Aroldo Murá sai em defesa de Airton Cordeiro | Fábio Campana

Aroldo Murá sai em defesa de Airton Cordeiro

Aroldo Murá

O jornalista Aroldo Murá sai em defesa de Airton Cordeiro em sua coluna de hoje no jornal Indústria e Comércio. “É uma ´história´ em que o veterano profissional, importantíssimo na história contemporânea do Paraná também como homem público que exerceu mandatos políticos exemplares, aparece como supostamente assediando estagiária daquela emissora”, diz Aroldo.

“A imprecisão e o vago dessa “história” até agora não contada por inteiro, da qual se ouve falar apenas por espasmos e murmúrios (quando não por expressões que vomitam calúnias sob a forma de fatos consumados), começam pela ignorância de quantas ou quem são as supostas ofendidas”, conclui.


24 comentários

  1. Escritor
    terça-feira, 13 de agosto de 2013 – 12:08 hs

    “Vago dessa história”???Gravações, vários depoimentos, jornalistas de alta credibilidade, vários pedem demissão, aonde esta o vago dessa história, senhor defensor de assediador?

    As meninas que pediram demissão e ficaram sem emprego fizeram por que estavam cansadas de trabalhar ali? Queriam ficar em casa dormindo?

    Se fosse sua esposa ou sua filha, não seria tão vago assim, bastaria a palavra delas.

    Mas mulheres dos outros, gravações e provas não bastam.
    Pessoas como o senhor são as mesmas que defendem petistas condenados, vigaristas presos, ou seja, tudo pelos amiguinhos de infância…..

    Comentários como esses desonram a classe de jornalistas.

  2. Roberto kowalski Jr
    terça-feira, 13 de agosto de 2013 – 14:31 hs

    Não entendi bem por que o professor Murá não conversou com o Wille sobre esse caso. O Wille foi retratado em um dos livros do professor, portanto os dois têm proximidade suficiente para esclarecer o assunto.

  3. Paulo Cesar
    terça-feira, 13 de agosto de 2013 – 15:09 hs

    O Wille foi mandado embora por não respeitar a hierarquia e ter ido direto ao proprietário levar uma ‘investigação’ pessoal, além de não comunicar nada ao saber do suposto ocorrido preferindo tentar atingir um jornalista que ele não escolhera. Arrependeu-se, pediu para voltar na quinta, o que não foi aceito e o restante já se sabe. Os outros entraram na dele sabendo da missa a metade.

  4. PARANA NETO
    terça-feira, 13 de agosto de 2013 – 15:26 hs

    …HURRA QUE BOBAGEM…..POR FAVOR…..!!!!!!
    …PERDEU A CHANCE DE FICAR QUIETO…….!!!!!!

    PN.

  5. Parreiras Rodrigues
    terça-feira, 13 de agosto de 2013 – 20:51 hs

    Muita gente sabe, como eu, o que é levar lambada no lombo sem merecer. Daí, devagar com a afoiteza.
    Não que eu me simpatize com Ayrton Cordeiro.
    Pelo contrário, quarenta anos atrás, ele, deputado, me pegou no pé por causa de picuinha e eu, assessor doutro parlamentar, tive que levantar prá 12.

  6. renato glotter
    terça-feira, 13 de agosto de 2013 – 23:01 hs

    Murá, biografia você tem uma. Preserva a sua.

  7. joao dario oliveira
    quarta-feira, 14 de agosto de 2013 – 13:57 hs

    Talvez um ato publico com a plateia vaiando ou aplaudindo, possa convencer o nobre jornalista. Eu sou dificil de convencer desses casos, mas nao duvido quando eh figura publica como esse ex edil. Eles se acham acima do bem e do mal. Mas, nao estao.
    Chega! Assunto rançoso.

