A mistura inflamável de inflação com reeleição | Fábio Campana

A mistura inflamável de inflação com reeleição

Editorial de O Globo:

A previsão de que 2013 seria um ano em que o Banco Central precisaria ter sangue frio se confirma, e é até mais ampla: o próprio país precisa manter os nervos sob controle, pois, como esperado, a inflação deverá superar o teto da meta de 6,5%, e o BC faz o possível para retardar ao máximo o aumento da taxa básica de juros, hoje em 7,25%.

O presidente do BC, Alexandre Tombini (foto), esteve ontem no Senado e repetiu o discurso clássico de que o compromisso da instituição é com a meta de 4,5%. Não poderia ser diferente. E que o “instrumento de política monetária”, os juros, será usado para fazer a taxa de inflação convergir para a meta, assim que o BC considerar necessário. Por suposto.

À medida que o tempo passa, porém, e depois que governo e PT anteciparam a campanha eleitoral de 2014, análises de cenários econômicos precisam levar em consideração as urnas. E parece evidente que o governo Dilma, a esta altura, não se lançará num combate à inflação com o vigor necessário. É revelador, neste sentido, que o presidente do BC, quando Dilma, na África do Sul, depois de defender a prioridade do crescimento sobre o controle da inflação, tentou consertar a derrapagem, tenha previsto que também em 2014 a inflação estará acima dos 5%.

Nos quatro anos de governo, Dilma terá mantido os preços rodando bem acima da meta, que é de 4,5%, com dois pontos de margem de tolerância, acima e abaixo. Reforçam-se os temores de que, na prática, o governo reviu a meta, criando uma nova, na faixa dos 5,5%, taxa muito elevada em escala mundial, mais ainda para uma economia com conhecidos mecanismos de indexação (contratos de aluguel etc). O irônico é que os “desenvolvimentistas” sempre justificaram a inflação como contrapartida de um crescimento vigoroso. Mas este não existe.

O governo Dilma vive o grande dilema político-eleitoral: agir logo para cortar o fôlego da inflação e correr o risco de aumentar o arsenal da oposição, ou deixar como está e esperar o primeiro ano de um segundo mandato para fazer um ajuste com firmeza, como o executado por Lula/Palocci em 2003.

É grande a tentação de manter o mercado de trabalho aquecido, o desemprego pouco acima de 5%, considerado a principal explicação para os altos índices de popularidade da presidente. Mesmo que a pressão sobre o custo dos empregadores ajude a inflação e reduza a produtividade da indústria, já em queda.

Se não é simples o cenário econômico-eleitoral à frente do Planalto, também preocupa o de 2015. Defensores do governo acusam os críticos da leniência com a inflação de quererem condenar o pobre que passou a tomar banho com sabonete de marca a voltar ao sabão em barra.

Mas isso também acontecerá pela perda de poder aquisitivo que a inflação já impõe às famílias de renda mais baixa.


2 comentários

  1. Mr.Scrooge
    quarta-feira, 3 de abril de 2013 – 21:28 hs

    Estou pelo que disse no ano passado. Infelizmente estava certo, já estamos no segundo ano das vacas magras, então ainda faltam mais cinco. ACarlos

  2. Vigilante do Portão
    quinta-feira, 4 de abril de 2013 – 5:35 hs

    E a Gleisinha, MENTIROSA, aparece na TV dizendo que os preços dos alimentos estão sendo reduzidos.

    Basta fazer uma visita ao supermercado ou às Feiras livres.

    Alguns poucos orodutos tiveram REDUÇÃO de preços.

    Mesmo assim, nada de 9 ou 12%, como prometeu a Dilma, em Rede Nacional de Televisão.

    É MENTIRA!

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