Brasil subutiliza estrutura para atividade física, diz João Arruda | Fábio Campana

Brasil subutiliza estrutura para atividade física, diz João Arruda

O deputado federal João Arruda (PMDB-PR), que é presidente da Frente Parlamentar da Atividade Física para o Desenvolvimento Humano, disse que o Brasil está subutilizando suas estruturas para atividade física. De acordo com o deputado, está faltando uma melhor sintonia entre os ministérios e órgãos do governo federal, com o Conselho Federal de Educaçào Física.

“Não quero usar algo que é positivo e temos avançado muito em relação ao que éramos no passado, mas é uma preocupação da falta de química que possa existir”, disse João Arruda. “Estamos usando mal os nossos professores, e isto é muito ruim. Quando alguém pratica atividade, faz exercício físico, ele consegue otimizar o seu trabalho, a queima calórica e todos os benefícios obtidos, quando tem o acompanhamento de um professor”, frisou.

Para o deputado, o Brasil está deixando de ter a orientação dos professores de educação física em políticas públicas importantes voltadas ao esporte. Na avaliação de João Arruda, estruturas como ginásios de esporte, quadras cobertas, pistas de skate e academias da terceira idade e ao ar livre, precisam dispor de orientadores para um melhor resultado.

Parceria e prevenção

Este trabalho conjunto, ainda segundo ele, deveria incluir também especialistas como engenheiros biomecânicos e arquitetos, na elaboração dos projetos de construção das estruturas. O deputado lembrou um caso ocorrido em Guarapuava, quando um atleta morreu após se acidentar com uma falha no piso da quadra de futsal.

João Arruda recordou outros acidentes provocados pela falta de orientação de um profissional. “Já tivemos problemas no passado em relação às academias ao ar livre, inclusive de jovens e crianças que tiveram seus dedos amputados nestes locais”, disse.

O presidente da Frente Parlamentar concluiu informando sobre reunião com o ministro do Esporte, Aldo Rebelo. “Sugeri um café da manhã aqui nesta Casa para que possamos reunir os professores, o Conselho Federal de Educação Física e que quem sabe, fazer um trabalho em conjunto para que possamos tirar vantagens desse processo todo”.

“Avançamos muito, podemos fazer mais e melhor, mas isso vai depender desta articulação e interlocução, que pode ser feita inclusive através do Ministério do Esporte com os outros ministérios, com políticas públicas importantes voltadas ao esporte”, encerrou.

Foto legenda (joao arruda tribuna)

Presidente da Frente Parlamentar da Atividade Física para o Desenvolvimento Humano, João Arruda, diz que o Brasil precisa utilizar melhor a estrutura para atividade física

Foto: Agência Câmara

A seguir a íntegra do pronunciamento de João Arruda:

“Senhor presidente, senhoras e senhores deputados.

Vou falar aqui hoje de uma preocupação que tenho em relação às políticas públicas do esporte que estão sendo implantadas pelo governo federal.

Não quero tirar algo de positivo, ou melhor, não quero usar algo que é positivo e temos avançado muito em relação ao que éramos no passado, mas é uma preocupação da falta de química que possa existir entre essas políticas públicas, os ministérios responsáveis, deputado Osmar Terra, e o Conselho Federal de Educação Física e todos os professores de Educação Física do Brasil.

Nós estamos usando mal os nossos professores, e isto é muito ruim. Quando alguém pratica atividade física, faz exercício físico, ele consegue otimizar o seu trabalho, a queima calórica e todos os benefícios obtidos pela atividade física, quando se tem o acompanhamento de um professor.

Mas estamos deixando de usar a orientação, a parceria dos professores de educação física em políticas públicas importantes voltadas ao esporte.

Por exemplo, o que temos hoje, através do FNDE, do Ministério da Educação, os ginásios, as quadras cobertas, as pistas de skate, que não tem essa orientação e a chancela de um professor de educação física?

