete de Setembro ficariam exclusivas para o trânsito local e faixa de ciclovia. Como segue no desenho nº 06.
    Os viadutos, cuja rampa máxima será de 6%, serão construídos em concreto pré-moldado o que permitiria reduzir custos, assegurar mínima interferência com o transito e menor tempo de execução.
    As fundações são mostradas em planta no desenho nº 01.
    No desenho nº 02 é mostrado o corte BB no meio do vão do viaduto, e no desenho nº 03 é mostrado o corte longitudinal, sendo indicada em cores a sequência de montagem das vigas sobre os pilares e a concretagem no local das lajes e vigas superiores (em verde).
    No desenho nº 04 é uma ilustração do corte BB de como ficaria depois de pronto. Notem-se as jardineiras laterais, onde serão plantadas trepadeiras e arbustos floridos que melhoram a paisagem, absorvem o ruído e mantém a privacidade dos prédios vizinhos. Notem-se também os robustos muros-viga laterais com espessura de 70 cm por 100 cm de altura, de modo a garantir a segurança, impedindo a queda de veículos.
    As planilhas de quantidade e custos foram orçadas a partir destes desenhos, resultaram que o custo final é de R$ 25.000,00 por metro linear de viaduto. Valor utilizado na estimativa de custo do projeto.
    Foi desenvolvido um desenho CAD da arquitetura dos elevados e são mostradas algumas vistas para ilustrar o projeto. Foi também desenvolvido em SketchUP um desenho do elevado sobre a Av. Sete de Setembro e Alferes Poli desde a Desembargador Mota até a André de Barros; enquanto sobre a praça Rui Barbosa projetamos um “segundo piso elevado” 6,50 m acima para acomodar, como era antes, as 5 linhas de onibus expressos, duplicando a capacidade de embarque da Praça Rui Barbosa que voltaria a ser o centro de gravidade do transporte urbano de Curitiba

    Quadro 1
    Trechos
    01 Viaduto sobre-Rua Vereador Volpi 230 m
    02 Viaduto sobre-Terminal Capão Raso 360 m
    03 Viaduto sobre Av. Brasília 240 m
    04 Viaduto sobre-Av.Ken-T.Portão- Pagot. Sza 520 m
    05 – Viaduto s.-RuasVital Brasil-MatoGrosso e Ul.Vieira 515 m
    06 Viaduto sobre Avenida Água Verde 225 m
    07- Viaduto sobre-Avs.Getúlio Vargas,Iguaçu-S.Jardim 660 m
    08-Elevado sobre-Rua7de Setembro(D.Mota a Westph. Elevado sobre- Alferes Poli- (7 Set. à André Barros) 380 m
    10 Elevado sobre Praça Rui Barbosa 300 m
    Extensão total dos trechos elevados = 5.110 m
    Custo dos viadutos e Elevados: 5.110 m X R$ 25.000/m =
    R$ 127.750.000

    Está previsto também a construção de 04 terminais elevados, dotados de escadas, elevadores, sanitários e outras benfeitorias para atender dignamente os usuários, mostrada no desenho nº 5 folhas 2/7 e 6/7. São também previstas 05 estações elevadas, que são mostrados no quadro 2.

    Quadro 2
    01 Terminal Elevado Praça Rui Barbosa R$ 2.000.000
    02 Terminal Elevado Portão R$ 2.000.000
    03 Terminal Elevado Capão Raso R$ 2.000.000
    04 Terminal Elevado Pinheirinho R$ 2.000.000
    05 5 Estações Elevadas 7 de Setembro – R. Argentina R$ 7.500.000
    Custo Estações R$ 15.500.000

    O custo total da implantação do projeto será pois: R$ 127.750.000+R$ 15.500.00=
    R$ 143.250.000
    16 vezes mais barato que o investimento no metrô

    O investimento do Metrô seria no mínimo de R$ 2.330.000.000
    hoje foi aumentado para R$ $ 4,5 bilhões.
    Rinaldo de Andrade Pinto rinalpinto@terra.com.br

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