Trecho de gravações do inquérito mostra médica chorando após morte | Fábio Campana

Trecho de gravações do inquérito mostra médica chorando após morte

Do G1 PR:

Um dos trechos das gravações telefônicas usadas no inquérito da médica Virgínia Soares de Souza, presa desde o dia 19 de fevereiro, em Curitiba, mostra que ela se emociona após a morte de uma criança. As gravações, que totalizam mais de 30 horas feitas entre os dias 23 de janeiro e 7 de fevereiro de 2013, foram obtidas com exclusividade pela RPC TV.

Virgínia é suspeita de induzir mortes na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Evangélico, na capital. Segundo a polícia, a médica nega as acusações.

Trechos de conversas da médica com outros funcionários foram mostradas no telejornal Paraná TV 2ª edição.

No dia 7 de fevereiro, em conversa com uma funcionária do hospital, Virgínia demonstra preocupação com uma paciente.

Virgínia: “Eu consegui chorar agora”
Funcionária: “Aquela hora que você me ligou eu já vi que você não tava…eu falei alguma coisa…”
Virgínia: “A menina”
Em um outro trecho, gravado no dia 27 de janeiro, Virgínia conversa com uma funcionária do hospital. As duas citam o nome de um paciente – Ivo.
Virgínia: “… pelo amor de Deus, têm alguns doentes que estão mortos, então, vai desligando as coisas, que não tem sentido.”
Funcionária: “Ah não! Eu desliguei!”
Virgínia: “Oi?”
Funcionária: “Eu desliguei pra ela, ela estava no telefone com a doutora dela, ela me pediu”.
Virgínia: “E o próximo que nós vamos desligar é o Ivo”.
Funcionária: “Só esperar a família?”
Virgínia: “Acho que já, a mulher é de muito longe, né? Mas, pelo visto eles já sabem, porque parte da família foi falada.”
Funcionária: “Uhum”
Virgínia: “Eles são muito ruins, a gente não tem o que fazer”.

Na noite seguinte, dia 28 de janeiro, Virgínia, ainda em conversa com um médico de plantão sobre o pedido de uma pessoa com o nome Kampa sobre vagas na UTI. Durante a conversa, ela cita novamente o nome do paciente Ivo.

Virgínia: “O Kampa pediu o que eu podia disponibilizar. Eu falei, tudo bem, amanhã ainda consigo mais dois né, porque eu não fui com o Ivo porque eu fui com dois hoje de manhã”

Médico: “Ah, eu já tô indo com o Ivo”
Virgínia: “Ótimo”
Médico: “Não gostei dele”
Virgínia: “Não, coitadinho, pelo amor de Deus, né?. É que eu fui com dois hoje de manhã então se eu fosse com o Ivo, né, ficaria feio. Então, ou ia você ou eu amanhã, mas até me alivia se for hoje”
Médico: “Hum…hummm. É o Vagner que tá…tava o Vagner, a Laís, poucos funcionários já.
Virgínia: “Uhum…”
Médico: “Já, já”
Virgínia: “Já vai o Ivo e o Sérgio eu dou alta amanhã. Então na previsão eu abro oito vagas”
Médico: “Uhum”.

Há um conselheiro no hospital chamado Kampa. O conselheiro foi procurado pela reportagem, mas ele não foi encontrado. A direção da unidade de saúde também não se pronunciou sobre as gravações.

No dia 29 de janeiro, a morte de uma pessoa com o nome Ivo, de 67 anos, foi registrada pelo serviço funerário de Curitiba. O corpo estava no Hospital Evangélico.

Defesa alega más interpretações nas gravações por parte da polícia
O advogado de Virgínia, Elias Mattar Assad, afirma que não vê qualquer indício de irregularidade nas gravações. Ele compara as profissões dele e da médica. “Ora, enquanto ela diz que é o trampolim para o além, eu sou um trampolim entre a prisão e a liberdade”, afirmou ao G1. Segundo ele, Virgínia diz que todos os procedimentos foram atos médicos.

A Polícia Civil informou que o inquérito sobre o caso deve ser entregue ao Ministério Público (MP) na segunda-feira (4). A partir disso, caberá ao MP decidir se apresenta ou não uma denúncia contra a médica à Justiça.

