Corte de imposto não chega à cesta básica | Fábio Campana

Corte de imposto não chega à cesta básica

De Fernando Jasper, Gazeta do Povo:

Pelo menos no caso da cesta básica, a tentativa do governo de segurar a inflação via desoneração de impostos parece não ter resistido a algumas leis fundamentais da economia.

Quase um mês após o anúncio da presidente Dilma Rousseff, alguns produtos realmente ficaram mais baratos, mas em nenhum o efeito da isenção tributária foi totalmente repassado ao consumidor. E alguns itens desonerados estão até mais caros, caso das carnes e do creme dental. Ao que tudo indica, os preços continuam obedecendo aos fatores de sempre, como a relação entre oferta e demanda e o grau de concorrência na produção e na venda dos produtos.

Em Curitiba, os preços dos 16 itens da cesta básica caíram, em média, 4% nos primeiros dez dias após a desoneração, conforme reportagem da Gazeta do Povo de 20 de março. Mas, desde então, o custo médio subiu 4,3%. Resultado: na última quarta-feira, os valores eram quase iguais aos de 8 de março, quando a retirada de impostos foi anunciada. Mais precisamente, o valor médio subiu 0,1%, conforme cálculo feito pela Gazeta com base em levantamentos do serviço Disque Economia, da prefeitura de Curitiba.


Desonerados

Metade dos produtos da cesta já era isenta de impostos federais. Considerando-se apenas os oito itens desonerados no mês passado, o custo médio recuou 0,8%. Papel higiênico (-5,9%) e café (-3,5%) lideraram as quedas. Na outra ponta da tabela, as carnes ficaram 2,1% mais caras, em média.

Há casos curiosos. O preço médio de seis marcas de sabonete – que perdeu 12,5% de PIS/Cofins e 5% de IPI – oscilou alguns centavos desde a desoneração, mas anteontem estava igual ao de um mês atrás (R$ 1,43). O creme dental, mesmo deixando de recolher um tributo de 12,5%, passou de R$ 1,67 para R$ 1,68, na média de três marcas. O óleo de soja (900 ml) ficou 1 centavo mais barato, indo a R$ 3,11, embora sua alíquota de PIS/Cofins tenha baixado de 9,25% para zero.

Concorrência

“Uma redução de imposto nunca é totalmente repassada para o preço. E a proporção que chegará ao consumidor vai depender de uma série de condições. Mercados oligopolizados [controlados por poucas empresas], por exemplo, são menos propensos a fazer o repasse”, explica Marcelo Curado, professor de Economia da UFPR.

O mercado de óleo de soja, diz o economista, é um oligopólio, e por isso seu preço está muito mais sujeito às oscilações do mercado internacional que ao peso dos tributos. O mesmo ocorre com o açúcar, outro produto desonerado, que chegou a ficar 9% mais barato em meados de março mas subiu quase na mesma proporção em seguida. O pacote de 5 quilos, antes em R$ 9,97, sai agora por R$ 9,91, em média.


8 comentários

  1. LUIZ
    sexta-feira, 5 de abril de 2013 – 11:10 hs

    NÃO CHEGOU E AINDA AUMENTOU OS PREÇOS,LOROTA DESSES LADRÕES PRA ENGANAR A NÓS OS TROUXAS,ESSA ELEVAÇÃO DE PREÇOS COM CERTEZA TEM ALGUMA COISA A VER COM ARRECADAÇÃO DE DINHEIRO PARA AS CAMPANHAS DOS COMUNOCORRÚ–PT–ISTAS,2014 ESTA CHEGANDO.

  2. flavio luiz
    sexta-feira, 5 de abril de 2013 – 11:25 hs

    Estão brincando com o povo, faça igual eu, confira mês a ~mês os preços, não preciza muito 3 ou 4 produtos, aí vai ver o quanto os preços mudam e sempre a mais.
    O turma do PT conseguiu fazer lavagem celebral no povão, e o pior inclusive em até pessoas exclarecidas.

  3. @deMoura__
    sexta-feira, 5 de abril de 2013 – 11:29 hs

    COMERCIANTES LARÁPIOS. MERECEM A FALÊNCIA.

  4. Gardel
    sexta-feira, 5 de abril de 2013 – 12:49 hs

    Com essa a Dilma acaba de arrebentar com a população pobre. Pois o preço da alimentação acabou subindo.

  5. Darcy
    sexta-feira, 5 de abril de 2013 – 13:13 hs

    E Gleisi em campanha falando ao contrário em nome do poder
    Pra ela está está tudo uma maravilha (a enganação)

  6. Parreiras Rodrigues
    sexta-feira, 5 de abril de 2013 – 13:14 hs

    Desde a indústria, desde a produção, passando pelo atacadista, pelo atravessador, a desoneração não chega ao consumidor. A lei do comércio é a lei do cão.

  7. Francisco Carlos
    sexta-feira, 5 de abril de 2013 – 13:49 hs

    Só aumentou o lucro dos donos de supermercados.
    A população tem que se mobilizar e se manifestar.

  8. Xerpa
    sexta-feira, 5 de abril de 2013 – 14:37 hs

    É pura ilusão, quando existe desoneração fiscal a vantagem fica com os empresários. Com a isenção do Diesel para o transporte coletivo representará R$.0,05 (cinco centavos) em média na redução do valor das passagens, ou seja nada. Enquanto isso, o Estado deixará de arrecadar algo em torno de R$.30.000.000,00 a R$.50.000.000,00, dependendo da extenção do benefício. Valor que poderia alavancar projetos sociais de maior relevância. Afinal, Idosos não pagam passagem, estudantes pagam meia e trabalhadores tem o vale transporte. Para que mais benefício, as empresas já não pagam IPVA, tem isenção de IPTU e não enefrentam concorrência. Não devem visar lucros exorbitantes, afinal são concessões públicas.

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