O ronco das ruas produz mudanças | Fábio Campana

O ronco das ruas
produz mudanças

Com medo das manifestações nas ruas, instituições se põem em movimento e políticos viram bonzinhos. Alguns exemplos significativos: 1. Fim da ameaça ao Ministério Público. A Câmara dos Deputados rejeita espetacularmente a PEC-37, a proposta de emenda constitucional que castrava atribuições investigativas do Ministério Público — uma das poucas instituições ainda respeitadas “neztepaiz” — por 420 v0t0s a 9, quando até dias atrás havia um vasto apoio à medida, que claramente se destinava a encurralar e retaliar o MP por sua ação recente e enérgica, especialmente no caso dos mensaleiros. 2. Cadeia para o deputado, já. O Supremo Tribunal Federal reconhece nesta quarta-feira que a condenação do deputado Natan Donadon (PMDB-RO) é definitiva e determina a expedição do mandado de prisão contra ele. É medida histórica, por tratar-se do primeiro caso em que um parlamentar no exercício do mandato tem a prisão determinada pelo Supremo desde 1988, quando entrou em vigor a atual Constituição. Donadon fora condenado a mais de 13 anos de cadeia já em 2010 pelos crimes de peculato e formação de quadrilha, mas desde então vinha empurrando a prisão com a barriga com uma bateria de recursos. Por 8 votos a 1, o Supremo resolveu que se tratavam apenas de recursos protelatórios e mandou prendê-lo. Parece um recado do que pode ocorrer com os mensaleiros. 3. Acaba o anonimato na votação de cassações. Mais uma medida de deputados “bonzinhos”: a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou proposta de emenda à Constituição instituindo o voto aberto dos parlamentares em processos de cassação de mandato. Ainda falta a aprovação pelo plenário, em dois turnos, e, depois, pelo Senado, nas mesmas condições. Mas é outra reivindicação da sociedade que estava há anos sendo cozinhada no Congresso. Agora, por medo ou esperteza, está indo adiante. 4. Que haja candidatos sem partido. O presidente do Supremo Tribunal, ministro Joaquim Barbosa, visita a presidente Dilma no Palácio do Planalto e sai dizendo que “o povo cansou de conchavos”, que “chega”, e propõe que, nas eleições, candidatos avulsos, sem ligação com os partidos políticos que a rua repudia, possam se apresentar. 5. Renan, acuado, lança agenda e quer trabalho no recesso. O presidente do Senado, Renan Calheiros — fingindo que não a exigência de que renuncie ao cargo está na boca e nos cartazes dos manifestantes — indica que o recesso de julho do Congresso poderá ser suspenso, para que o Legislativo trabalhe nas férias, e desfia uma série de 17 propostas, inclusive a instituição de passe livre para estudantes de todo o país, com parte do dinheiro que virá do pré-sal. Demagogia barata e concessão absurda aos garotos extremistas do tal do Movimento Passe Livre (MPL), como se pode ver. Se estudante pode ter passe livre, por que não também o trabalhador? E o desempregado? E o portador de deficiência física? E aposentado que ganha pouco? A velha visão do coronel alagoano de que o Estado deve ser sugado por todos os lados prevaleceu. E daqui a pouco o dinheiro do pré-sal vai acabar antes que o petróleo saia do fundo do mar. 6. Transporte vira “direito social”. Quem paga? Em outra concessão ao Movimento Passe Livre, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou correndo uma proposta de emenda constitucional que inclui os transportes entre os “direitos sociais” dos brasileiros. É a velha história: o Congresso é pródigo em conceder direitos, sem esclarecer bem que os pagará, e extremamente econômico em fixar deveres. Outra capitulação aos gatos pingados radicais do tal MPL. 7. Médicos de toda parte, por toda parte. De repente, como se caísse do céu, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha — que quer ser candidato do PT ao governo de São Paulo — anuncia que vão ser criadas 14 mil vagas de residência médica “neztepaiz”. Pergunta-se porque não se criou antes, se eram (como são) necessárias. E os médicos estrangeiros, que eram 6 mil cubanos, agora subiram para 10 mil. Compreensivelmente, entidades médicas de todo o país preparam uma greve geral. 8. Os radicais do MPL ganhando mais status. O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), lança um “pacto de transparência” na área de transportes, diz que vai permitir o acesso dos interessados aos números dos contratos com as empresas de ônibus, permite que sua base parlamentar deixe ser aprovada uma CPI dos Transportes na Câmara Municipal e, em outra concessão ao MPL, deverá integrá-lo num Conselho Municipal de Transportes que incluirá membros da “sociedade civil”. 9. Sem-teto no palácio. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, recebe uma comissão de sem-teto no Palácio dos Bandeirantes e, entre outros compromissos, assume o de elevar de 300 para 400 reais por mês o auxílio-aluguel pago a quase 2.000 famílias da Grande São Paulo que aguardam moradia dos programas estaduais de construção de casas. O governador já recuara no aumento dos preços das passagens do metrô e dos trens urbanos e suburbanos e, igualmente, fizera acordo com as concessionárias de rodovias estaduais para que não aumentassem o valor dos pedágos. Os cofres estaduais serão sacrificados nos três casos.


9 comentários

  1. Vigilante do Portão
    quinta-feira, 27 de junho de 2013 – 5:19 hs

    É o Campana, caindo na ENGANAÇÃO.

    Conseguimos algumas MIGALHAS.

    Centavos nas passagens.
    Derrubada da PEC 37.
    Promessas de destinação de Verbas.
    O tal Plebiscito, colocado como “bode na sala”. para distrair a imprensa e os manifestantes.

    E DE CONCRETO?