Prisões
Virgínia, outros três médicos – Edison Anselmo, Anderson de Freitas e Maria Israela Boccato – e a enfermeira Lais da Rosa continuam presos, por suspeita de envolvimento no caso. Todos foram indiciados porque, conforme o inquérito, eram cúmplices da médica no ato de abreviar a vida de pacientes que estavam internados, com o objetivo de abrir vagas para outros.

De acordo com a Secretaria de Justiça, as três mulheres dividem a mesma cela, no Presídio Feminino de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. Os homens também dividem a cela, na Casa de Custódia de Piraquara.


19 comentários

  1. salete cesconeto de arruda
    segunda-feira, 4 de março de 2013 – 13:02 hs

    Em tempo: uma coisa eu sei que é preciso e poucos fazem. Tem que preparar melhor que trabalha com pacientes e com os familiares no sentido psico/emocional. Isso tem e é urgente! Poucos hospitais tem PROFISSIONAL PREPARADO para conversar sobre MORTE ou possibilidade de MORTE com o paciente e com os familiares e amigos. Poucos!

  2. tadeu rocha
    segunda-feira, 4 de março de 2013 – 13:08 hs

    eu tenho pena da mae dos rapazes, que o dep. carlli matou, esse advogado gosta das coisas errada, isso que ele perdeu uns dias atras, o caso do dep, carlli, pareçe brincadeira, ela confeça etc, ja estou com reiva dessas lei bras.

  3. salete cesconeto de arruda
    segunda-feira, 4 de março de 2013 – 13:08 hs

    E só mais essa Fábio: tem várias gírias que são usadas para não assustar pacientes que estão mal. Eu uma vez ouvi a palavra “EMPACOTAR” e quase morri de susto porque essa eu conhecia de quando trabalhava em hospital. Sei. Fora do hospital não tem problema. Mas aposto que se ela tivesse usado essa gíria comum já estaria sendo ACUSADA outra vez de MATAR. Sugiro que tudo seja revisto e RAPIDAMENTE pois se por um a ANO DEIXARAM MATAR GENTE sem avisar a direção do hospital e os familiares ISSO É O MAIS GRAVE!
    O que diz o CONSELHO DE MEDICINA DO PARANÁ E DO BRASIL?
    Fale com eles Fábio. Completa essa notícia. Fala com a direção do hospital se ela sabia que há um ano ‘morria gente….” ´por culpa de médicos e equipes….
    Fala por favor!
    Senão fica PARECENDO QUE TODO HOSPITAL DE CURITIBA TEM SUJEIRA!
    Falei com várias pessoas e estão todos com medo.

    TEM HOSPITAIS E GENTE MARAVILHOSA TRABALHANDO PARA SALVAR VIDAS MUITO ALÉM DOS SEUS HORÁRIOS PREVISTO EM CONTRATOS DE TRABALHO e não merecem esse CARNAVAL que estão fazendo com a médica que mais parece vítima do que carrasco.

  4. Relho
    segunda-feira, 4 de março de 2013 – 13:13 hs

    O fato de a classe médica estar acostumada com situações de morte , não justifica , nem lhes dá poder de decisão sobre tal.

    Mesmo nobre, a classe não está acima da Lei.

  5. Sansan
    segunda-feira, 4 de março de 2013 – 14:19 hs

    Não quero julga,não tenho esse direito… Creio na justiça de Deus essa ninguém escapa… A verdade chegará atona …

  6. Luiz Carlos
    segunda-feira, 4 de março de 2013 – 15:13 hs

    Ela é vítima do sistema, tinha que optar e manter um cadáver respirando e ocupando uma UTI, ou salvar a vida de algum jovem acidentado que tinha chances de vida caso houvesse uma vaga na UTI. Quanto os diálogos é assim mesmo, quem lida com a morte todos os dias trantam a vida como algo passageiro, sem muita cerimônia e pudor. Todos os hospitais atuam dessa forma.

  7. segunda-feira, 4 de março de 2013 – 15:34 hs

    E o nome do medico p q não falam

  8. Lorival Bueno
    segunda-feira, 4 de março de 2013 – 16:50 hs

    Este tipo de coisa acontece há anos nos hospitais e só agora descubriram . Este advogado esta prejudicando cada vez mais a sua cliente. Todos vao ter que responder ,pois no Brasil eutanásia é crime!
    ponto final.

