Sob pressão do Planalto, PT obriga senadores a votar a favor do projeto que isola rivais de Dilma | Fábio Campana

Sob pressão do Planalto, PT obriga senadores a votar a favor do projeto que isola rivais de Dilma

Em visita ao Senado, Rui Falcão poda as asas de senadores contrários ao ‘casuísmo’.

Do Josias de Souza:

Sob pressão do Planalto e de Rui Falcão, seu presidente, o PT do Senado fechou questão em torno da aprovação do projeto que restringe o acesso de novos partidos às verbas do fundo partidário e ao tempo de propaganda no rádio e na tevê. Significa dizer que os petistas que ousarem votar contra a proposta, urdida com o objetivo de isolar os prováveis rivais de Dilma Rousseff em 2014, sujeitam-se a punições que vão da mera advertência à expulsão.

Noticiada no site de sua bancada no Senado, a decisão do PT chegou menos de 24 horas depois de um discurso do senador petista Jorge Viana (AC). Ele escalara a tribuna na véspera para anunciar que apresentaria uma emenda à proposição, adiando para depois das eleições de 2014 o aperto nas regras. Do contrário, dissera Viana, a investida contra as novas legendas pareceria “casuísmo” e “esperteza”.

Perguntara-se ao senador Viana se não receava contrariar os interesses do condomínio governista. E ele, incrédulo: “Ora, sou vice-presidente do Senado, sou do PT e, pelo menos comigo, ninguém falou sobre tal assunto. O estranho é que ficam pondo isso na conta do governo e da presidenta Dilma.”

Dando azo à pseudo-independência da bancada, o líder do PT no Senado, Wellington Dias (PI), informou que concordava com a emenda de Viana. Embora não alardeassem, pelo menos outros dois senadores petistas –Paulo Paim (RS) e Lindbergh Farias (RJ)— mostravam-se dispostos a brecar a estratégia à qual Viana dera nome e sobrenome: “casuísmo” e “esperteza”.

Ao farejar o cheiro de queimado, os operadores de Dilma agiram com a rapidez de um raio. E Rui Falcão apressou-se em fazer uma visita ao companheiro Wellington Dias. Depois, o líder reuniu seus liderados a portas fechadas e, ao final do encontro, soltou uma nota. No texto, atribuiu os arroubos e insubordinações da véspera a incorreções dos repórteres. Anotou o seguinte:

“A bancada do PT, em reunião nesta terça-feira (23), decidiu esclarecer informações incorretas trazidas pela imprensa na data de hoje, em versão segundo a qual os senadores do PT votariam contra o projeto de lei […] que veta a transferência do tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão e dos recursos do Fundo Partidário relativos aos deputados que mudam de partido durante a Legislatura.”

Assinada pelo líder Wellington, a nota acrescenta que “os senadores do PT votarão a favor deste impedimento” enrolados numa das “bandeiras históricas” da legenda: o “respeito à fidelidade partidária”. E repisa a tese esgrimida na Câmara: “A transferência de parlamentares de um partido para outro, seja ela efetuada por meio de união, fusão, substituição etc., não dá direito ao parlamentar de levar consigo os direitos de acesso ao fundo partidário e à propaganda eleitoral.”

Suprema ironia: chama-se Gilberto Kassab o principal idealizador do projeto que mobiliza o condomínio pró-Dilma. O mesmo Kassab que, após abandonar a oposição e virar governista em pleno voo, criou um partido, o PSD, para recepcionar os políticos descontentes de todos os quadrantes. Nessa época, o Planalto estendeu a mão a Kassab. E o PT absteve-se de desenrolar sua “bandeira histórica” na hora em que a nova legenda obteve na Justiça as verbas e o tempo de propaganda que promete entregar a Dilma em 2014.

Muda-se de posição agora porque deseja-se liquidar a reeleição de Dilma no primeiro turno. Para que isso ocorra, o consórcio que governa o país precisa asfixiar a Rede, legenda que Marina Silva tenta empinar, e todas as agremiações cujo parto é associado ao projeto de Eduardo Campos (PSB) –entre elas o MD de Roberto Freire e o Partido da Solidariedade, de Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical. Para Lula e Cia., a disputa dos sonhos em 2014 é uma nova eleição polarizada entre o PT e o PSDB de Aécio Neves.

Amigo de Marina Silva, uma ex-petista com quem milita na política há três décadas, Jorge Viana foi adaptando suas declarações à medias que evoluíam as circunstâncias. Ele não compareceu à reunião em que sua bancada fechou questão a favor do polêmico projeto. Num primeiro momento, reagiu assim: “Tenho minhas posições pessoais, tenho coerência e história. Nem sempre o que se vota aqui é por ordem de alguém. Temos que mudar a legislação eleitoral para todos, e não com o jogo andando, e para alguns.”

