O maior medo | Fábio Campana

O maior medo

Da Míriam Leitão, O Globo

Há 30 anos, em 1983, o maior medo dos paulistanos ouvidos pelo Instituto Datafolha era da inflação; hoje, refeita a pesquisa da mesma forma — com resposta estimulada e única —, o maior medo é de que algum jovem da família se envolva com drogas. O interessante é constatar como estavam certos os que tinham medo da inflação em 1983.

O Datafolha refez a pesquisa para comemorar seus 30 anos. O que chama a atenção, quando se olha para trás, é a sabedoria das pessoas ouvidas.

Em 1983, a inflação estava caminhando para 300% ao ano. E o país travaria, na década seguinte, a mais tenaz luta contra a alta dos preços da sua história.

A ditadura legou ao país o descontrole inflacionário, com um gene mutante, a indexação, que o tornara mais forte. Foi preciso atravessar planos econômicos, experimentos, seis moeda — uma delas a virtual URV — para derrotar o reajuste dos preços que chegou ao patamar de 5.000%.

O medo era real naquele ano de 1983. O país já tinha entrado num túnel do qual só saiu anos depois com muito sofrimento e perdas.

O fato de só 7% terem apontado que este é o maior medo agora não quer dizer, em absoluto, que os brasileiros não se preocupam mais com isso.

Nos últimos meses, os consumidores mostraram várias vezes seu desconforto com os preços, mas eles sabiamente escolheram como maior preocupação “que jovens da família se envolvam com tóxicos”.

As drogas mudaram de patamar. Algumas são agora mais virulentas, desagregadoras e difíceis de vencer, como o crack. Então, de novo, tem razão o entrevistado do Datafolha.

É um desafio para as famílias e para as políticas públicas lidar com a complexidade a que chegou o risco que cerca os jovens.

A queda para 7% do percentual dos que elegem a inflação, se não for bem entendida pelos governantes, pode induzi-los a erros. O brasileiro mudou ao vencer a hiperinflação, em 1994.

Hoje, ele é intolerante com a alta dos preços e reage a cada momento que eles sobem um pouco, ainda que seja para patamares que nem de longe pareceriam graves nas décadas de 50, 60, 70, 80 e até meados de 90. Hoje, o IPCA está um pouco acima do teto da meta e isso é considerado grave, gravíssimo.

Por que então só 7% apontam como seu maior medo? O país acha que ela não está fora de controle e que o governo impedirá que ela continue a subir, por mais que desconfie frequentemente das hesitações que a política econômica tem demonstrado.

Mas a população está ligada ao problema e punirá com queda de popularidade o governo que deixar a inflação fugir ao controle.


12 comentários

  1. sergio silvestre
    sábado, 4 de maio de 2013 – 8:18 hs

    Então,quando a MIRIAN acertou algum prognostico,ou a folha deu alguma variante para acabar com a inflação.
    Quem gostava da inflação eram os especuladores da AV PAULISTA,os maiores anunciantes destes jornalões
    Estão mesmo não é o medo da inflação,mas a continuidade do pt no poder.
    Com a taxa selic em pouco mais de 7%,remoem de raiva sabendo que nada vai mudar,e é o povo que manda agora.

  2. OCIMAR
    sábado, 4 de maio de 2013 – 8:38 hs

    É BOM LEMBRAR QUE A INFLAÇÃO VOLTOU EM 2004,BEM NO COMEÇO DO DESGOVERNO DA MAIOR ABERRAÇÃO POLÍTICA DE TODA A HISTÓRIA DO PAÍS,O DESGOVERNO DO LULADRÃO E SUA QUADRILHA DE VAGABUNDOS.

  3. Jairo Antonio Broch
    sábado, 4 de maio de 2013 – 8:39 hs

    Infelizmente esta também será uma “herança maldita” que o PT deixará para o próximo governo. Eles não acreditaram que após a festa vem a ressaca……

  4. Silvajr
    sábado, 4 de maio de 2013 – 9:54 hs

    Êh mesmo, oito sabe das coisas, tanto é que FHC saiu pela porta dos fundos e os tucanos nunca mais ganharam um eleição presidencial.

