Cantina italiana tira o tomate do menu em protesto contra a inflação | Fábio Campana

Cantina italiana tira o tomate do menu em protesto contra a inflação

De Cley Scholz, O Estado de S.Paulo:

SÃO PAULO – Apesar da larga presença do tomate na culinária italiana – do filé à parmegiana à pizza mussarela, passando pela bruschetta – a tradicional cantina Nello’s, de São Paulo, resolveu banir o alimento do seu cardápio. A mudança radical no menu está explicada em um cartaz na porta de entrada, onde o proprietário, Augusto Melo, manifesta seu protesto contra a inflação. “Em respeito à nossa história, nos recusamos a aceitar a alta exagerada de preços o tomate”.

O preço do tomate no atacado, na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), chegou a R$ 4,11 o quilo em fevereiro, o dobro de valor em fevereiro do ano passado. Logo após a Páscoa, o preço saltou para R$ 9,00 no atacado e já chega a R$ 12 nos supermercados.

“Para uma cantina italiana, este tipo de situação é extremamente desagradável, mas temos um compromisso com preços justos para a nossa clientela”, justifica Augusto Melo. Segundo ele, a caixa de tomates de 20 quilos custa normalmente entre R$ 20 e R$ 35, mas na semana passada chegou a R$ 180 no mercado atacadista. Ele costuma comprar uma tonelada de tomates por semana para servir cerca de 200 refeições por dia durante a semana e 400 aos sábados e domingos.

O proprietário da cantina, que funciona há 38 anos no bairro de Pinheiros, divulgou um manifesto no Facebook com a explicação de que o boicote ao tomate vai continuar enquanto os preços não voltarem ao normal. Mais de 500 internautas haviam manifestado apoio ao protesto até a tarde desta quarta-feira.

“Nem nos tempos de hiperinflação os preços variavam tanto e de forma tão brusca”, desabafa o empresário. Segundo ele, não existe explicação aceitável para a alta dos preços. “O que mais preocupa é que os preços jamais voltam ao nível anterior depois da elevação”, reclama. Ele contesta a postura do governo Dilma em relação ao assunto: “O governo insiste que devemos trocar um pouco de inflação para termos crescimento, mas preferimos ficar sem mercadoria a repassar um aumento abusivo para os nossos clientes.

Os fregueses do restaurante estão sendo orientados a trocar o filé a parmegiana pelo filé a milanesa, e o tomate não entra mais nem nas saladas. Segundo Augusto Melo, até agora ninguém reclamou. Ao serem informados dos motivos da falta de tomate, todos concordam e prometem boicotar o produto também nas compras domésticas.

O empresário defende que todos os consumidores passem a boicotar os preços que estão subindo exageradamente, inclusive na hora de comer fora de casa. “Eu saio muito para visitar outros restaurantes, para saber como está o mercado, e tenho ficado assustado com os preços que estão cobrando por aí”, reclama. Segundo ele, a única forma de evitar a volta da inflação é a população se conscientizar e parar de aceitar abusos.

Feijão. A alta do preço do feijão carioquinha também provocou um protesto de outro estabelecimento comercial em São Paulo. O supermercado Joanin, de São Caetano, colocou um aviso na gôndola de cereais orientando os consumidores a optarem por outros produtos enquanto os preços não voltam ao normal. Diz o aviso: “Os preços do feijão carioca subiram muito porque os produtores reduziram a área plantada. Por isso a falta do produto. Como sugestão, troque o feijão por outros alimentos: feijão preto, fradinho, ervilha, fubá (polenta). Reduza a compra do feijão carioca. A situação deve melhorar em 30, 45 ou 60 dias”. Procurada, a rede não se manifestou.


13 comentários

  1. Francisco
    quinta-feira, 4 de abril de 2013 – 9:55 hs

    Parabéns ao Augusto, devemos todos fazer o mesmo não só com relação ao tomate mas com tudo que está subindo, a inflação se armando.

  2. raulino
    quinta-feira, 4 de abril de 2013 – 10:09 hs

    Ai pessoal,sabemos que a DILMA é fera na administração do pais,mas se ninguem trabalhar não tem como o pais ir para frente então vamos sair da net e ir a luta , plantá tomate , feijão e verduras
    PS. Sobe o salario minimo regional do Paraná ( trabalhadores rurais e domésticos) em mais 10% … quem paga a conta?