  9. Alessandro
    segunda-feira, 4 de março de 2013 – 17:51 hs

    Investigação, se bem conduzida, vai revelar a verdade.
    Mas quanto mais fugirmos dos médicos, melhor.
    Doenças iatrogênicas (causadas por atos médicos de qualquer natureza) matam muito.
    Se for no PS do SUS, então, fuja pra benzedeira!

  10. Constanza Del Piero
    segunda-feira, 4 de março de 2013 – 20:23 hs

    Tenho vários sobrinhos médicos, que não se arrepiam com o linguajar dessas gravações. Segundo eles, que lidam com a vida e a morte, esse é o liguajar diário no ambiente deles, e cabe ao médico chefe da UTI administrá-la.
    Essa é a sua função; de que adianta deixar um paciente irrecuperável ocupando uma vaga na UTI, sendo que essa mesma vaga poderá ser ocupada por um paciente recuperável?; Alguém com alguma chance de cura? – Pelo que vemos, as vagas ali são super disputadas, e caberia sim, às autoridades que gastam tanto dinheiro em publicidade, e outros procedimentos menos confessáveis, providenciar leitos em UTIs, à vontade.
    Aí sim, seria mais fácil, avaliarmos se a médica desprovida de beleza física, também seria uma bruxa por dentro.
    Acho que não. Ela tem sentimentos, como demonstrou no caso da garotinha. Lembramo-nos da Escola de Base em SP.

  11. sergio silvestre
    segunda-feira, 4 de março de 2013 – 20:36 hs

    Existe muito mais coisas dentro dos hospitais que as mentes mais argutas não sabem.Hoje o que manda é o dinheiro e se voce não correr atráz dele,e se entocar em qualquer UTI pelo sus,está com o pé na cova.Enquanto uns são buscados de helicoptero em outro estado,milhares de trabalhadores Brasileiros agonizam em corredores de hospitais.
    O caso desta UTI deste hospital é apenas uma pontinha daquilo que acontece nos tantos hospitais do Brasil.

  12. Roberto Santos
    segunda-feira, 4 de março de 2013 – 22:09 hs

    Quanto besterol. Meu filho ficou 06 dias na UTI e morreu.Em momento algum a Dra.Virginia, sua equipe, os pastores,as psicólogas se desprenderam do trabalho que faziam. Foi maravilhosa.Só quem passa por uma situação desta é que pode falar ou julgar.

  13. cacilda
    segunda-feira, 4 de março de 2013 – 22:58 hs

    esse Assad é hilariante!!!!!!! nunca vi rábula como ele que aparece mais que todo o inquérito, atira pra todo lado e nunca acerta………….é um figuraço digno da Zorra Total. Será que a médica acompanha as entrevistas dele? creio que não porque senão já teria passado pra outro mais competente.

  14. WILNA
    terça-feira, 5 de março de 2013 – 10:23 hs

    ESSA HISTÓRIA ESTÁ MUITO MAL CONTADA, NÃO QUERO TOMAR PARTIDO, MAS PELO QUE VEJO, A IMPRENSA ESTÁ FAZENDO DISSO UM BODE ESPIATÓRIO, PARECE QUE QUEREM ENCOBRIR QUALQUER OUTRA COISA QUE ESTÁ ROLANDO POR BAIXO DOS PANOS. AO OUVIR AS GRAVAÇÕES TELEFÔNICAS DA MÉDICA, NÃO DÁ PRA CHEGAR A CONCLUSÃO ALGUMA, POIS AS CONVERSAS SÃO MUITO DÚBIAS… É A NOSSA IMPRENSA, MAIS UMA VEZ, PREJUDICANDO O TRABALHO DA POLÍCIA E FAZENDO O POVÃO ACREDITAR NO QUE QUEREM!!!

