A quadratura da bola | Fábio Campana

A quadratura da bola

De Nelson Motta, O Globo:

Antigamente, quando o Brasil era um país pobre e atrasado, o futebol tinha enorme relevância não só por ser uma paixão nacional, mas pela crença de que, na falta de outros, tínhamos esse dom para jogar bola como nenhum povo do mundo. O futebol era nossa única esperança de excelência internacional, éramos a pátria de chuteiras, era nossa vingança contra o mundo rico e desenvolvido, mas de cintura dura.

Por tudo isso, perder a final para o Uruguai no Maracanã em 1950 teve o peso de uma tragédia nacional, com profundos reflexos na nossa já combalida autoestima. Por tudo isso, a vitória na Suécia em 1958 com Pelé e Garrincha não só maravilhou o mundo como nos redimiu do complexo de vira-lata perdedor e se tornou um marco do desenvolvimento e da modernização do país nos Anos JK.

Muita bola rolou de lá pra cá, e fomos descobrindo que, além dos temidos e invejados argentinos, jogadores de outros países podiam ter tanta habilidade individual como nós, e muito mais espírito coletivo e tático, como o “carrossel holandês” de Cruyff e do professor Rinus Michels em 1974.

Hoje em 19º lugar no ranking da Fifa, há anos não ganhamos de seleções de primeira linha, o Santos foi humilhado pelo Barcelona em Tóquio, e qualquer outro time brasileiro, ou mesmo a atual seleção, seria goleado pelo Bayern com facilidade. Em dez jogos contra Espanha, Alemanha ou Argentina perderíamos seis ou mais.
Quando se alterna na televisão os jogos das grandes ligas europeias e do Brasileirão, pela lentidão e violência, pelos gramados carecas, pela pobreza técnica e tática, pelas torcidas selvagens, os nossos parecem jogos da segunda divisão.
A ilusão dos reis do futebol acabou. Mas somos a sétima economia do mundo, nossa agricultura alimenta o planeta, lideramos em várias áreas de produção, nossa música é sucesso internacional, o vôlei e outros esportes nos dão grandes alegrias, temos muitos motivos de orgulho, energia, crédito, divisas, mas enquanto o Brasil, a CBF e a cartolagem ficavam ricos, o futebol empobrecia. Restou a antiga paixão. E o pesadelo de enfrentar a Argentina numa final no Maracanã.


4 comentários

  1. Pereira
    domingo, 28 de abril de 2013 – 8:00 hs

    Futebol por essas plagas virou coisa de altos arranjos. Quando a competitividade foi embora e os indicios de arranjos se fez presente o público, que não é bobo, simplesmente sumiu. Arbitragens estranhas, corpo mole, tapetão, tribunais, empresários ganaciosos, molecada sem amor ao clube que o formou, cartolagem sem escrúpulos, narradores e comentaristas, em geral, mancomunados e coisas que tais afungentaram a galera! Ou volta a pura e simples competitividade ou já era. O que não seria de todo mal se desaparecesse. Não faria falta!

  2. sergio silvestre
    domingo, 28 de abril de 2013 – 10:18 hs

    O futebol Brasileiro desceu a ladeira ,quando o ministro Pele anunciou a famigerada lei do passe.
    Hoje temos um futebol milionario e pobre,onde qualquer cabeça de bagre é endeuzado,ganhando milhões para gastar uma bolinha quadrada.
    Mas eu particularmente ,prefiro o Brasil atual,o Brasil dos grandes empresários,da pujante agricultura e pecuaria.
    Futebol nos dá alegria mas não enche barrica,e não nos dá conforto e bem estar.
    O futebol hoje da rede Globo,virou uma ação entre amigos,com muitos pseudos comentaristas que do dia pra noite arrumam um craque,convocam um pangaré e endeuzam uma simples jogada.
    Só existe um craque no Brasil que nos faz lembrar o futebol moleque dos anos 60 e 70,Neimar,isso se os entendidos da Globo tambem não o endeuzar.
    Amedida que o tempo passa,as iluzões futebolistas vão se extinguindo a medida que os espertos do futebol enriquecem.

  3. OCIMAR
    domingo, 28 de abril de 2013 – 10:54 hs

    PARTE DISSO É CULPA DA TAL “LEI PELÉ”QUE TIRA DIREITOS DOS CLUBES E PASSA PARA “EMPRESÁRIOS DE JOGADORES “,POR EXEMPLO,O TORCEDOR VAI AO ESTÁDIO,COMPRA O INGRESSO,O DINHEIRO AJUDA A COMPRAR JOGADORES,AÍ VEM OS TAIS ” EMPRESÁRIOS ” E VENDEM ESSE JOGADOR A HORA QUE BEM ENTENDEM,DESMANCHAM O TIME E O TORCEDOR QUE AJUDOU A COMPRAR O ATLETA FICA COM CARA DE OTÁRIO,TEM QUE VOLTAR A VELHA “LEI” QUE PASSE DO ATLETA É DO CLUBE E ACABAR COM ESSA MÁFIA DE ” EMPRESÁRIO DE JOGADORES “.

  4. QUESTIONADOR
    segunda-feira, 29 de abril de 2013 – 13:51 hs

    -A Lei do Passe foi criada simplesmente para afundar de vez os clubes brasileiros….e com tão pouco tempo em vigor, conseguiu seu objetivo…clubes cada vez mais endividados, empresários cada vez mais ricos, jogadores que pensam que são craques de bola ganham um fortuna, e o pior de tudo isso, é ouvir os comentaristas falando asneiras como verdade fossem. Quem aguentar ouvir narração com Galvão Bueno, Luciano do Valle, Cléber Machado??? E os comentaristas são piores ainda….
    -Pior do que este enredo, é ver o produto da mídia falada, escrita, internet e outras mídias sociais, jogar uma bolinha, bem pequena, que agora, com grande exposição da mídia, todos(menos eu) endeuzam: Neymar….o craque, o herdeiro de Pelé, Zico…párem com isso….este cara nada mais é do que o produto de markting….

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