  8. junior
    sexta-feira, 23 de agosto de 2013 – 23:00 hs

    O leigo não deve entender de cláusula pétrea, mas se lê na Constituição “aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. Esse princípio só pode ser extinto por uma revolução. Raras vezes tivemos uma violação tão brutal a esse princípio como no caso de Airton Cordeiro. Seus colegas da CBN, comandados por José Wille, com jeito de papa, instituíram uma nova versão do Tribunal do Santo Ofício da Inquisição. Sem permitir um único gesto de defesa, jogou-se Airton Cordeiro na fogueira, queimando-o publicamente,
    ”Tosi deu o seguinte Testemunhal: “Foi meu melhor professor de jornalismo na Universidade Federal do Paraná; tive o privilégio de fazer ‘residência’ com ele pelos últimos 16 anos.”
    bom se o Airton cordeiro e culpado ou inocente quem tem que decidir isso é a justiça ñ um grupo de jornalista pois se for assim para que existe o ministério publico, ou vamos retroceder ao tempo de ditadura, e matar e enterrar o Airton cordeiro em uma cova rasa, vamos fazer a coisa certa e ouvir as duas partes, em falar em duas partes o Airton cordeiro assediou moralmente ou sexualmente metade da rádio e quase todos os ex funcionários pois eo que o parece quando vemos as matéria que vejo por ai pois ñ vi uma tentando falar com o Airton cordeiro para ouvir sua versão, ou as pessoas que disseram que foram assediadas, e so aquela coisa de que… ah eu ouvi dizer que ele assediou a estagiaria, ah eu ouvi dizer que ele assediou uma secretaria é eu ouvi dizer que ele assediou a chapeuzinho vermelho, ele assediou o et, poxa pera ai quem foi assediada, se foi porque ñ foi na delegacia da mulher, existe lei para isso, e leis severas agora de repente o wille faz uma investigação e de repente vaza isso para a imprensa pera ia todos os que pedem demissão são amigos ou ex alunos do wille, o que tem de concreto em termos de prova contra o Airton cordeiro, é assim que funciona a justiça com provas concretas, ñ se condena alguém com disse que me disse.

  9. segunda-feira, 26 de agosto de 2013 – 18:30 hs

    caaaaala a boca hurra.

  10. Karine
    segunda-feira, 26 de agosto de 2013 – 22:15 hs

    Quem se mostra a favor deste safado e tal qual como ele. Me poupem seus machistas! Falar que as mulheres estão inventando isso? Queria ver se fosse com suas esposas, irmãs, filhas. Só quem passou por situação parecida sabe o quão nojentas são estas atitudes. Um absurdo com tantas provas ainda acharem que ele tem direito de defesa. Uma ova!

  11. Adriana
    segunda-feira, 26 de agosto de 2013 – 22:19 hs

    Junior,

    desculpa, mas conheço uma das assediadas… e garanto que se fosse sua filha, mulher ou irmã, vc não escreveria isso.

  12. Indignada
    segunda-feira, 26 de agosto de 2013 – 22:38 hs

    Mas eu tenho o dever de escrever isso não porque quero ser uma “bandeira do feminismo”, mas porque não quero que esta história vire algo do tipo: “isto foi um complô contra mim, ninguém prestou queixa, não há provas”. Por respeito a todos os meus companheiros de profissão, da rádio e também os que eu nem conheço. Por respeito, julgo ético não me calar agora. Estou ouvindo muitos murmúrios, ‘disse que não me disse’. E sei que eu sou a única pessoa que pode relatar o que aconteceu verdadeiramente, por que só eu tenho o direito de me expor desta forma, aguentando as consequências desta exposição.

    Chega de boatos, piadas de mau gosto e colunistas defendendo o Sr. Honra e Moral. Honra, moral, ética e profissionalismo são o que fazemos no nosso dia a dia. Se hoje eu não durmo bem é por culpa do sofrimento que isto causou a todos. Mas e o Sr. dorme bem? Põe a cabeça no travesseiro tranquilo? Você olha para a sua esposa, 50 anos casado e não sente nenhuma ponta de remorso? Ou no fundo você acha que essa canalhice é “um sorriso”? O que você VERDADEIRAMENTE fez é repulsivo e caso de polícia. Sinto nojo por mim e mais nojo ainda pelas coisas que você fez com mulheres que não podem e não querem falar, porque tem medo que isto prejudique profundamente suas vidas, mais do que você já prejudicou.

