Apesar do corte, ajuste é duvidoso | Fábio Campana

Apesar do corte,
ajuste é duvidoso

Valor

O corte adicional de R$ 10 bilhões nas despesas do governo federal, anunciado pelos ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Miriam Belchior, não garante o cumprimento da meta de superávit primário do setor público de 2,3% do PIB neste ano. Com as medidas, o superávit seria elevado em 0,2% do PIB, dos atuais 1,3% para 1,5%. Para chegar aos 2,3%, Estados, municípios e suas estatais teriam de fazer uma economia de 0,8% do PIB, o que é considerado muito difícil por especialistas.


Há outras questões que levantam dúvidas sobre a consistência do corte. A redução de R$ 4,4 bilhões nos gastos com a compensação de desonerações da folha de pagamentos à Previdência, por exemplo, é neutra do ponto de vista fiscal. O Tesouro deixará de pagar, mas a receita da Previdência cairá em valor correspondente. Ou seja, o corte é compensado pela receita menor que não entra no cofre do INSS. Portanto, ele não pode ser apresentado como ajuste adicional para alcançar a meta de superávit.


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