  3. luiz eduardo
    quinta-feira, 4 de abril de 2013 – 10:35 hs

    Caro Fabio, estive na terça feira, na feirinha aui da silveira peixoto entre as
    avenidas silva jardim e iguaçu, se e que podemos chamar de feirinha,la
    era caso de policia, pois tinha uma das bancas, vendendo aquele tomate,
    cereja, que de cereja nao tem nada, a bagatela de 50,00(cincoenta reais)
    o kilo.o que justifica isto se nao a ganancia destes feirantes e atravessadores. Se a imprensa nao nos ajudar nao temos a quem recorrer,pois este procon so da entrevista e nada faz, como tambem outras autoridades. Sugiro pla importancia do teu blog e revista uma campanha em combate aos abusos, que este pessoal esta praticando.
    BOICOTE, DEIXAR APODRECER ESTES PRODUTOS, E BUSCARMOS ALTERNATIVAS E ELES QUE FAÇAM OTIMAS SALADAS. Dia desses,um feirante honesto ali da 29 de março aos domingos, me disse, que os demais colegas queriam fazer um abaixo assinado, para a feira ir ate as 13 horas. Ele disse eu naos preciso, pois bem antes do meio dia ja nao tenho mais produtos, nao adianta aumentar o horario, e sim trabalhar com preços justos. Pois o consumidor nao e burro mais.

  4. tadeu rocha
    quinta-feira, 4 de abril de 2013 – 11:22 hs

    PARABENS A CANTINA ITALIANA, VAMOS DAR UM BASTA NISSO BASILEIROS, ESSA ALTA DO TOMATE, NAO SÓ É O TOMATE, ONTEM FUI AO MERCADO FIQUEI COM A BOCA ABERTA DE OUTROS PREÇO, ENQUANTO D, DILMA ESTA MONTANDO UM ORGAO , OU COISA PARECIDA EM CTBA PARA MINISTRA, PORQUE ESTA CHEGANDO AS ELEIÇOES, COM UM CUSTO MILIONARIO, ESSE ORGAO QUE DILMA ESTA ABRINDO, PARA MINISTRA, PORQUE ELA NAO CUIDA DESSES PREÇO ABSURDO QUE NÓS ESTAMOS PASSANDO, COMO DIS O DITADO NÓS MEREÇEMOS

  5. JULIO CESAR DE SISTI
    quinta-feira, 4 de abril de 2013 – 11:26 hs

    Parrabens pela iniciativa de Augusto Melo!!! Só boicotando produtos e serviços é que teremos preços mais justos. A ganância é alimentada pela falta de atitude das pessoas em simplesmente não comprar produtos e serviços com preços fora da realidade!!!

  6. Nello Morlotti
    quinta-feira, 4 de abril de 2013 – 11:43 hs

    O Nello é o Cara !!

  7. Luciano
    quinta-feira, 4 de abril de 2013 – 12:46 hs

    Se o pequeno produtor que planta o tomate nao esta plantando, nao tem produto.simples assim. Parem de reclamar dos precos e vao platar tomates entao. Eu tenho uma hortinha aqui em casa e sempre planto uns 10 pes, e sempre tenho tomate. Se eu fosse vender a minha pequena producao iria cobrar uns 100,00 o quilo. Houve uma quebra na producao entao leiam e analisem e parem de somente criticar. Ao inves de comer tomates comam abobora que ta barata.

  8. CESAR - barraquinha.
    quinta-feira, 4 de abril de 2013 – 12:57 hs

    Raulino, voce disse bem, era tudo o que eu queria dizer. Trabalho o dia inteiro, tiro apenas uns minutos para ler o Fabio e no mais é suor e trabalho. Sou fazendeiro e planto/produzo frutiortigranjeiros, mas com este aumento que querem dar para o salario regional, não encontro outra saida, aumentar mais uma vez o tomate.
    VEjo uns do contra a Dilma, que em fez de trabalhar ficam ai dando pitacos onde não devem.

  9. julio cesar
    quinta-feira, 4 de abril de 2013 – 13:20 hs

    sobre este assunto, repito o quedisse o nello, Julio cesar é cara!

