A resenha das revistas, por Ernesto Vargas | Fábio Campana

A resenha das revistas, por Ernesto Vargas

Rebeldes sem causa ? Ou sobram causas mas faltam rebeldes competentes ? Seja lá o que for, o Brasil é pródigo em fornecer matéria prima para nos indignarmos. Corrupção, violência, aumentos disso ou daquilo… enfim… faltariam dias no ano para a população ir às ruas protestar, tamanha a lista de injustiças do país tupiniquim! Veja embarcou na onda da bagunça e dedicou a capa à mobilização dos jovens em São Paulo e outras poucas capitais. Reportagem foca no perfil dos manifestantes, que, segundo a revista, são jovens de classe média e alta com acesso às universidades públicas renomadas e usufruem dos seus carros aos finais de semana.

Talvez a periódica tenha perdido a oportunidade de mostrar o drama dos cidadãos que acabaram prejudicados pela massa revoltada. Os que perderam horas no trânsito impedido e os que tiveram compromissos relevantes – como consultas ou cirurgias médicas – adiados e cancelados, só para citar dois exemplos. Por falar em confusão, a Veja dessa semana aborda ainda dois temas com uma certa desordem editorial. Em um deles, diz que o Papa Francisco esta de olho no lobby gay fincado na própria casa. O Papa latino considera a possibilidade de agir com rigor para diminuir a onda de relações homossexuais dentro e fora do Vaticano, como se isso fosse algo inédito e atual. Em outra matéria controversa, a revista cita que o Eduardo Campos, foi recentemente perseguido por agentes federais que se infiltraram no Porto de Suape, no Recife, para farejar possíveis irregularidades e, assim, denegrir a imagem do governador de Pernambuco e estancar sua candidatura à presidência. Os quatro agentes, de acordo com Veja, foram presos pela PM pernambucana e estariam em campo a serviço do gabinete da rainha Dilma. Talvez um delírio da número um das semanais.
As diferentes abordagens sobre um mesmo tema são o mais fiel medidor da linha editorial dos veículos de comunicação. Tome-se o exemplo das semanais: enquanto Veja instiga os manifestantes pelo país a combater a corrupção (ou simplesmente o PT, na visão turva da Abril), Época faz leitura pretensamente mais neutra, tentando decifrar o caleidoscópio difuso de insatisfações levado às ruas de São Paulo e outras capitais, e publicando editorial com o autoexplicativo título “Nem baderna nem truculência”. A IstoÉ, por sua vez, ataca de forma mais incisiva a PM paulista e sua repressão desmedidamente violenta, ao mesmo tempo em que a maior cidade do País padece com crescentes índices de criminalidade. Tudo muito natural.
No mais, Época faz um longo e benevolente perfil do prefeito carioca Eduardo Paes (não é o primeiro afago), e a coluna de Felipe Patury diz que Lula ameaça reservadamente disputar a presidência em 2018 – seria uma represália a Eduardo Campos caso o pernambucano se candidate já em 2014, visando ganhar força para daqui a quatro anos. A revista relata ainda as novidades tecnológicas das transmissões para a Copa das Confederações, com destaque para o campo virtual, no qual o telespectador terá a noção exata da visão do jogador em determinado lance; e traz ainda (com chamada na capa e tudo) bombástica e imperdível entrevista com um chef catalão que faz revelação estarrecedora: come de tudo, exceto pimentão. Desde então, o mundo não é mais o mesmo.

Já a Istoé, além da capa sobre os protestos, conta que Carlinhos Cachoeira, mesmo condenado a 40 anos de xadrez, continua comandando a banca nos arredores de Brasília, para deleite de Andressa, a musa da contravenção. Outra reportagem desvenda os procedimentos da justiça mineira que, curiosamente, tem favorecido a defesa do mensalão do PSDB. E seguindo o já habitual resgate da História, a IstoÉ publica uma matéria sobre o motorista de Kombi que poupou a vida do ex-marido de Dilma na ditadura, e outra com a releitura da 2ª Guerra promovida após a localização de escritos do pensador nazista que influenciou Hitler. Por sinal, de algumas semanas para cá o patinho feio entre as semanais tem surpreendido com pautas interessantes e matérias consistentes. Mas seguem faltando articulistas de peso e colunistas com maior credibilidade que Ricardo Boechat.
Continuemos a nossa marcha em busca do pão de cada dia ! Cada um com a sua causa !!!! Abs.


Um comentário

  1. Pedro Rocha
    segunda-feira, 17 de junho de 2013 – 18:33 hs

    Como jornalista, o autor dessa resenha semanal até pode carregar a estrela vermelha na lapela; porém é sua obrigação, esquecê-la na hora de montar seus textos!!!

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