    Poderia te desejar um processo bem dado, polícia, inquérito e tudo mais. Mas o que eu posso desejar que fosse pior do que você deve estar vivendo? Pode ter a certeza de que apesar de achar que a justiça não será feita por vias legais eu acredito que de alguma forma você vai pagar por essa canalhice. Pode ser no âmbito criminal, trabalhista, sindical, ou seja lá o que for. Eu não tenho a defesa de grandes escritórios de advocacia, não sou ex-deputada federal, mas a verdade e a vergonha na cara já me bastam.

    Se você dorme bem e com a consciência tranquila, muito bom para você. Mas não existe nada pior para um jornalista do que ter a credibilidade suja, a honra julgada e a moral extirpada. E aqui vou parafrasear o Álvaro. “Biografia, a gente só tem uma…” O que vão escrever na sua?”

  13. Delgado
    segunda-feira, 26 de agosto de 2013 – 22:54 hs

    Como disse o Junior, todos tem o direito à ampla defesa, e o dever das vítimas é denunciar, e tomar as medidas legais cabíveis, ou corre o risco de cair em descrédito.

  14. dino
    segunda-feira, 26 de agosto de 2013 – 23:23 hs

    isso é uma balela, airton pode ter seus meritos mas sempre foi um nojento, pregador cristao, candidato pelo PFL que renunciou para apoiar lerner, um golpe de grupos elitistas da epoca, lotearam a cidade em favor de seus grupos politicos e religiosos ( no caso a comunidade judaica se beneficiou e muito com a gestao do patrício lerner) e fizeram reformas urbanas irreversíveis de péssimo mau gosto, airton cordeiro sempre foi um malfadado puxa saco, sempre dissimulado, encoberto por interesses retrógrados, ser nojento esse airton, ja tinha ouvido sobre assedios da parte dele, nada de novidade, ser antiquado e machista

  15. Raphael Garcia Bertolin
    terça-feira, 27 de agosto de 2013 – 1:21 hs

    Leio a nota do Murá em defesa do Airton Cordeiro. Leio também os relatos da estagiária Mariana Ceccon que correm pelas redes sociais feito “viral”. Como estudioso do Direito digo-lhes o seguinte: o caso deve e só pode ser resolvido na justiça! Não pela boca dos populares e nem pelas belas linhas traçadas de um jornalista que o caso será resolvido. Existe sim Justiça, acredito muito nela. Mas nada será feito ou esclarecido sem que o Judiciário seja provocado para tanto. Como não sou DEUS para inocentar ninguém, mas também não sou o diabo para acusar alguém sem provas, coloco-me não em cima do muro, mas do lado da justiça. Torçamos todos para que a verdade surja das profundezas, doa a quem doer.

  16. Pedro Surak
    terça-feira, 27 de agosto de 2013 – 6:19 hs

    Não há nada a se dizer desse tal de Airton Cordeiro que, para mim, não passa de um machista repugnante… vai para a lata de lixo da história.

    Mas, sobre a posição da estagiária que foi brutalmente agredida por este senhor, isto sim merece nota. De início, meu total apoio e solidariedade a ela.

    Que a estagiária saiba que ela deve se considerar uma verdadeira heroína, pois não se acovardou diante da brutalidade a qual foi exposta. Levantou-se, sacudiu a poeira e saiu para o campo de batalha! Expor os crimes deste senhor é a tua grande vitória!

    Ainda não são todas as mulheres que conseguem reunir forças como você, mas o teu exemplo ainda vai ser seguido por muitas delas! Coragem! A luta contra o machismo é uma luta cotidiana!

    Li tua carta e fiquei profundamente tocado.
    Não se sinta culpada: você é a heroína!

