Mãe de menino denunciou PMs, diz comandante | Fábio Campana

Mãe de menino denunciou PMs, diz comandante

De Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo:

SÃO PAULO – O delegado Itagiba Franco, do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo, que coordena as investigações do caso das mortes do estudante Marcelo Eduardo Pesseghini, de 13 anos, de seus pais, avó e tia, ocorridas na segunda-feira, deve convocar o coronel Wagner Dimas, comandante do 18.º Batalhão da Polícia Militar para depor.

Dimas disse nesta quarta-feira em entrevista à Rádio Bandeirantes que a cabo Andreia Regina Bovo Pesseghini, de 36 anos, que trabalhava no 18.º BPM, contribuiu para as investigações que apontavam a ligação de policiais do batalhão com roubo de caixas eletrônicos. Dimas ainda disse que não acreditava na versão de que o menino tenha sido o autor da chacina, mas ponderou que a mãe de Marcelo não vinha sendo ameaçada de morte. Ele afirmou que o depoimento dela não chegou a provocar a punição de policiais. “Vamos avaliar a necessidade da convocação do coronel”, afirmou Itagiba, que vai ouvir o comando da PM sobre o tema.

A fala do coronel da PM, contudo, não chegou a abalar a crença dos policiais na versão de que o menino matou os pais, a tia, a avó e depois se matou. Nesta quarta-feira, Itagiba apontou novas evidências que reforçam essa versão.

Luvas foram encontradas dentro do Corsa da mãe de Marcelo. A informação ajuda a polícia a explicar por que o teste do exame residuográfico na mão de Marcelo (que pode identificar a existência de pólvora na mão do atirador) deu negativo.

Conforme a apuração dos policiais, a partir de imagens de câmera de vídeo, por volta da 1h15 de segunda, logo depois de praticar os quatro homicídios, Marcelo foi com o carro da mãe para a rua da escola onde estudava. Dormiu no carro até as 6h30 e depois foi assistir às aulas.

Outras duas informações adicionaram novas peças ao quebra-cabeça que vem sendo montado pela polícia. Além das armas .40 e do revólver calibre 32 encontrados na casa, Itagiba disse nesta quarta-feira que peritos encontraram outras três armas. Ele não soube especificar o calibre. “Se fosse latrocínio, essas armas teriam sido levadas. Mas foram deixadas para trás”, disse.

Além disso, foi colhido o depoimento do filho de uma das vítimas, a tia Bernadete Oliveira da Silva, de 55 anos. Ele foi o último a estar com a família antes do assassinato. O rapaz disse que a mãe sofria de depressão e, por esse motivo, passava temporadas com a irmã mais velha, Benedita de Oliveira Bovo, de 67 anos, avó de Marcelo.

Para a polícia, a informação ajudaria a explicar por que as duas não acordaram com os disparos. Elas poderiam estar em sono profundo, sob efeito de remédios. As duas foram encontradas mortas e cobertas. Todos foram mortos com tiros à queima-roupa na cabeça.

Em nota à imprensa, o Comando da Polícia Militar afirma que não houve denúncias registradas na Corregedoria da PM por meio da cabo Andréia Pesseghini contra policiais militares. A assessoria informou que foram consultados arquivos da Corregedoria e do Centro de Inteligência e que nada foi identificado. Ainda segundo a nota, será instaurado um procedimento para apurar as declarações dadas pelo coronel Wagner Dimas Alves Pereira, comandante do 18.º Batalhão. O Estado tentou falar com o coronel, que não foi localizado.


2 comentários

  1. nic
    quinta-feira, 8 de agosto de 2013 – 20:54 hs

    Suicidaram o menino!

  2. PAULO SANTOS
    sexta-feira, 9 de agosto de 2013 – 9:20 hs

    Policiais “cofreiros”, dentro da instituição Polícia Militar de São Paulo?
    Isso é inacreditável!!! Quem é pago com o dinheiro do erário público para zelar pelos interesses da população se voltando contra tais interesses, só no Brasil mesmo, no País da impunidade que isso acontece e fica a Deus dará.
    É óbvio que foi o menino quem matou seus familiares, qualquer outra hipótese deve logo ser descartada, as investigações e perícias apontam para esse deslinde. É óbvio também que os maiores culpados pelos acontecimentos são os pais do garoto, que como policiais, pois eles tinha o dever legal de cumprir e fazer cumprir as leis, eles deveriam ter observado o Artigo 13 da Lei 10.826 (Estatuto do Desarmamento), que trata do crime de omissão de cautela, pois se eles tivessem um pouco mais de rigorismo quanto ao fato de não permitir o acesso às suas armas pelo menor ou qualquer outra pessoa, seja quem quer que fosse, esses fatos não teriam ocorrido.
    Esses é o exemplo de policiais existentes em nosso Brasil, policiais incautos, descumpridores de regras básicas em relação à armamento. Pessoas despreparadas colocadas pelo Estado para dar proteção à população.
    Fica a grande pergunta em torno do tema: SE OS POLICIAIS NÃO ESTÃO PREPARADOS PARA PROTEGER A SI PRÓPRIOS, COMO DARÃO PROTEÇÃO À POPULAÇÃO?
    Leve em consideração que o sargento PM pertencia à elite da Polícia Militar paulista e se a elite é incauta desse jeito, despreparada ao extremo, imagine o restante da corporação.

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