Porto inseguro | Fábio Campana

Porto inseguro

Por Mary Zaidan

Dilma Rousseff, Lula e o PT só pensam naquilo: reeleição, eleição, reeleição. Não necessariamente nessa ordem, já que depende da maré – leia-se, da economia – quem será o protagonista em 2014.

E de tanto pensar no calendário eleitoral, a presidente, que nunca foi lá muito jeitosa na arte da conversação, move-se trôpega na política. Ainda não a ponto de comprometer sua liderança suprema, mas já turvando o cenário que emoldura a ambição de poder eterno do PT.

A MP dos Portos é um exemplo acabado disso. Ninguém em sã consciência é contrário à modernização dos portos do País. Torce-se para que o Brasil consiga desatar os nós cada vez mais cegos pela corrupção, leniência pública e oportunismo privado que se imiscuem há anos nos portos brasileiros.

Mexer nesse vespeiro é um ato de coragem. Mas por que a prepotência? Por que não fazê-lo direito?

A resposta parece estar no fato de Dilma crer que tudo sabe. De seu governo ter aversão à política, diagnóstico expresso nas contundentes críticas que o líder do PMDB na Câmara Eduardo Cunha (RJ) fez em entrevista ao jornal Valor Econômico.

Entre uma estocada e outra, o deputado disse que o governo “não articula e depois quer impor o que o tecnocrata decide”, e que quem escreveu a MP nunca teria visto um contêiner.

Cunha pode ser flor que não se cheire – é réu na Suprema Corte por falsificação de documentos. Mas sua fala traduz com precisão cartesiana o comportamento da presidente.

Especificamente na questão dos portos, Dilma abusou. Buscou apoio de empresários sem se dar conta de que cada um cuidaria de seus próprios interesses. Ganhou Paulo Skaf, presidente da Fiesp, de olho em um trampolim para disputar o governo de São Paulo, Jorge Gerdau e Eike Batista, ambos investidores diretos em portos, e que se digladiam.

Amansou trabalhadores que ameaçavam greve, mas só adiou o embate. E nem deu bola para o Congresso, segura de que a pressão sobre a gigantesca base, ainda que pelas práticas franciscanas do toma-lá-dá-cá, asseguraria a vitória.

Em um flanco, sumiram os votos do PSB do governador Eduardo Campos, que não admite a hipótese de perder poderes sobre o porto de Suape (PE). Em outro, não teve o apoio de parte do PDT de Paulinho da Força (SP) e do PSD de Gilberto Kassab. E o PMDB lhe puxou o tapete.

O governo que angariou a maior base de apoio já vista na história deste País está paralisado por essa mesma base. Por soberba, incompetência e inapetência da presidente. Até agora, uma combinação que só lhe impõe desconforto, mas que tende a se tornar explosiva.

Ainda que Dilma resista a crer, política não é só eleição.

Mary Zaidan é jornalista. Trabalhou nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, em Brasília. Foi assessora de imprensa do governador Mario Covas em duas campanhas e ao longo de todo o seu período no Palácio dos Bandeirantes. Há cinco anos coordena o atendimento da área pública da agência ‘Lu Fernandes Comunicação e Imprensa’. Escreve aqui aos domingos. @maryzaidan


10 comentários

  1. salete cesconeto de arruda
    domingo, 12 de maio de 2013 – 20:00 hs

    Se Mary é INCAPAZ de perceber que é a OPOSIÇÃO sem projetos que só pensa – com seu PIG – em reeleição, reeleição… estamos mal de imprensa. Não por acaso o PADRE da Igreja Nossa Senhora da Paz de Ipanema pediu a DEUS que dê luz para essa tal GRANDE IMPRENSA. Até ele tem percebido que o VIÉS DE DIREITA está cada dia mais evidente. Mary deveria analisar pesquisas para ver quem tem que de fato pensar em reeleição não é Dilma/Lula… é a OPOSIÇÃO que se MATA lutando dentro do PRÓPRIO NINHO – pelo poder!

  2. sergio silvestre
    domingo, 12 de maio de 2013 – 21:24 hs

    Nem tanto só pensar naquilo e sim continuar aquilo de bom que fiseram ao pais.
    Ontem ,aqui em Londrina observei o tanto que o povo está comprando.
    Se estão se individando,tem muito trouxa distribuindo credito que não poderá receber.
    Na verdade todos estão recebendo,é claro que não é mais aquela ciranda financeira e m que o Pais capengava,e o povo acompanhava a passos de tartaruga seu podera aquisitivo.
    Me lembro bem,um salario minimo que era de 60 dolares,dava mal para comprar comida,já que um litro de oleo custava mais que hoje.
    Não entendo porque os jornais de maior circulação dizem que o Brasil vai mál.
    Aquele tempo o Brasil ia bem?
    Acho que a imprensa padece de crises,então fica se agarrando em picuinhas para encher linguiça seus jornais e revistas.
    A veja virou um Candinha,mexeriqueira sem assunto,começou pegar no pé da vida pessoal do presidente Lula.
    Brasilia era uma zona,os palacios estaduais sempre foram uma zona,o FHC dava suas derrapadas e só depois que o filho(do outro) estava moço e que deram a noticia.
    Não vejo o Brasil nos olhos dessas noticias sem credibilidade,vejo o Brasil do trabalhador produtivo feliz.
    Hoje as floriculturas precisaram dobrar os estoques.As mães de pedreiros ,carpinteiros,serventes ficaram felizes com os buques que receberam.
    Se foi pago em prestações ou a vista,o que importa é que o povo tem credito e tem emprego para pagar.
    Quanto aos urubus que goram este governo,que sosseguem,um dia vão ter a oportunidade de novo de governar o Pais.
    Só não façam a caca que fizeram ,ou alguns governos de estado ainda estão fazendo.