  17. neide
    terça-feira, 27 de agosto de 2013 – 8:09 hs

    perdeu uma boa oportunidade de ficar com a boca fechada…

  18. Adriana Chaves
    terça-feira, 27 de agosto de 2013 – 10:08 hs

    O relato da vítima

    http://www.sindijorpr.org.br/noticia/estagiaria-da-cbn-relata-assedio-sexual/5169

  19. Pedro
    terça-feira, 27 de agosto de 2013 – 13:06 hs

    Muita falta de vergonha em cada palavra…Ajuda ainda mais em ver quem é o culpado na história. Tomara que pelo menos dessa vez o Brasil faça algo.

  20. Jorge Valenzuela
    terça-feira, 27 de agosto de 2013 – 15:01 hs

    O Sindijor acompanha as investigações. Confira carta da estudante:
    “Em vista da enorme pressão a que venho sendo submetida nos últimos meses creio que não é mais possível ficar quieta sobre este assunto. Primeiro eu gostaria de deixar bem claro que em hipótese alguma eu gostaria que este caso viesse a público. Primeiro pela imensa humilhação, segundo por vergonha em olhar para as pessoas e por último pela inocente crença de que assuntos corporativos podem ser resolvidos dentro da empresa. Acontece que trabalhando em uma rádio nada do que acontece pode se manter por muito tempo em silêncio. Agora vejo meu direito de “ficar calada” ser completamente anulado quando pessoas me mandam mensagens perguntando se a tal estagiária sou eu, quando meus colegas me olham estranho, além de ler, ouvir, centenas de versões para uma história que sei que só eu posso dar um basta.
    Em setembro completarei 6 meses de estágio na CBN Curitiba. Como muitos sabem eu adoro trabalhar lá. Meus colegas sempre me trataram bem, nunca como a “estagiária”, me passaram conhecimento, respeitaram-me como profissional desde o início. Tanto que eu tive a oportunidade de ajudar a produzir o programa, editar e nos últimos meses tive o privilégio de ajudar na construção do jornal de dentro do estúdio. Foi lá que eu pude conhecer melhor como funciona a programação e conheci pessoas que eu admiro muito.
    Também no estúdio pude trabalhar com o comentarista Airton Cordeiro, uma pessoa que sempre respeitei pela história na imprensa paranaense. Nos primeiros dias de estúdio tratei o Airton como trato um tio avó. Ele me pedia para atender seu celular durante o programa e para ajudar com coisas no computador como, por exemplo, anexar e imprimir arquivos. Até então ele nunca havia me faltado com respeito.
    No fim de junho começaram as baixarias. Dentro do estúdio, durante os intervalos, o Airton começou a fazer piadas de péssimo gosto sobre o Caso Tayná, sobre política, sempre usando termos de baixo calão. “Quer dizer que ninguém quis comer a buceta dessa tal de Tayná?” Ninguém respondia, às vezes forçavam um sorriso amarelo ou como no meu caso, levava na “esportiva” porque afinal eu sou a estagiária e aquele é o Airton Cordeiro! A corda sempre arrebenta para o lado mais fraco e não seria eu que criaria caso.
    No começo de julho um deficiente visual telefonou para rádio fazendo perguntas sobre como é o estúdio, etc. Depois de desligar o telefone relatei a ligação para todos e o Airton perguntou em alto e bom som: “Por que você não disse para ele vir aqui pegar na sua buceta e ver como é molhadinha?” Naquele momento eu fiquei chocada, como todos. Eu respirei fundo 1,2,3 vezes, mas decidi não falar nada a não ser um “vou falar para pegar no seu nariz Airton!” Brincadeiras… Brincadeiras de um babão.
    Um ou dois dias depois Airton estava se despedindo de todos. Ia para Disney com a família. Naquele dia ele estava fazendo piadas horríveis com nome de entrevistadas, falando baixarias como nunca. Durante o programa ele se aproximou da minha mesa, como quem quer olhar alguma coisa no monitor do computador. Abaixou-se, tirou os cabelos do meu ombro e disse: “Eu estou morrendo de tesão em você e ainda vou te montar, você vai ver”. Estou relatando exatamente as palavras que ele me disse não porque eu queira ou esteja confortável para falar sobre isto, mas sim porque não aguento mais ouvir coisas do tipo: “ahh o velho tá no fim da vida, foi lá fez um galanteio e todo mundo tá fazendo esse escândalo”, “Ah o cara passou uma cantada e já levam para o lado do assédio”. E para deixar bem claro de uma vez por todas que o Airton não me fez nenhum elogio. Ele me tratou como um animal.
