Os maiores medos das mães | Fábio Campana

Os maiores medos
das mães

Ruth de Aquino

Não importa a classe social. Não importa a idade. Ou o endereço e a profissão. Não importa se é casada ou solteira. O maior medo da mãe é que seu filho ou sua filha não seja feliz.

Por mais impalpável que seja esse medo, por mais subjetivo que seja o conceito de felicidade, a mãe, em sua onipotência, acredita ser a pessoa mais essencial para fazer de seu filho ou de sua filha um adulto feliz.

Um dos medos comuns é não ser uma boa mãe – e esse adjetivo tem dezenas de significados. O que é ser boa mãe? Ela costuma ter obsessão em manter o filho e a filha alimentados, agasalhados e saudáveis, qualquer que seja a idade, como se isso os livrasse de todas as maldades do mundo.


Tantas mulheres se culpam pelas desventuras dos filhos. Onde foi que errei? É uma culpa inútil, não leva a nada. Uma culpa perigosa, porque retira dos filhos a responsabilidade por seus caminhos e os infantiliza.

Existe hoje, nas famílias, um medo mais concreto, quase tão paralisante quanto um pesadelo. É um medo maior que o filho ficar sem emprego ou ser assaltado.

As mães receiam que os filhos se viciem em drogas, percam a saúde e o rumo. Esse sentimento foi detectado por uma pesquisa publicada pelo jornal Folha de S.Paulo. As drogas sempre existiram, mas, hoje, elas atemorizam 45% dos paulistanos. É muito. Fácil entender.

Drogas são hoje mais letais e disseminadas. O crack e seus efeitos devastadores estão expostos nas esquinas, nos parques, na mídia. E desafiam governos, que parecem perdidos e impotentes.

Não há campanhas maciças nas escolas nem conversas suficientes em casa sobre os perigos, que podem ser irreversíveis. Vejo, desolada, o choro de mães, amigas ou não, cujos filhos estão internados por cocaína. Eles entram, saem, entram de novo – a luta pela reabilitação é eterna.

Na semana passada, um atleta promissor do Fluminense, Michael, de apenas 20 anos, foi suspenso por uso de cocaína. Com os olhos marejados, Michael admitiu precisar de tratamento. Pode ficar até dois anos fora dos gramados. O problema não é o período de punição imposto a ele, mas sua chance real de se livrar do vício e de não desperdiçar seu talento e sua vida.

Adianta conversar com os filhos? Adianta. Desde cedo. Mas o amor e o rigor maternos não são suficientes. Sempre defendi que escolas levem turmas de adolescentes a presídios e clínicas para escutar depoimentos de quem se deixou destruir pelas drogas.

O rito da iniciação continua o mesmo, lúdico e prazeroso, como se não houvesse amanhã. Antigamente, estudantes fumavam cigarro de tabaco no banheiro da escola para transgredir e se sentir parte da turma. O mesmo acontece hoje com drogas mais letais.


Um comentário

  1. Zé Deodoro de Piraquara
    domingo, 12 de maio de 2013 – 21:17 hs

    Boa noite a todas as mães de Piraquara e da RMC!!!O maior medo que eu e a minha “véinha” temos com as nossas duas netas (moças bonitas, “brancas”, “classe média”…) é o tal do crack…essa é a praga que veio para tirar o sono das famílias, seja pobre, seja rica, seja da onde for (pior que helicóptero de aeroporto clandestino, aliás, perdão pelo neologismo, o maior problema do crack é “aviãozinho” devedor…)!!!Já vivi muito…quando minha filha era jovem a gente tinha medo dos “maconheiros”!!!No segundo filho tinha muita gente encantada pelo “brilho branco”! O alcool e as boletas sempre permeando! As meninas falam que tem também as drogas sintéticas com muito fácil acesso, especialmente nas festinhas!Mas a gente que sempre trabalhou com o público, na interface com as questões de segurança da comunidade, coisa e tal, ainda não tinha visto algo tão avassalador!Que Deus proteja e ilumine toda a juventude para um Brasil de civismo e que ampare todas as mães que convivem com este flagelo!

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