Decorridas algumas horas, Viana soou mais suave: “Parece que a bancada levou em conta a fidelidade partidária, então minha posição pesa menos. Vou ver se me liberam, nunca fui um rebelde.” Vice-presidente da Câmara, o deputado André Vargas (PT-PR) pegou o bonde em movimento. Antes mesmo da reunião dos senadores petistas, soltou raios e trovões: “O partido tem que ter uma posição unificada, respeitar a posição da maioria. Tem que expulsar o Jorge Viana e trocar o líder [Wellington Dias].”

No seu timbre de mata-e-esfola, o companheiro André Vargas chegou mesmo a dizer que os laços acreanos que ligam Viana a Marina não servem de atenuante: “Aquele Estado [Acre] está parecendo uma ONG. A Dilma levou uma surra lá [em 2010] por causa desse charminho dele.”


14 comentários

  1. Alvino Rodrigues Magalhães
    quarta-feira, 24 de abril de 2013 – 13:48 hs

    E agora Sr. Jorge Viana? só existem duas alternativas, manter e colocar em prática sua opinião, ou, fazer e igualar a tantos outros senadores, pelo que se vê a segunda hipótese deve prevalecer como sempre.

  2. marcio jose nantes
    quarta-feira, 24 de abril de 2013 – 14:16 hs

    DITADURA DO PT, APRENDEU RAPIDO QUE O PODER É BOM..

    POR ISSO QUE INCENTIVA A DITADURA DE CUBA, VENEZUELA, EQUADOR, IRÃ.

    NADA É ETERNO,

  3. Parreiras Rodrigues
    quarta-feira, 24 de abril de 2013 – 14:19 hs

    Se a História está certa, é esse o procedimento em ditaduras, em regimes de exceção.

  4. Doutor Prolegômeno
    quarta-feira, 24 de abril de 2013 – 14:39 hs

    Logo votarão o partido único, o partido da verdade absoluta. Logo exigirão saudação de braços estendidos, passo de ganso e sieg-heil. O caminho da servidão.

  5. Ed
    quarta-feira, 24 de abril de 2013 – 15:41 hs

    E alguém ainda duvida de que o PT é Stalinista?

  6. Democracia e paz
    quarta-feira, 24 de abril de 2013 – 18:31 hs

    É um retrocesso para a democracia brasileira, estamos copiando o regime politico da Venezuela, Cuba e de alguns países do oriente médio e Africano, depois de tanto, sofrimento e luta para chegar onde estamos, nossos políticos ater a esse desmando.

  7. Dieter
    quarta-feira, 24 de abril de 2013 – 21:02 hs

    Então é isso que a Dilma entende por Democracia?
    Por mais hediondo que seja a gestação de novos partidos o direito de criá-los deve ser rspeitado. Este projeto nessa altura da campanha(e nao digam que não é) é puto casuísmo.

  8. Dieter
    quarta-feira, 24 de abril de 2013 – 21:03 hs

    Ops! quis dizer “puro casuísmo”.

  9. Jo Hansen
    quarta-feira, 24 de abril de 2013 – 23:06 hs

    Caro FÁBIO, pelo andar da carruagem, os petistas piscaram, deram o primeiro sinal do esfacelamento. Já não era sem tempo.
    Agora é só esperar e ver a quadrilha derreter, enquanto a gerente presidente DILMA, continuará fazendo a sua campanha. A sociedade honesta aguarda que a parcela do eleitorado perceba que os petistas estão utilizando a jovem democracia brasileira para deturpar o que foi construído e conquistado até esta data. E esse monumento construído não é esse socialismo espúrio das aves de rapina, que estão dilapidando o capital moral da população brasileira. Atenciosamente.

  10. Helena
    quarta-feira, 24 de abril de 2013 – 23:58 hs

    O PT prega tanto a democracia, criticou tanto a falta de liberdade de expressão da ditadura, mas na prática, age completamente ao contrário de seu discurso.

  11. quinta-feira, 25 de abril de 2013 – 10:12 hs

    com a palavra, sergios e saletes.

  12. quinta-feira, 25 de abril de 2013 – 10:19 hs

    esse senhor deveria estar numa casa para idosos.

  13. QUESTIONADOR
    quinta-feira, 25 de abril de 2013 – 13:10 hs

    -É esta a “democracia” que os petistas querem para todo o Brasil!!!!
    -É esta a “democracia” que os terroristar tentaram implantar na década de 60 e 70!!!!

  14. salete cesconeto de arruda
    quinta-feira, 25 de abril de 2013 – 21:42 hs

    Quem vivia dizendo que o Brasil não precisa de mais partidos?
    Quem?
    Quem?
    Mais um para ALUGAR BARRIGA para o PIG?
    Viva a BLOGOSFERA!

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