    Ele falou isso e eu não fiz nada. Não respondi nada. Por muito tempo eu fiquei me sentindo um lixo por causa disso. Quando tomei coragem de contar, todo mundo me dizia: “Nossa se fosse comigo eu tinha enfiado a mão na cara… Nossa e você não falou nada?”. Não, eu não falei nada. Eu sempre imaginei que se algo desse tipo acontecesse comigo eu enfiaria a mão na cara do sujeito. Mas não enfiei. Fui só vomitar. Não posso descrever ao certo o sentimento. Você se sente tão humilhado, tão lixo humano, que não arranja força alguma para responder. Você tem vontade de se esconder e se sente suja. Não quer falar pra ninguém. E no segundo seguinte ele falou que estava indo viajar com a esposa, netos, filhos para a Disney comemorar os 50 anos de casado. Como alguém pode ser tão dissimulado?
    Naquela sexta eu fui embora com a sensação física de que ia vomitar a qualquer minuto. Não queria ver meu namorado, nem meus pais. Decidi que apesar de amar trabalhar na rádio eu não ia mais voltar pra lá. Não queria mais ver aquela pessoa.
    Na segunda-feira, logo que cheguei à rádio, um dos meus colegas me chamou para tomar água. Eu não sabia, mas as “piadas” do Airton tinham vazado. Foi durante esta conversa que eu descobri que o Airton fez isso comigo, mas fez coisas muito piores com tantas outras funcionárias. Se eu não desse um basta ele só iria mais longe como já havia feito antes. Tomei coragem e contei para este mesmo colega que o Airton já havia me assediado e que não sabia o que fazer.
    Com medo de a situação piorar e mais enojada ainda achei melhor conversar com o Álvaro Borba também. Relatei as palavras exatas que o Airton tinha me dito na sexta-feira e que eu não trabalharia mais lá. O caso foi passado para os superiores que pouco a pouco foram sabendo de tudo que aconteceu comigo e com as outras mulheres.
    Recebi total apoio dos meus colegas diretos. Com o passar dos dias, o Airton bem longe de férias, fui me acalmando e aceitando a situação. O Wille me procurou, pediu desculpas em nome da CBN e garantiu que ia levar o caso diretamente para o alto escalão. Isto porque o diretor-geral da rádio é amigo pessoal do Airton e o maior medo era que o caso fosse abafado ou contornado sem as devidas providências. Neste meio tempo o Wille recebeu relatos de outras funcionárias e ex-funcionárias da rádio ficando cada vez mais irritado. Inclusive casos que passavam do plano verbal. Passadas de mão, intimidações, ofertas de dinheiro para levar funcionárias a motéis. Todas em mulheres que ele provavelmente considera estarem em posições inferiores dentro da empresa e vulneráveis.
    Eu depositei todas as minhas esperanças de que o caso seria resolvido ali. Sem exposição, sem mais estresse. Até o dia em que a história vazou para fora. Em uma manhã eu vi a internet explodir em cobranças, piadas e vexames. Meu nome não estava ali, mas todo dia, desde o dia 18 de julho eu sofro um novo tipo de assédio: assédio moral. O mundo realmente é feito de um nojento machismo.
    Não vou ficar aqui pregando ideologias feministas, mas depois de toda a situação que eu havia passado, abrir o Twitter e ver coisas do tipo “na capa da playboy de julho, a estagiária que revelou Airton Cordeiro revela tudo pra você”, “Airton Cordeiro comendo muito as estagiárias da CBN Curitiba”, “Imagine as quengas que trabalham na rádio”. Isso foi pior do que o próprio Airton. Todo mundo que me conhece o mínimo sabe o quanto eu luto e me esforço pra fazer minha carreira eticamente. E isso é a pior coisa que pode acontecer com alguém que tenha esses princípios. É ser exposta publicamente, como se eu estivesse querendo “tirar uma grana, ter 5 minutos de fama” ou pior, como eu já vi, “dado motivos” para que ele agisse assim.