  3. carlosrochapedracc
    domingo, 12 de maio de 2013 – 22:33 hs

    Faz 10 anos que 0 PT esta no poder só agora vespera de eleição querem modernizar os portos? ou será fazer caixa de campanha? É triste petrobras quebra, sistema de saúde caos, desemprego em alta, transporte caos, trabalhador pagando imposto e empresários ganhando dinheiro de graça graça corrupção generalizada até Li e os 40 ladrões ficaram pra traz.

  4. Berlarmino
    segunda-feira, 13 de maio de 2013 – 7:49 hs

    Santa parcialidade Batman! Todo político pensa em reeleição e eleição 24 horas por dia. Isso é próprio desse sistema antigo e cheio de privilégios para um pequeno grupo. Não por menos somos tão esquecidos como cidadãos e lembrados apenas em discursos próximo das eleições. Brasil!

  5. Luiz Pguá
    segunda-feira, 13 de maio de 2013 – 8:05 hs

    Concordo com tudo que a articulista escreveu. Interesses gigantes que a presidente não está sabendo contornar; e logicamente, os espertalhões irão jogar em cima dos portuários a culpa por tudo. Vão dizer da indústria de ações que nada mais é que incompetência pura do comando em longevos anos; quero ver alguém dizer na frente de um juiz do trabalho que ele se corrompe, quando na verdade ele julga o ululante desvio de função. Onde está o quadro novo, a mudança de regime, o PDV? Só vejo cento e tantos comissionados nestas paragens, estes sim atravancam o desenvolvimento do porto.

  6. Zé buscapé
    segunda-feira, 13 de maio de 2013 – 9:42 hs

    Sim é verdade que por interesses políticos obscuros, falta de visão empreendedora, ganância, e até se pode dizer por burrice, desprezam questões técnicas mínimas exigidas em qualquer tipo de administração pública ou privada. Para pagar doações de campanha acabam nomeando na maioria das vezes pessoas incapacitadas para cargos importantes como diretores e superintendente no caso de Paranaguá temos vistos anos de descaso e falta de investimentos na cidade e no porto, chegando na situação caótica em que se encontra atualmente.

  7. Pedro Rocha
    segunda-feira, 13 de maio de 2013 – 10:21 hs

    Maravilha essa Mary Zaidan! Oxalá tivéssemos mais jornalistas nesse país, com essa clarividência; esse conhecimento, e principalmente esse total despreendimento político.
    Parabéns Mary!
    Você poderia ter citado só pra exemplificar, nossos “PRÁTICOS”: os famosos flanelinhas de navio; aquele ssujeito sem formação alguma, que sobe no navio por uma corda lá fora da Barra, e orienta o Capitão a atracar sua embarcação.
    Cada homem desses, ganha em média R$300mil reais por mês.
    Em Paranaguá, para uma operação de no máximo duas horas, custa mais de R$ 28mil reais. (U$ 14 mil dólares)
    Sabem quanto o mesmo navio paga no Chile? – U$ 1,200,00.
    Nos EUA U$ 5mil (cinco mil dólares)
    De modos que temos que botar ordem nesse sistema portuário brasileiro. Privatisar tudo, e pronto.
    Mas nunca, obedecendo aos coices e pontapés da presidanta que não conseguiu tocar sequer, uma lojinha de R$ 1,99.!

  8. Doutor Prolegômeno
    segunda-feira, 13 de maio de 2013 – 11:05 hs

    Este governo lulopetista é o exterminador do futuro.

  9. jobalo
    segunda-feira, 13 de maio de 2013 – 12:07 hs

    Os desvios as maracutaias os crimes , são tantos , que o pensamento só podia ser o da reeleição … pois assim ninguem vai investigar nada como ela fez em relação ao Lula que conseguiu quebrar uma empreza que nasceu a quase 60 anos , eu tinha 05 anos , e era a mais competente promissora e tecnológica de todas do Brasil , mas a Dilma em vez de segurar os desvios continuou com incompetentes e sua direção e é o que estamos vendo o barco afundar . Por isso minha querida gente varonil não vote no PT e Nen na Dilma por amor ao Brasil.

  10. Mr.Scrooge
    segunda-feira, 13 de maio de 2013 – 15:13 hs

    Felizmente podemos ver como é a verdadeira cara da presidente, além de parecer sempre estar de mau humor, agora mostra ser autoritária, “dona da bola” para não dizer “professora de Deus”, já que não acredita nele mesmo. Depois escalou duas Luluzinhas para conduzirem a discussão da matéria na base do goela abaixo, ou seja, ou aceita ou aceita, porque a chefe não aceita não. Deu no que deu, perdeu-se ótima oportunidade dos nossos portos entrarem finalmente no século XX.

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