Vi o policial mirar e atirar na minha cara, diz repórter ferida em SP | Fábio Campana

Vi o policial mirar e atirar na minha cara, diz repórter ferida em SP

Giuliana foi atingida por uma bala de borracha durante protesto contra reajuste do transporte em SP.

Do UOL, em São Paulo:

Ferida no olho por uma bala de borracha disparada pela polícia durante os protestos de quinta-feira (13), a repórter Giuliana Vallone, da Folha de S.Paulo, disse nesta sexta-feira (14) que seu globo ocular não sofreu danos e que ela já consegue enxergar com o olho afetado. Segundo ela, a bala que a atingiu foi disparada sem que ela ou qualquer manifestante tivesse provocado a polícia.

“Vi o policial mirar em mim e em meu colega e atirar na minha cara”, escreveu ela em seu perfil no Facebook.

PROTESTO EM IMAGENS

Policial atinge cinegrafista com spray de pimenta

PM agride clientes de um bar na avenida Paulista

Policial atira bombas contra manifestantes

PM foi agredido por grupo ao tentar evitar pichação no prédio do Tribunal de Justiça

Ao contar como se feriu, a jornalista disse que estava fora do principal palco de confrontos. “Já tinha saído da [rua] Consolação, onde já havia sido ameaçada por um policial por estar filmando a violência.” Giuliana diz que estava na rua Augusta, onde havia poucos manifestantes, e com identificação da “Folha” quando foi atingida.

Sobre seu estado de saúde, Giuliana afirma que escapou de uma lesão permanente porque seus olhos não estavam descobertos. “O médico disse que os meus óculos possivelmente salvaram meu olho.” E que, apesar de estar inchada e com pontos na pálpebra, já consegue enxergar com o olho afetado, “o que não acontecia quando cheguei aqui (ao hospital).”

“A maior preocupação era o comprometimento do meu olho, que sofreu uma hemorragia por causa da pancada”, escreveu ela em seu perfil no Facebook.

O fotógrafo Sérgio Silva, da agência Futura Press, também foi atingido por uma bala de borracha no olho e corre o risco de perder a visão. Ele está internado no hospital Nove de Julho.

O quarto protesto
Com o endurecimento da repressão por parte da Polícia Militar, o quarto ato contra o aumento das tarifas do transporte público em São Paulo, realizado na noite desta quinta-feira (13), terminou sendo o mais violento da série de manifestações ocorridas na cidade nos últimos dias.

Segundo a delegada Victória Lobo, titular da 78º DP (Jardins), 241 pessoas foram detidas no protesto e encaminhadas para essa delegacia, para o 1º DP (Liberdade) e para o 4º DP (Consolação).

Ao menos quatro foram autuadas (três por porte de entorpecentes e um por resistir à prisão), assinaram um termo circunstanciado e vão responder a processos em liberdade. Outras cinco foram indiciadas por formação de quadrilha e danos ao patrimônio –crimes inafiançáveis– e vão continuar presas.

Com os manifestantes, a polícia diz que apreendeu facas, estiletes, tesouras, martelos, coquetéis-molotóvs, machadinha, aerosol, garrafas de álcool, tinta e sprays e uma pequena quantidade de maconha. Celulares, câmeras fotográficas e uma garrafa de vinagre também foram apreendidos.

Cerca de 40 pessoas foram detidas antes mesmo de o protesto começar. Antes do início do ato, manifestantes e jornalistas que carregavam vinagre –como o repórter Piero Locatelli, da ‘Carta Capital’ para reduzir os efeitos de bombas de gás lacrimogêneo foram detidos, sob a alegação da PM de que o produto pode ser usado para fabricar bombas caseiras.

Segundo o Movimento Passe Livre, que organizou a manifestação, pelo menos cem ficaram feridos. Entre os feridos, sete são jornalistas da Folha de S.Paulo. Repórteres do Terra e da Rede Brasil Atual foram agredidos com cassetetes durante a cobertura.

Antes do protesto, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) declarou que não iria tolerar atos de vandalismo. Na manifestação de hoje, a PM mobilizou grande aparato, com tanques blindados, helicópteros e até a cavalaria. Além da Tropa de Choque, policiais da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) e da Força Tática atuaram na repressão, totalizando efetivo de 900 homens.