    Acho que ninguém que escreveu estas coisas ou vazou a história me conhece bem. Mas eu gostaria de dizer que vocês são tão ruins ou piores que o próprio Airton Cordeiro. Alguns podem achar tudo isso muito natural, podem achar que é coisa de uma pessoa senil. Mas não, não é. Isso não é normal. Imaginem se isso acontecesse com sua esposa, sua filha ou sua mãe e centenas de pessoas ainda julgassem a índole de quem você quer bem.
    Com as coisas em níveis impraticáveis o José Wille levou a questão para a empresa. Eu não sei detalhes da reunião, a única coisa que me disseram foi que as gravações com os relatos de assédio foram mostradas. Com a omissão da chefia, o José Wille pediu demissão. Encarei meus colegas um a um com um sentimento de culpa. Apesar de não ter “cavado” a situação eu era a pivô.
    As atenções estavam voltadas para a casa. Todos os funcionários queriam uma reunião, uma palavra dos líderes da empresa. Queriam a garantia de que apesar da amizade, o diretor-geral não deixaria que o Airton voltasse, nem em 2 dias nem em 2 anos. Queriam algo por escrito. O próprio Álvaro chegou a escrever uma nota pública que foi levada até a direção frisando o fato de que o Airton não voltaria. Mais uma vez eu não sei os motivos, mas a tal retratação não foi assinada.
    A única coisa que eu sabia é que o Marcos Tosi tinha reunido testemunhos dos assédios que o Airton havia cometido. Inclusive eu mesma prestei depoimento. Mas, como o próprio Tosi divulgou em sua página no Facebook, “Infelizmente, como na antiguidade, o mensageiro da má notícia pagava o preço com a vida”. Até onde sei, documentar estes fatos não foi nem um pouco bem visto. Tosi sofreu o famoso “gelo” e devido a esta situação decidiu também sair da rádio.
    Foi no dia 5 de agosto. O Tosi anunciou a demissão no começo da manhã. Em meio ao alvoroço o Álvaro chegou igualmente transtornado. Sem pronunciamento da direção, com biografias em jogo, o Álvaro não pensou duas vezes. Saiu pela porta e não voltou mais.
    Sou grata à atitude do Wille, mas como eu disse só falei com ele uma vez. Nunca tive a oportunidade de contar a ele como eu estava me sentindo ou pensando, então espero que este texto possa suprir esta falta.
    Quanto ao Álvaro e ao Tosi, eu não tenho palavras. Todos na rádio perderam não só o âncora, o chefe, mas grandes amigos. E digo isso não porque os dois eram meus amigos fora da rádio ou porque tivemos convivência fora do ambiente de trabalho (nunca os vi, nem de longe sem ser dentro da rádio). Digo isso porque foi a sensibilidade do Tosi ao abordar o assunto, as vezes que acabei chorando e que ele soube escutar que me fazem o considerar um amigo. O Álvaro considero igualmente um amigo por ter segurado a barra na linha de frente. Pelas conversas, apoio e orientações. Pela sensibilidade em proteger meu “início de carreira”, minha integridade e meu nome como até hoje o estavam fazendo.
    Não estou escrevendo essas coisas para rasgar seda e sim para colocar os pontos nos “is”. Não tive a oportunidade de falar com todos os meus colegas sobre isso, então espero que estas palavras cheguem a todos e esclareçam de fato o que aconteceu.
    Com a perda de 3 âncoras e sem uma palavra oficial, os funcionários da CBN entraram em greve. O holofote estava apontado para a rádio, notícias em vários jornais, até de circulação nacional. A bomba explodiu. Veio a nota pública da direção, mas ainda choveram informações desencontradas.
    Espero que esse texto também venha reparar a culpa que sinto por ter abalado todos os funcionários, sem exceção. Sei, e muitos já me falaram e deixam todos os dias claro que a culpa não é minha. Mas apesar de desejar, eu não consigo aquietar meus pensamentos com isso. Eu sei que esta história não só tirou o trabalho de 3 pessoas e prejudicou suas famílias, como eu sei também que os outros que ficaram foram igualmente prejudicados com a alta carga de trabalho, responsabilidade e estresse. Em poucas horas repórteres tiveram que assumir a produção, apresentação, chefia e se desdobrar em vários turnos. E o pior, ter de lidar com a sempre ferrenha crítica dos ouvintes.
