As revistas semanais, segundo Ernesto Vargas | Fábio Campana

As revistas semanais,
segundo Ernesto Vargas

Por favor, leitores com o mínimo de compaixão ! Reservem 50 centavos dos seus ganhos mensais para depositar na conta pessoal de Abílio Diniz, um bilionário brasileiro que vendeu seu conglomerado de supermercados, há quase uma década, e lamenta ter feito um mau negócio. Às páginas amarelas, Diniz afirma que foi ingênuo por não ter sido “tão duro” ao assinar o contrato de venda das dezenas de lojas Pão de Açúcar e Extra aos danados e oportunistas franceses do grupo Casino. Entre outras bobagens, o narciso empreendedor diz que “a vida começa as 76 anos” …que “amanhã ele pretende ser melhor do que hoje” …e que “não passa menos de duas horas por dia na academia”.

Como quem não aceita a idade e suas agruras, o empresário parece discípulo do medíocre e insano guru Lair Ribeiro, um patético explorador da linguística que na década de 90 fez fortuna transformando o óbvio em mantra para rebanhos que precisam se nutrir de futilidades. Diniz perdeu a chance de usar um espaço editorial de certo valor e respeitabilidade nacional, para se postar como paladino do bem estar e vitima do implacável capital estrangeiro! Ruim exemplo aos leitores de Veja ! Já a capa da semanal desce o sarrafo no moribundo Zé Dirceu e depõe contra o bom jornalismo. O texto se apoia no livro recém-lançado pelo editor da própria periódica, Otávio Cabral, uma biografia não autorizada que revela o lado negro do endemoniado ex-ministro de Lula. Como se fosse o pior dos homens que já habitaram as salas e corredores enigmáticos do Palácio do Planalto, Veja mete o prego nas mãos e pés do Zé ! A revista mostra suas várias faces, suas infidelidades conjugais e arrisca afirmar que Dirceu e Lula não se bicavam! Tudo para sobrepor o jornalista à notícia, a maior afronta ao bom jornalismo !!!!! No restante das páginas apenas matérias sem sal….parece que o luto de Veja ainda não passou.

Na falta de temas importantes numa semana insossa, Época capricha na irrelevância estampando o padre Marcelo Rossi na capa, como protagonista de matéria sobre a espiritualidade como arma contra a depressão. Não foi exatamente um furo: é assim desde… que o mundo é mundo. Ou quando Neandertal começou a venerar deuses para lidar com suas protoangústias. Reportagem desnecessária – a não ser para a própria Editora Globo, a mesma que lançou o livro anterior de Rossi. Outra matéria mostra novas modalidades de ensino à distância, incluindo cursos gratuitos ministrados por universidades consagradas de países desenvolvidos – interessante, mas com o curioso patrocínio de uma instituição de ensino superior (a FGV). Cadê a credibilidade?

– parte 2. Aécio Neves, entrevistado da semana na série “Líderes Brasileiros”, promete enxugar pela metade os ministérios, segue na inócua defesa do legado de FHC e se diz a favor do aborto e do casamento gay. A coluna de Felipe Patury relata que o marqueteiro João Santana, depois de fazer campanhas na Venezuela, Panamá e Honduras, abriu uma empresa e uma produtora de vídeo na América Central. Talvez a única matéria com alguma importância é a que mostra ser mero boato o retorno do câncer de Lula.

Já a IstoÉ bate no calcanhar de Aquiles do governo Alckmin e alardeia a escalada da violência na capital paulista, com fartura de números e descrição de casos de crimes cruéis e banais. O governador e sua política de segurança pública não são poupados, e a matéria traz alguns bons exemplos, embora já manjados, de combate à criminalidade: Medellín, Nova York e Rio de Janeiro. Outra matéria diz que madre Teresa de Calcutá, prestes a ser canonizada, não era tão santa assim: tinha ligações com corruptos e histórico de abandonar doentes. Mas a história conta que outros com índole parecida ou pior viraram santos, papas e bispos.

As semanais elegeram personagens em detrimento da notícia bem apurada. Preguiça jornalística ou falta de competência ?


6 comentários

  1. Tango Kid
    segunda-feira, 10 de junho de 2013 – 10:58 hs

    Estou com pena desse coitado. Tem jatos e helicopeteros, mora numa mansão no Morumbi que pega quase uma quadra toda. Gasta em torno de 80 minhões por ano somente com seguranças e aeronaves, paga em torno de 300 mil reias de IPTU. É ou não de dar pena.

  2. Pedro Rocha
    segunda-feira, 10 de junho de 2013 – 11:29 hs

    Não conheço Ernesto Vargas, nem sei quem é, mas ele deve ter pelo menos um tom avermelhado na sua pena!
    Semanalmente, seu texto é dirigido, embora nas filigranas, contra o único periódico brasileiro com alguma coragem pra encarar o comunopestismo e seus nefastos planos futuros.
    Raramente dá destaque aos assuntos mais turbulentos envolvendo o petismo, e quando isso acontece, é pra mostrar o “outro lado”; embora o cacete na revista, e na sua linha editorial, é baixado à vontade.
    Hoje ele se supera, ao dizer que descer o sarrafo em Zé Dirceu é atentar contra o bom jornalismo, e ao desmontar o governo de Alkmin no ítem Segurança Pública, como se esse problema fosse um privilégio dos paulistas e seu incompetente governador, sem co-responsabilidade do Governo Federal, piorando ao TENTAR COMPARAR os programas bem sucedidos nessa área, levados a cabo em Nova York e Medelin, com a prosopopéia político/eleitoreira de Sérgio Cabral/Dilma, e seu bando, enxotados a tiros pelos “bandidos pacificados”, em plena largada da Corrida pela Paz.
    Menas, sr. Vargas; menas!

  3. CESAR ESTE DE UMUARAMA.
    segunda-feira, 10 de junho de 2013 – 11:29 hs

    Mas é aquilo, eu te disse.

  4. PedroHenrique
    segunda-feira, 10 de junho de 2013 – 14:50 hs

    …”Veja mete o prego nas mãos e nos pés do Zé!” – Interessante e curioso: o autor do texto está comparando Zé Dirceu a Cristo; ou Cristo ao Zé Dirceu? –

  5. Doutor Prolegômeno
    segunda-feira, 10 de junho de 2013 – 16:38 hs

    Para quem tem bilhões de reais na conta, a vida começa aos 70, aos 80, aos 90, dependendo das atenções dos médicos e hospitais, pagos a peso de ouro. É só tomar cuidado para não babar na gravata. Além disso, entre viagras e próteses, sexo nunca será problema, bem como lindas e jovens mulheres, sequiosas de uma pensão ou legado. Ah, a vida não pode ser tão bela, como para quem tem zilhões… O dinheiro não traz felicidade, mas, pode mandar buscar em algum lugar…

  6. Mr.Scrooge
    segunda-feira, 10 de junho de 2013 – 18:25 hs

    Novamente externo a minha solidariedade ao autor do post. Se estes semanários fossem gratuitos, como os opúsculos que recebemos nos sinaleiros, ainda seria aceitável. Mas pagar para ler tantas baboseiras já é muita idiotice.

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