    Corte de 50% dos Ministérios da Dilma;
    Corte de 50% dos cargos COMISSIONADOS do Congresso Nacional;
    Corte de 50% dos Secretários dos Decretários Municipais e Estaduais.
    Congelamento dos salários dos Parlamentares;
    Corte de 50% dos GASTOS DE GABINETES DOS PARLAMENTARES (de todas as esferas);
    CORTE de 100% das propagandas da Caixa, Banco do Brasil, Petrobras, Correios, etc. ;
    Corte d e 50% Propaganda Institucional dos governos (todos);
    REDUÇÃO GRADUAL da carga tributária, chegando aos 25% (de carga) em 2023.

    Seriam algumas medidas CONCRETAS.

  2. OTIMISTA
    quinta-feira, 27 de junho de 2013 – 5:46 hs

    Sem dúvida alguma o movimento da rua mudou a postura dos po-
    líticos surpreendemente. Dia de jogo do Brasil, Camara dos Deputa-
    dos e Senado trabalhando a toque de caixa… e aprovando medidas
    polêmicas… INACREDITÁVEL !!!
    Isto ocorre não porque acordaram mas a água bateu no nariz.
    Tomara que na próxima eleição o resultado seja condizente…

  3. ATLETICANO
    quinta-feira, 27 de junho de 2013 – 9:05 hs

    E os do MENSALÃO, quando serão presos?

  4. Doutor Prolegômeno
    quinta-feira, 27 de junho de 2013 – 10:14 hs

    Estes movimentos vão cansar, porque, no fundo, sua motivação é fruto das ansiedades e tédios de uma geração mimada, que não podem ouvir um não e passam seus dias vazios conectados nos smartfones e tablets, curtindo tudo que é cool e radical. A vaguidão destas manifestações vai escoar-se em si mesma e deixar o mesmo legado do occupy Wall Street, ou seja, niente di piú. Enquanto isso, os políticos, mentirosos, ardilosos e velhacos, por natureza e caráter, vão fazendo de conta que mudam, para deixar tudo como está.

  5. Jairo Antonio Broch
    quinta-feira, 27 de junho de 2013 – 10:29 hs

    Agora que irão quebrar de vez “eztepaiz”! O povo não pecisa de benefíciose facilidades; Precisa sim de serviços de boa qualidade com preço justo.

  6. toninho
    quinta-feira, 27 de junho de 2013 – 10:34 hs

    Fábio bom dia.
    Existia um movimento ou mesmo projeto para modificar a FICHA LIMPA, facilitando a vida de quem teve contas rejeitadas. Isso sumiu da imprensa.
    Será que desistiram? Quem era o deputado que estava propondo isso? Realmente os Deputados, pelo menos os Federais ficaram assustados com tudo que está acontecendo. Quero ver se alguém tem coragem, hoje, de propor a dita mudança na conceituação de FICHA LIMPA.

  7. Cris!!! Cris!!!
    quinta-feira, 27 de junho de 2013 – 10:43 hs

    Espero que esteja somente começando, o foco agora tem que ser a PEC 33, tentativa de tornar o legislativo plenipotenciário…. De olho no equilíbrio e separação de Poderes, é democracia que se chama o regime de governo no Brasil.

    Temos que ficar atentos e vigilantes. O gigante acordou e tem que ficar assim por muito e muito tempo. #vemprarua

  8. QUESTIONADOR
    quinta-feira, 27 de junho de 2013 – 12:35 hs

    -Estas medidas tomadas pelo governo com medo da repercussão que causou o MPL, não são profundas, são medidas de aparência, cosmética….
    1)Acabar com a PEC 37 não quer dizer que a Justiça seja mais célere, muito pelo contrário. Será ainda mais lenta, como desculpa para analisar melhor os processos, enquanto isso, a Justiça continua lenta e ineficaz.
    2)O Congresso vota projeto em que corrupção torna-se crime hediondo. Pergunto e daí???? Qual a novidade, a população inteira sabe que ninguém é preso e nenhum dinheiro roubado é recuperado por crimes de colarinho branco. Precisamos de leis duras e que sejam cumpridas e não apenas fantoches!!!!
    3)A presidente decretou que metado do dinheiro do Pré-sal será destinado à saúde e educação.Mentira total, se realmente fosse o caso, estas verbas seriam depositadas diretamente nos Núcleos Regionais de Educação e nos Fundos Municipais de Saúde, não passando por intermediários. Outra questão, quem disse que a exploração do Pré-Sall resultará em algum lucro????
    -É por estas e outras que não acredito em nada do que vem do Governo o ou o que o Governo faz, pois não acalenta os anseios da população digna, honesta e trabalhadora….
    -Na verdade é muito imposto arrecadado e nada revertido, tudo acaba em desvio, corrupção, projetos equivocados(Transposição do Rio São Francisco e outros)!

  9. quinta-feira, 27 de junho de 2013 – 13:07 hs

    Meu site não trata destes assuntos. Estou me comunicando para dizer o que penso. Acho absurdo um plebiscito sobre reforma política, pois nosso povo não entende o que lê e será enganado como sempre. Acho que devemos determinar as reformas que queremos, por exemplo a PEC 280 que propõe a redução no número de parlamentares de 512 para 250. Isso economizaria 450.000.000,00 aos cofres públicos. Candidatos sem partidos como o presidente do STF sujere, partido político é reunião de ladrões no Brasil. Por exemplo, o LULA chamou os petitas dos movimentos ligados a ele e mandou pra rua para roubar e fazer quebra quebra, pensou que ia destabilizar o movimento, se enganou, está provado, os baderneiros são do PT. Está dando um trabalho danado para mostrar os mesmos nas campanhas petistas. Podem esperar, voces vão ver em rede nacional.

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