    Não dá para culpá-los. O ouvinte tão acostumado as vozes familiares, da noite para o dia foi privado da rotina de escutar o programa. E com isso também espero me desculpar com todos os 13 ouvintes que só eu atendi e não pude dizer isto, aos incontáveis que mandaram email, manifestaram-se pelo Twitter ou pelo Facebook da empresa. Eu sei que nenhum de vocês precisa pagar por esta história, mas “todos estamos trabalhando em triplo pra garantir a qualidade na programação”. Não é só demagogia.
    Na segunda não fui trabalhar. Mas terça tomei coragem, lavei o rosto e encarei meus colegas. Não porque eu sentisse que estava devendo alguma coisa para a empresa e sim porque eu estava devendo alguma coisa para os meus colegas que estavam tocando o jornal, acreditem, em 4 pessoas! Uma produtora, um apresentador, uma repórter e um operador de som. Duas horas e trinta minutos de programa.
    Fui e continuo indo trabalhar por esta razão. Sinto que o mínimo que eu posso fazer é dividir a carga comigo também e ajudar as pessoas que não podem largar os trabalhos ou que não estavam diretamente envolvidas no conflito, mas que estão pagando o alto preço.
    E, por fim, é hora de tornar público porque é uma tentativa de me sentir menos humilhada e envergonhada. Está na hora de encarar as coisas de frente e assumir de uma vez por todas que sim isto aconteceu comigo. Aconteceu com várias mulheres e passar adiante a lição de que assédio sexual não é sobre sexo. É sobre poder.
    Ainda temo pelas consequências desse episódio. Tenho medo do que isto pode significar para a minha carreira. Tenho medo de que me associem a isto por muito tempo não importando o quanto eu me esforce para fazer com que os méritos sejam maiores do que a polêmica. Tenho medo de que isto cause mais ira nas pessoas “poderosas” atingidas e de que isto me prejudique de alguma forma física, jurídica ou profissional. Tenho medo de como meus amigos e familiares vão reagir.
    Mas eu tenho o dever de escrever isso não porque quero ser uma “bandeira do feminismo”, mas porque não quero que esta história vire algo do tipo: “isto foi um complô contra mim, ninguém prestou queixa, não há provas”. Por respeito a todos os meus companheiros de profissão, da rádio e também os que eu nem conheço. Por respeito, julgo ético não me calar agora. Estou ouvindo muitos murmúrios, ‘disse que não me disse’. E sei que eu sou a única pessoa que pode relatar o que aconteceu verdadeiramente, por que só eu tenho o direito de me expor desta forma, aguentando as consequências desta exposição.
    Chega de boatos, piadas de mau gosto e colunistas defendendo o Sr. Honra e Moral. Honra, moral, ética e profissionalismo são o que fazemos no nosso dia a dia. Se hoje eu não durmo bem é por culpa do sofrimento que isto causou a todos. Mas e o Sr. dorme bem? Põe a cabeça no travesseiro tranquilo? Você olha para a sua esposa, 50 anos casado e não sente nenhuma ponta de remorso? Ou no fundo você acha que essa canalhice é “um sorriso”? O que você VERDADEIRAMENTE fez é repulsivo e caso de polícia. Sinto nojo por mim e mais nojo ainda pelas coisas que você fez com mulheres que não podem e não querem falar, porque tem medo que isto prejudique profundamente suas vidas, mais do que você já prejudicou.
    Poderia te desejar um processo bem dado, polícia, inquérito e tudo mais. Mas o que eu posso desejar que fosse pior do que você deve estar vivendo? Pode ter a certeza de que apesar de achar que a justiça não será feita por vias legais eu acredito que de alguma forma você vai pagar por essa canalhice. Pode ser no âmbito criminal, trabalhista, sindical, ou seja lá o que for. Eu não tenho a defesa de grandes escritórios de advocacia, não sou ex-deputada federal, mas a verdade e a vergonha na cara já me bastam.
    Se você dorme bem e com a consciência tranquila, muito bom para você. Mas não existe nada pior para um jornalista do que ter a credibilidade suja, a honra julgada e a moral extirpada. E aqui vou parafrasear o Álvaro. “Biografia, a gente só tem uma…” O que vão escrever na sua?”