  10. Mr.Scrooge
    quinta-feira, 4 de abril de 2013 – 21:01 hs

    Que empresário bonzinho, tão concensioso, pena que não passe de pura demagogia. Ou de puro marketing. ACarlos

  11. sexta-feira, 5 de abril de 2013 – 0:09 hs

    Gostaria de elogiar ao extremo a posiçao Do dono da cantina em Sao Paulo!!!Meu Amigo PARABENS pela sua postura!!!Acredito que só dessa forma consseguiriamos mudar esse nosso PAÍS…Num PAÍS tâo Rico e com tanta fartura,não podemos admitir que isso possa acontecer!!!Mas infelismente isso acontece não só com o tomate,feijao e etc…Infelismente acontece com quase tudo nesse NOSSO PAÍS!!!!!!!!!!
    Olha o salário minino?Subiu e o que resolveu???NADA!!!Pois as coisas subiram muito mais que o aumento do salário!!!
    Infelizmente NÒS somos a Nação que mais paga impostos no planeta!!!O PAÌS que mais arrecada,e de uns anos para cá tambem somos o PAÌS é o mais caro para se viver!!!!
    E isso nossa PRESIDENTE não fala!!!Ou melhor,ninguem do PT fala!!!E isso porque eles são do Partido Trabalhista(ou melhor,partido do povo)!!!Que povo?????Com esses preços?????
    Mais uma vez quero dar meus PARABÉNS ao dono da Cantina,e a rede de supermercado!!!Só com atitudes como estas podemos conseguir melhorar as coisas nesse nosso PAÍS!!!!
    Deveriamos fazer isso com carros zero!!!Deveriamos todos ficar sem comprar carro zero por uns 6 meses!!!Daí eu queria ver se os preços não iriao diminuir ,e muito!!!Não ia ter arrecadaçao de impostos!!!As Fabricas nao iriao vender nada,e ía forçar o governo BAIXAR os ALTOS E ABSURDOS impostos dos carros novos!!!Que isso chega a 50 por cento do valor de cada veiculo!!!!Isso é um ABSURDO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  12. mari
    sexta-feira, 5 de abril de 2013 – 14:48 hs

    se todos se unissem e fizessem como esses comerciantes não existiria inflação no Brasil

  13. sexta-feira, 5 de abril de 2013 – 23:09 hs

    O debate sobre a alta nos preços do tomate vem repercutindo fortemente nas redes sociais. São várias as brincadeiras e posts. Sendo assim, resolvi mexer também nesse molho.

    Para quem conhece a cadeia produtiva e oferta, sobretudo nos grandes centros urbanos de alimentos vegetais, hortaliças e leguminosas, a subida desses preços demonstra o que no Brasil se chama de “lei da oferta e da loucura”.

    A grande verdade é que os preços das hortaliças e leguminosas no país são direta e proporcionalmente vinculados aos preços do tomate e da alface. Até mesmo classes sociais com menor poder aquisitivo prefere, em primeiro lugar, tomate e alface, que inclusive tem um preço histórico acessível. Comparativamente, lembram-se do termo “preço de banana?”

    Pois então, o preço baixo do tomate e da alface pressiona para baixo o preço das demais hortaliças e leguminosas. Quando eles têm o preço apreciado, levam consigo, os demais produtos, que em geral, são a segunda opção.

    Pois então, o tomate tem um ciclo de produção relativamente curto variando de 4 a 7 meses. Evidentemente que problemas climáticos tenham criado uma volatilidade nos preços, mas não há maiores problemas agrícolas para a sustentação nesses novos patamares. Não houve quebra de safra que tenha sido causadora tão forte como esse aumento e manutenção durante todo esse período.

    Para as donas de casa, uma clara visão de que não há grande falta de estoques é que nas feiras e mercados, ainda se encontram oferta abundante, apesar do preço alto, de tomate maduro, vermelho. Ora, caso houvesse falta grave de suprimento, a colheita seria desesperada até para se manter o lucro, ofertando tomates ainda verdes, já que haveria falta. Mas, ao contrário, tomates maduros, bonitos e brilhantes.

    Os fundamentos do desenvolvimento econômico e social carregam uma evidência empírica comprovada na hipótese de que existe uma correlação entre o nível de eficiência e a taxa de crescimento econômico. Países dotados de boas instituições crescem mais rápido. No caso, temos uma enorme assimetria de informações, falha grave da regulação, das instituições.

    As forças da natureza são consideradas como fator primário da riqueza e pobreza das nações. Mesmo assim, somente a evidência não serve para caracterizar a geografia como influencia primária da prosperidade; mas é verdade que há uma correlação entre ambas. Aqui, nossa disponibilidade de terra, água e solo em ótimas condições para produção de alimentos.

    Enquanto não corrigem as assimetrias de informações, essas dicotomias sobressaltam. E os brasileiros, por enquanto, acabam até mesmo fazendo piada sobre o alto preço do tomate… Até tu, “tumate”?

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