  5. Carlos
    sábado, 4 de maio de 2013 – 10:47 hs

    O povo é burro: se esse governo der algum recurso para tratamento de vício – algo como “Bolsa Drogado” – vai ignorar que a inflação está corroendo seu salário…

  6. Silvajr
    sábado, 4 de maio de 2013 – 10:52 hs

    Relembrar é preciso, o Brasil estava à deriva quando FHC entregou o governo: FMI mandando e desmando na nossa economia, apagão, racionamento de energia, afundamento da P36, privatizações escusas, 54 milhões de pessoas abaixo da linha pobreza, PROER dos Bancos, compra de votos para a reeleição de FHC. Desemprego recorde, não havia esperança para os jovens pobres cursar a universidade, a dívida externa era imensa, o povo não tinha crédito e o país não tinha credibilidade. A média de crescimento da economia brasileira, ao longo da década tucana, foi a pior da história, em torno de 2,4%. Pior até mesmo que a taxa média da chamada década perdida, os anos 80, que girou em torno de 3,2%. No período, o patrimônio público representado pelas grandes estatais foi liquidado na bacia das almas. O salário mínimo era um salário de fome. Foram apurados no governo FHC, desvios de R$ 1,4 bilhão em 653 projetos da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, a Sudene. Na era FHC os juros SELIC subiram até incríveis 44,96% ao ano (4), a dívida pública aumentou assustadoramente (apesar das maciças privatizações) e a elevação da carga tributária foi exorbitante. Fala sério senador Aécio, compare o Brasil de FHC do PSDB com o Brasil de Lula/Dilma. É por isso senador Aécio que o povo fala, PSDB nunca mais!

  7. Vigilante do Portão
    sábado, 4 de maio de 2013 – 11:35 hs

    Quem conviveu com o “monstro”, teme seu retorno.

    Ontem, na Folha, um artigo imperdível, do Prof. Mendonça de Barros.

    Fala da leniência do controle inflacionário.

  8. Palpiteiro
    sábado, 4 de maio de 2013 – 13:06 hs

    Logo esta preocupação com a inflação voltará às pesquisas. O governo atual está destruindo 19 anos de trabalho duro do povo brasileiro.

  9. salete cesconeto de arruda
    sábado, 4 de maio de 2013 – 13:16 hs

    Miriam virou REGINA?
    Rsrsrsrsrsrsrsrs

  10. Vigilante do Portão
    domingo, 5 de maio de 2013 – 8:19 hs

    Silva Jr., Estuda um pouco mais,

    Hitler, foi ELEITO várias vezes, seguidamente, entre 1933 e 1945.
    Seu Partido, o NAZISTA, era Hegemônico.

    Curiosamente, Subjugou o Judiciário, concentrou poderes no Executivo e no Partido, distribuido em “comitês”.
    Alinhou a máquina Estatal, pois para ser funcionário, o requisito era ser “do Partido”.

    Os “COMUNAS” da antiga União Soviética, também foram seguidamente “eleitos”.
    Do mesmo modo, colocaram as instituições sob seu jugo.

    Para ingressar no Judicíário, Ledgislativo, Executivo, ou nas incontáveis Estatais, só sendo filiado ao Partido Comunista .

    O Muro caiu, varrendo a URSS.

    Em Cuba, a falida ilha, existem os famosos CDR’s – Comites de Defesa da Revolução.

    Responsávis por “dedurar” quem não “colabora” com o Partido.
    Mais,
    Para que um Cubano RECEBA uma visita de estrangeiro, só com AUTORIZAÇÃO do CDR, que, em querendo, manda um representanta para acomnpanhar a visita.

  11. Raphael
    segunda-feira, 6 de maio de 2013 – 4:42 hs

    Hahahha, muito boa vigilante. Ótima piada, mandar estudar depois escrever um monte de besteira.

  12. Raphael
    segunda-feira, 6 de maio de 2013 – 4:48 hs

    Percebe-se que o chargista não sabe merda nenhuma antes de palpitar sobre economia. Vários itens sujeitos a fatores sazonais, ou aumentos pontuais. Mas e aí, qual é a da inflação? Aumenta por causa do maior consumo? Ou por causa dos indexadores?
    Não adianta perguntar, esse pessoal não sabe nada mesmo.

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