  21. Lilian
    terça-feira, 27 de agosto de 2013 – 15:44 hs

    Para vocês que estão dizendo que “a justiça será feita”, deixa eu contar uma coisa sobre o Brasil: mesmo se o Airton tiver assediado a “estagiária”, quem vai ganhar na sua linda “justiça” é ELE. Não por ser inocente, mas sim por ter política nas mangas e sujeira no coração. É assim que funciona…

  22. Cleucimar Taylor
    terça-feira, 27 de agosto de 2013 – 16:16 hs

    Amigos defendem amigos. Que a polícia e a justiça investiguem e concluam o mais rápido possível este caso.

  23. Prontofalei
    terça-feira, 27 de agosto de 2013 – 23:03 hs

    MEU DEUS, não sei qual comentário é mais infeliz. Se é o do Murá que defende um “amigo” sem nem saber os fatos, queimando a própria cara. Se é o do “Paulo Cesar” que parece viver numa bolha onde só ele viu os fatos daquela perspectiva, ou se é esse tal de “Junior” que diz “mas por que ela não foi na delegacia”, óbvio porque é uma coisa fácil para uma estagiaria começando a sua carreira fazer um tipo de denúncia nessas proporções. Não entendo essa mania de teoria da conspiração que alguns tem, “Sem permitir um único gesto de defesa, jogou-se Airton Cordeiro na fogueira, queimando-o publicamente” Coitadinho né? Repugnante ler isso, me desculpa mas tenha uma mínima base antes de escrever sua opinião. Aliás, nossa justiça realmente quase sempre deixa os poderosos impunes mas um comentário como o da “Lilian” por mais verdadeiro que seja é lamentável num momento desse. Se a gente não acreditar, não denunciar e tomar atitudes que servem de exemplo como a dessa menina, nunca que o nosso país irá pra frente, não é porque existem corruptos e pessoas que não fazem a sua parte que você precisa desacreditar e deixar de fazer o seu dever, o que é correto. “Nem todos que tentaram, conseguiram, mas todos que conseguiram, tentaram” Essa frase resume tudo, não custa tentar fazer o que é certo e ver no que vai dar

  24. Vera Lucia
    quarta-feira, 28 de agosto de 2013 – 9:39 hs

    Mariana,sinto por você(como diria meu pai)não ter pregado a mão na cara do seu Airton.
    Coragem,vá em frente.Seus colegas não pediram demissão a toa.Algo de errado aconteceu.
    Pena que não está gravado,ajudaria bastante.Mas testemunhas tem espero que não roam a corda!

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