Segundo relato da repórter do UOL, Janaina Garcia, a Polícia atirou indiscriminadamente, contra manifestantes, transeuntes e jornalista a trabalho. “Não havia saída pela via nem pelas transversais, todas cercadas pelo Choque”. Veja o relato.

Começo pacífico, final violento
O protesto começou por volta de 18h na praça Ramos de Azevedo, no centro, onde os manifestantes se concentravam desde 17h. De lá, o grupo, de aproximadamente 5.000 pessoas, segundo a PM, seguiu até a praça da República. Depois, caminharam pela avenida Ipiranga e chegaram à rua da Consolação, na altura da praça Roosevelt. Até então, não havia registro de ocorrências graves.

Na altura da Roosevelt, os manifestantes foram impedidos pela polícia de seguir na Consolação até a avenida Paulista. Iniciou-se uma negociação entre o comando da PM e lideranças do movimento. Em um dado momento, por volta de 19h10, começou o confronto. Segundo o jornalista Elio Gaspari, da Folha de S.Paulo, os distúrbios começaram pela ação da polícia, mais precisamente por um grupo de uns 20 homens da Tropa de Choque, que chegaram com esse propósito.

Pouco depois, o major Lidio Costa Junior, do Policiamento de Trânsito da PM, disse que o protesto, que até então transcorria pacificamente, tinha “fugido do controle”. “Não nos responsabilizamos mais pelo que vai acontecer”, declarou.

A PM usou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os ativistas, que responderam atirando objetos. A partir de então, o protesto se dispersou. Grupos menores prosseguiram por ruas dos bairros de Cerqueira César e Consolação na tentativa de chegar até a Paulista.

Atrás deles, a PM, com grande efetivo, disparou quantidade de balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo. Transeuntes que não estavam participando do protesto foram atingidos, como uma idosa de 67 anos, baleada no rosto logo após sair de uma igreja.

A avenida Paulista foi esvaziada e bloqueada pela PM com tanques blindados. Muitos manifestantes ainda tentavam chegar à avenida, mas eram impedidos pelos policiais. Por volta de 21h45, a Paulista foi liberada para os carros.

Perto das 22h, um grupo de curiosos e remanescentes da manifestação foi retirado à base de golpes de cassetete pela PM do vão do Masp (Museu de Arte de São Paulo). Cerca de 22h40, um grupo de pelo menos 40 pessoas saiu em uma minipasseata pela calçada, a uma quadra do museu, pedindo o “fim da violência”. Eles foram recebidos com balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo.

O fotógrafo Filipe Araújo, 33, do jornal “O Estado de S.Paulo”, disse ter sido atropelado por um carro da Força Tática quando fotografava a barricada feita por manifestantes no lado centro do rua Bela Cintra. Ele sofreu ferimentos no braço e nas costas.

“Os carros da PM desceram a rua atropelando o lixo que estava no caminho. Passaram por mim, mostrei minha câmera, mas me atropelaram e caí de lado, na beira da calçada. Aí desceram de um dos carros e ainda gritaram: ‘levanta, levanta’, sendo que eu tinha acabado de ser atropelado”, disse.

*Com reportagem de Janaina Garcia e Marivaldo Carvalho


9 comentários

  1. paulo
    sexta-feira, 14 de junho de 2013 – 16:08 hs

    policia do psdb que não reduz icms do dieesel.

  2. Paulo Benes
    sexta-feira, 14 de junho de 2013 – 16:40 hs

    Como fala meu velho pai, se estivesse em casa ou na missa não estaria se metendo em encrenca, ao momento que se envolve em situações ilegais fica vunerável a ações que não tem o controle exato… toda guerra exsitirá feridos… digo revolução….

  3. Neanderthal
    sexta-feira, 14 de junho de 2013 – 16:48 hs

    Trilionésima prova de que uma polícia civil uniformizada, com salários e educação superiores, precisa ser necessariamente criada.
    A pm tem de ser extinta, até por recomendações da OEA, ONU e Anistia Internacional, entre outros órgãos internacionais, porque o Brasil vive um período democrático, ambiente que exige uma força pública civil, e ambiente incompatível com qualquer força pública de natureza militar. Esta reforma é prometida desde a Constituinte de 1988, e serve de prova também que o congresso brasileiro está há léguas da realidade pública nacional e, real e infelizmente, perdeu sua finalidade e utilidade pública, conforme observou FHC há 2 anos.

