As revistas da semana, segundo Ernesto vargas | Fábio Campana

As revistas da semana,
segundo Ernesto vargas

A capa que Roberto Civita jamais editaria !! O criador de Veja, morto na semana passada, virou notícia e ocupa metade das páginas da semanal. Méritos empresariais e editoriais à parte, a revista reforça o lado narciso do jornalista (pleonasmo ?????) com fotos sempre bem posadas, cabelos milimetricamente penteados e sorriso plástico habitualmente pronto a mirar a lente de uma câmera. Ainda recheiam a periódica geniais frases de efeito do dono da ABRIL como “assunto sério e assunto tratado de maneira séria”, “busca honesta da verdade” (assim como, obviamente, a mentira parece ser desonesta) e “ganhar dinheiro nunca foi o nosso objetivo central”, entre outras pérolas atribuídas ao bon vivant e ávido empreendedor. Se Veja buscou homenagear o vaidoso profissional da comunicação acabou por cair na vala comum da pieguice e borrou as páginas com impropérios editoriais. Provável que o finado jornalista cortasse boa parte do que escreveram sobre ele nessa publicação póstuma, com certeza arrependido pelas suas verborragias ao longo da vida ! O luto se imprime no restante da edição, sem destaques na política, economia ou cultura. Quem passou os olhos nos jornalões durante a semana não encontrará novidades em Veja.

A Época traz na capa matéria feita sob encomenda para seu leitor padrão: o “sofrimento” da classe média-alta tradicional com a alta de preços. Ok, o fenômeno é real, e de fato os serviços como lazer, escola, passagens aéreas e planos de saúde aumentam mais que a inflação (o que traz impacto mais visível nas faixas de maior renda). Mas é esperado que num país com desigualdades tão gritantes o crescimento da renda e do nível de vida não sejam uniformes. A revista não exagera no tom, mas os “dramas” expostos pelos personagens, como trocar o restaurante pela praça de alimentação do shopping ou reduzir pela metade os gastos de R$ 800 mensais no salão de beleza não tornam a matéria sedutora. E faltou lembrar que o maior medo daquela parcela conservadora e preconceituosa da classe média é se ver menos “diferenciada” em relação aos milhões de emergentes da classe C, e agora ter que compartilhar o avião e o supermercado com a empregada. Na série de reportagens sobre meio ambiente, a revista discute a possibilidade de os céticos do aquecimento global estarem com a razão, após o estudo britânico que mostrou estabilidade nas temperaturas do planeta nos últimos 15 anos. A revista ainda compartilha a dor da rival Veja com a morte de Roberto Civita, com um texto benevolente que cita, entre outras coisas, a amabilidade do dono da Abril com seus funcionários – com o que nem todos os que estiveram por lá concordam. E a sina de maus filmes produzidos a partir da obra de F. Scott Fitzgerald, comprovada pela nova filmagem do clássico O Grande Gastby, com Leonardo DiCaprio, é definida com primor por crítico ouvido pela publicação: a genialidade do escritor estava no estilo de sua prosa, e não no enredo ou em seus personagens.

O melhor de IstoÉ é a entrevista com Oscar Schmidt, operado pela segunda vez de um tumor maligno no cérebro. À parte as diversas bobagens ditas ao longo e depois da carreira, e o ar infantiloide que sempre transmitiu, o Mão Santa jamais deixou de ser autêntico e agora exibe uma serenidade comovente diante da doença repentina e cruel. A principal matéria de política mostra que Dilma foi obrigada a engolir o jogo fisiológico do Planalto e vem cedendo gordas benesses ao pequeno grupo que articulou vitórias recentes para o governo no Congresso. Outra reportagem prevê que a nova arquitetura e o preço dos ingressos nos estádios pós-Copa criará nova forma de torcer, mais asséptica, teatral, e menos barulhenta. Resta saber se os torcedores organizados, num passe de mágica, se tornarão seres civilizados. A matéria de capa, convenientemente retirada da gaveta numa semana mais curta (a revista antecipou-se às concorrentes e saiu na quinta-feira) retrata Zíbia Gasparetto, que incorporou Rockefeller, Carlos Slim, Bill Gates e congêneres para se tornar multimilionária, falando de espíritos e outras vidas. Sobrenatural.
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> Chegamos ao meio do ano e em meio ao ultimo feriadão ! Voltemos à labuta tão logo para descansar só no Natal!!! Abs


3 comentários

  1. sergio silvestre
    domingo, 2 de junho de 2013 – 11:15 hs

    Um aristocrata de linhagem pó de arroz que não gosta de pobre.
    Sua revista pobre só le e tem proveito de alguma receita de bolo.
    Se fosse uma revista centrada nas coisas serias do pais ,já teriam quebrado a muito tempo.Foi com a meismiçe de quase toda a midia que suportou os gostos caros do seu dono.
    Talvez algum politico lá de Minas a compre para seus anseios megalomaniacos.Dinheiro ele tem,não se sabe de que ceu caiu.
    Depois falam ainda que não precisa uma regulamentação da lei de medios.

  2. fiscal de realeza
    domingo, 2 de junho de 2013 – 12:43 hs

    o velho que se tivesse morrido quando nasceu seria uma soluçao que terria dado certo pois aqui nessa passagem só falou bestera e morreu sem conquistar nada assim como qualquer sujeito ruim morre

  3. silvajr
    domingo, 2 de junho de 2013 – 21:32 hs

    A VEJA já morreu faz tempo, Mainardi e Reinaldo Azevedo acabaram de matar essa joça

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