  15. MARCIO SANTOS
    terça-feira, 5 de março de 2013 – 10:26 hs

    O QUE MUITO ME DEIXA TRISTE É QUE TEM GENTE COMO UM TAL DE GALO NO SBT, QUE ESTÁ FAZENDO UMA FESTA COM ESTÁ TRAGÉDIA TODA, ESTES PICARETAS QUE SE DIZEM JORNALISTA PELO AMOR DEUS FABIO CAMPANA ESTÁ COISAS NÃO PODEM ACONTECER, O CARA USA DIRETO ESTÁS NOTICIALS SÓ PRA TER AUDIÊNCIA, ELE TEM QUE RESPEITAR AS FAMILIAS DOS DOIS LADOS, PORQUE ATÉ AGORA EU SÓ VI ERROS DA POLICIA, EU ACHO QUE AGORA A POLICIA TEM QUE SE EXPLICAR PORQUE A TANTOS ERROS QUE A IMPRENSA MOSTRA, CLARO A IMPRENSA SÉRIA E A QUE GOSTA DE EXPLORAR O SOFRIMENTO DOS OUTROS SÓ PRA TER AUDIÊNCIA ,FABIO EU ACHO QUE PERANTE A OPNIÃO PÚBLICA AS COISAS NÃO ESTÃO BEM EXPLICADAS, E SÓ PEÇO QUE NÃO CONDENE PESSOAS INOCENTES.

  16. PAULO
    terça-feira, 5 de março de 2013 – 14:20 hs

    Besterol sr. Roberto ..so pode ser o senhor…com todas essa mortes …inquerito com mais de mil paginas …tres medicos presos e mais a dona morte..o senhor so pode ser parente dessa medica.PQP..Qual o seu interesse nesse caso…pelo jeito foi um atendimento particular..porque ate os conwenios ja estao meia boca..um trabalho de mais de um ano…com profissionais capacitados..a dona morte esta no presidio com determinacao judicial…sera que ate um juiz esta fazendo besterol….TOMA UM SEMANCOL PRA MELHORAR SEU BESTEROL.

  17. marlene salete alquieri
    terça-feira, 5 de março de 2013 – 17:26 hs

    Os profissionais de saúde estão diariamente expostos a situações conflituosas e desgastantes e a todo momento julgados.
    Precisamos trabalhar melhor com a possibilidade de MORTE, e tambem pensar sobre o DIREITO DE ESCOLHER.
    Os termos usados nas dependencias de um hospital-UTI sao entendidos pela equipe com vinculo, para pessoas que iniciantes e leigos pode representar palavras assustadoras, e em vez de se familiarizar com os termos usados passam a relatar os fatos conforme seu entendimento e sem conhecimento de causa.
    A palavra DESMAME muito usada em UTI- trata-se do processo transitorio entre o suporte mecanico e a respiração espontânea.

  18. Patricia
    domingo, 24 de março de 2013 – 0:20 hs

    É muito fácil um profissional de saúde comentar, mas me parece hipocrisia! Existem termos realmente utilizados em ambiente hospitalar, mas a maioria é utilizado a partir de uma terminologia digamos padrão e conhecida! Porém tem termos que são esdrúxulos e que não deveriam ser utilizados de nenhuma forma, que não é especificado na teoria e que realmente pode ser interpretado de maneira errônea, ou não! É abominável isso! Os profissionais se sentem donos do paciente, não orientam, não passam informações esclarecedoras de acordo com o nível de entendimento do paciente/familiar. Fiquei a um tempo com meu pai internado, e quase enlouqueci, muita coisa errado, não me deram acesso ao prontuário (não compreendi por que) ! É fácil defender os profissionais, aqueles que estão na profissão e nunca tiveram alguém de sua família internado! Mas quando somos nós os pacientes, hum a coisa muda! Cadê a humanização, os direitos dos pacientes, respeito no processo de morte e morrer???? Complicado! É só pensar em um filho internado!

  19. Patricia
    domingo, 24 de março de 2013 – 0:26 hs

    Constanza Del Piero

    Isso a que vc se refere como dar mais atenção a quem tem possibilidade de se curar, chama-se eutanásia, e isso é crime no país, mesmo em se tratando de pacientes terminais! Agora reflita! Pense na pessoa que vc mais ama nesta vida, e se fosse ela que estivesse em um leito de UTI? Vc seria a favor de alguém cometer eutanásia com ela???

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