Sta. Maria: MP denuncia 4 por homicídio doloso qualificado | Fábio Campana

Sta. Maria: MP denuncia 4 por homicídio doloso qualificado

Do Globo:

PORTO ALEGRE – O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP) acatou apenas em parte as conclusões do inquérito policial que investigou a tragédia na boate Kiss, que matou 241 pessoas na madrugada de 27 de janeiro, em Santa Maria. Foram denunciados nesta terça-feira por homicídio doloso qualificado os empresários Mauro Hoffmann e Elissandro Spohr, donos da boate, e os integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Bonilha Leão. A denúncia foi encaminhada à Justiça.

Os quatro denunciados foram acusados de homicídio doloso porque conheciam o risco das ações e porque, a despeito de todas as circunstâncias desfavoráveis, não impediram que a tragédia ocorresse. O promotor Joel Dutra apontou duas qualificadoras para a denúncia do MP: morte por asfixia e motivo torpe, já que a motivação para o risco apontada pela promotoria foi conduzido por interesse financeiro.

– A asfixia por gases tóxicos constitui uma morte cruel. A motivação pecuniária, que determinou o uso de fogos de artifício inadequados e uma espuma altamente inflamável no teto da boate, constituem um motivo torpe para os homicídios – definiu Dutra.

Outras duas pessoas foram denunciadas por fraude processual, por anexarem documentos ao processo que não constavam dos laudos originais anti-incêndio da boate. Foram denunciados por fraude processual os bombeiros Gerson da Rosa Pereira e Renan Severo Berleze.

Também foram denunciados por falso testemunho Elton Cristiano Uroda, ex-sócio da boate Kiss, e o contador Volmir Pastor Panzen, que não aparecia no inquérito policial mas foi acusado de tentar ocultar a participação do empresário Eliseu Spohr, pai de um dos sócios do empreendimento e apontado pela promotoria como sócio oculto da boate. Segundo Dutra, o empresário fazia aportes financeiros e também retiradas da boate. O promotor disse que irá recomendar à associação dos parentes das vítimas a responsabilização patrimonial de Eliseu, que é dono da GP Pneus.

Os outros oito indiciados pela polícia não foram denunciados pelo MP. A promotoria pediu mais investigações sobre a participação da mãe e da irmã do Elissandro Spohr, Marlene Terezinha e Ângela Aurélia, na implantação do “cenário causador das mortes”. Além disso, os servidores públicos Miguel Caetano Passini e Beloyannes Orengo de Pietro Júnior, indiciados pelo crime de lesão corporal de natureza culposa, não tiveram participação nas causas da tragédia, segundo o MP.

Os indiciamentos de Ricardo Pasch, que era gerente da boate, e dos servidores públicos Luis Alberto Carvalho Júnior, secretário de Meio Ambiente, e Marcus Vinícius Bittencourt Biermann, que emitiu o alvará de localização da Kiss, foram arquivados. Ricardo, que é namorada da irmã de Elissandro, foi arrolado como testemunha no processo pelo MP.


Um comentário

  1. Tubarão
    terça-feira, 2 de abril de 2013 – 20:25 hs

    Autoridades???? Nenhuma!!!! Se houvesse fiscalização, a boate estaria fechada. Isto é uma vergonha. A politiqueira sempre se safa.

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