  4. tadeu rocha
    sexta-feira, 14 de junho de 2013 – 16:50 hs

    O QUE RIO E SAO PAULO AGORA ESTA CHEGANDO EM CTBA, ESTAO PASSANDO E D. DILMA E LULA E A MINISTRA FAZENDO FESTA EM PINHAIS NAO ESTAO NEM AI, DILMA LULA E MINISTRA, SR ESMAEL E CICERO, PORQUE NO BLOG DE VOCES NAO APAREÇE ESSA VERGONHA DE SAO PAULO RIO, OU VOCES ESTAO FAZENDO DE BOBOS , NÓS ESTAMOS SACANDO SEU PT.E SEU BLOG, CURITIBANOS ENTRE NO BLOG DELES. E VEJAM.SE APASREÇE ESSA VERGONHA EM SAO PAIULO E RIO

  5. sergio silvestre
    sexta-feira, 14 de junho de 2013 – 16:52 hs

    Duvido que tenha um pedreiro ou servente,trabalhadores em geral ai fazendo baderna.
    Pode observar,são estas mocinhas ,mulheres de malandros que com 13 anos já não tem mais cabaço.
    Eles não tem herois nem ideal e se julgam os protetores da nação,enchem o c de manguaça depois vem para as ruas atráz de alguma aventura.
    Vibram quando a policia chega o cacetete,senão passam desapercebidos pela vida.Ai vez por outra,um foca pega um fato e a imbecil vira noticia.

  6. fiscal de realeza
    sexta-feira, 14 de junho de 2013 – 20:18 hs

    QUEM MANDA LA É O GERALDO ALKMIM E O DEVER DA SEGURANÇA É DELE OS POLICIAIS SAO NA CONTA DO GERALDO

  7. Pedrenrique
    sexta-feira, 14 de junho de 2013 – 21:12 hs

    Se fizerem anarquia e confusão, desce o sarrafo! Protestar é uma coisa. Anarquia é outra, totalmente dioferente!
    Foto 1) Talvez a Giuliana só queria cumprimentar o policial, não? – Pra estar tão pertinho, é possível! Que raios de jornalista que não conhece um lugar seguro pra ficar, no front?…
    Foto 2) Esse cinegrafista que aparece levando uma chuverada de gás, é do PSTU. Tá fazendo o que lá, nas fuças do policial? – Foi buscar autógrafo?
    Foto3) A legenda tá errada. O policial tá apenas torcendo pela gorda, que tá dando mó pau, no moicaninho frouxo.
    Foto4) O policial tá ali pra isso mesmo. Dispersar desordeiros e arruaceiros a qualquer custo! Felizmente não esqueceram de levar bombas de ar pro front.
    Foto5) Que policial mais tongo, não? – Tá apanhando do careca gordo. Esse sim; tem que ser indiciado, e puxar uns dias de cana na corporação, pra largar mão de ser babaca!

  8. Gardel
    sábado, 15 de junho de 2013 – 9:45 hs

    Ficou evidenciado um conluio entre os o governador e o prefeito de São Paulo ao emitir julgamentos sem o devido conhecimento. Não cedeu espaço a razão por entender que esta atrapalha sua postura de superioridade. A contundência e o rigor das ações autoritárias têm mostrado o despreparo dessa gente que olha desprezo para os projetos de interesses sociais. Qualquer contrariedade faz uso de uma trapa armada que vegeta em meio a uma atmosfera turva e pesada, seres que recorrem a método criminoso, para dar vazão a seu instinto animal. São homens de personalidades agressivas e violentas. A contundência das provas da ultima manifestação não deixou duvidas.

  9. Dyego Travassos
    terça-feira, 18 de junho de 2013 – 15:42 hs

    Alguém mostre um pai de família nesses “protestos”. Na grande maioria só tem desocupados, arruaceiros impedindo o direito de ir e vir da POPULAÇÃO DE BEM QUE TRABALHA E PAGA SEUS IMPOSTOS EM DIAS. A PM, coitada, é vítima dessa cambada e desse governo falido, infelizmente. Quer protestar? Vão aprender a votar!

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