Estamos perdendo, porque não temos também a orientação de especialistas nessa área, como engenheiros biomecânicos, arquitetos, e estamos perdendo porque os espaços não são adequados, não existe a orientação de quem conhece as medidas oficiais, as saídas são pequenas e os jovens estão se machucando e tendo problemas.

Digo isso porque em Guarapuava, no meu estado, um jovem que participava de uma competição de futebol de salão acabou falecendo por conta de um problema na madeira do piso de um ginásio antigo.

Então, é algo que precisamos cuidar.

Temos várias politicas públicas nesta área, não são apenas as quadras cobertas e os investimentos do FNDE do Ministério da Educação e também do Ministério do Esporte, mas também as academias da saúde do Ministério da Saúde.

É perfeita a política pública que está vinculada ao Ministério da Saúde, porque é prevenção, é uma economia que fazemos em relação à saúde pública, mas sugiro ao Ministério que faça a exigência da orientação de professores de educação física tanto nas academias da saúde, quanto nas academias ao ar livre.

Já tivemos problemas no passado em relação às academias ao ar livre, inclusive de jovens e crianças que tiveram seus dedos amputados nestes locais.

E termino aqui dizendo que estive com a equipe do ministro do Esporte sugerindo exatamente isso.

Sou presidente da Frente Parlamentar de Apoio ao Esporte, e sugeri um café da manhã aqui nesta Casa para que possamos reunir os professores, o Conselho Federal de Educação Física e que quem sabe, fazer um trabalho em conjunto para que possamos tirar vantagens desse processo todo.

Falo de equipamentos, de infraestrutura e também de material esportivo, do Mais Educação e do material esportivo que é do antigo projeto Pintando a Liberdade, que é feito dentro das penitenciárias como uma forma de recuperar os presos.

É um trabalho social fantástico, mas que também poderia ser melhor orientado, melhor trabalhado se aproveitássemos o grande laboratório das universidades, do departamento de educação física e dos profissionais da área.

Deixo aqui o meu recado, peço aos parlamentares da Casa, todos os nossos pares que participem mais dessa discussão para que a gente possa, inclusive, em outros setores do governo, do executivo, otimizar o trabalho realizado.

Avançamos muito, podemos fazer mais e melhor, mas isso vai depender desta articulação e interlocução, que pode ser feita inclusive através do Ministério do Esporte com os outros ministérios, com políticas públicas importantes voltadas ao esporte.

Muito obrigado presidente!”


5 comentários

  1. Lee
    sábado, 13 de abril de 2013 – 18:42 hs

    Isso aí não é tarefa do Executivo?

  2. Mr.Scrooge
    sábado, 13 de abril de 2013 – 19:47 hs

    A ideia do deputado é boa mas quem é que vai pagar os professores de Educação Física nas academias ao ar livre? Imagine-se o custo destes professores só em Curitiba, que sofre angustiante falta de recursos para a Saúde Pública. Nem vou falar dos municípios pequenos, estes ainda em piores condições econômicas. É pena que a capital federal fique tão distante do Brasil real.

  3. Rodrigo Reis
    domingo, 14 de abril de 2013 – 11:15 hs

    Acho este um importante debate e é necessário manter uma visão mais ampla. Por exemplo, o colega Mr. Scrooge deve lembrar que as doenças crônicas não-transmissíveis são as principais causas de morte no país e que a inatividade é um dos principais fatores de risco. Ainda, uma série recente de estudos publicados em um dos principais periódicos científicos do mundo demonstrou que a inatividade mata tanto no mundo quanto o tabagismo!!! Portanto, atividade física é sim um problema de saúde pública.

  4. SED LEX
    domingo, 14 de abril de 2013 – 21:53 hs

    A SUBUTILIZAÇÃO ´SÃO DOS RECURSOS PUBLICOS QUE PAGAM O SALARIO DESTE CARA E DE TODAS AS MORDOMIAS QUE POSSUE ,ISTO SIM É DESPERDICIO DE DINHEIRO

  5. Vigilante do Portão
    segunda-feira, 15 de abril de 2013 – 2:17 hs

    Na falta de assuntos mais sérios…

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