PIB do País fecha 2012 com crescimento de 0,9%, o menor em 3 anos | Fábio Campana

PIB do País fecha 2012 com crescimento de 0,9%, o menor em 3 anos

De O Estado de S.Paulo:

SÃO PAULO – O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro fechou 2012 com crescimento de 0,9%, o pior desempenho desde o pico da crise, em 2009, quando encolheu 0,3%. O resultado ficou abaixo do PIB de 2011, que avançou 2,7%. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reconheceu que os números vieram abaixo das expectativas do governo. Os dados divulgados nesta sexta-feira, 1º, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o País teve o menor PIB entre os Brics e só superou os países europeus, combalidos pela crise.

No ano, o desempenho foi puxado, pelo lado da oferta, pelo setor de serviços, que avançou 1,7%, contra quedas de  2,3% na agropecuária e de 0,8% da indústria. A participação do setor de serviços no PIB atingiu 68,5%, a maior registrada desde 2000.

Pelo lado da demanda, o consumo das famílias desacelerou e subiu 3,1% no ano passado, o pior desempenho desde 2003, quando caiu 0,8%. A despesa do consumo do governo avançou 3,2%. Em valores correntes, o PIB somou R$ 4,4 trilhões.

No quarto trimestre, o PIB cresceu 0,6% em relação ao trimestre imediatamente anterior e 1,4% ante o mesmo período um ano antes. Entre o setores, o de serviços também liderou a expansão nos últimos três meses do ano passado, com alta de 1,1%, enquanto a indústria subiu 0,4% e a agropecuária recuou 5,2%.

O ano foi marcado também pela queda do investimento, medido pela Formação Bruta de Capital Fixo (FCBF), que encerrou 2012 com recuo de 4%. No quarto trimestre, contudo, a FBCF apresentou melhora e subiu 0,5% ante o trimestre imediatamente anterior, quebrando uma sequência de quatro quedas seguidas nessa análise.

“É um fato que eu não esperava. As contas que tínhamos no Ibre ainda apontavam retração (do investimento) no quarto trimestre”, disse o chefe do Centro de Crescimento Econômico do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV), Samuel Pessôa. Para ele, virar o ano já com aumento na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) é uma “excelente notícia, pois sugere que a retomada de investimento começou já no quarto trimestre do ano passado, mesmo que timidamente”.

A taxa de investimento teve o segundo recuo anual seguido em relação ao PIB e ficou em 18,1%, ante 19,3% em 2011 e contra 19,5% em 2010. Em 2009, a taxa foi de 18,1%, a mesma de 2012.

 

Expectativa. Para 2013, a expectativa é que a economia volte a crescer com mais força, impulsionada por uma safra recorde de grãos e pela retomada da indústria. A maioria dos economistas projeta avanço de 3% do PIB, embora existam apostas de até 4%.

É o caso do Credit Suisse, mesmo banco que, em junho do ano passado, cortou a projeção do PIB de 2012 para 1,5% e causou reação de Mantega. “É uma piada. Vai ser muito mais que isso”, disse o ministro à época. A previsão da Fazenda, em fevereiro de 2012, era bem mais otimista: avanço de 4,5%.

Preocupado com a fraqueza da economia, o governo tem adotado algumas medidas para tentar dar impulso ao PIB. Entram na lista o programa de concessões para ferrovias, aeroportos e portos, a desoneração da folha de pagamentos para 40 setores e o programa de redução do custo da energia elétrica para consumidores e indústria, entre outros.


4 comentários

  1. Ed
    sábado, 2 de março de 2013 – 12:21 hs

    Não sei como o pessoal do PT ainda não está falando que isso é culpa do FHC, da oposição, do diabo, etc; pois que é culpa da crise internacional já falaram. Só falta falarem que o FHC há dez anos fora do governo é quem gerou tudo isso!

  2. Ed
    sábado, 2 de março de 2013 – 12:25 hs

    Ainda, Fábio, 0,9 não tem alguma coisinha familiiar com uma Lojinha de 1,99?

  3. Parreiras Rodrigues
    sábado, 2 de março de 2013 – 13:47 hs

    Importante ler o editorial da Gazeta do Povo de hoje.

    Resumo:
    O petê insiste na mitologia que o país foi resgatado a partir dos próprios esforços.

    E a Oposição, frágil, muda, incompetente, medrosa, mesmo com um arsenal de munição à disposição. Pena que ninguém sabe usá-la.

  4. TRABALHADOR
    sábado, 2 de março de 2013 – 18:58 hs

    O resultado do PIB está dentro do que se esperava, em dezembro de 2012 estava-se falando em 1%. O FMI também já havia avisado que em 2012 cairia a nível mundial, pois estamos em meio a uma crise econômica. Em vista do que aconteceu na Europa, até que fomos bem, nossa economia se fortaleceu nos últimos anos e conseguimos passar por tudo isso sofrendo pouco (ou quase nada, dependo da classe social). Se essa situação mundial tivesse acontecido há 15 anos atrás, os resultados teriam sido catastróficos.
    Tem economia no mundo crescendo, com PIB melhor que o nosso? Tem, inclusive na nossa América Latina. Mas alguém já olhou as taxas de crescimento do PIB em décadas anteriores? No período 1990-2000, os índices foram baixíssimos também. Índice de crescimento bom mesmo só na década de 1970, época do milagre econômico, o que custou o endividamento do país.
    Nosso PIB mostra nosso pais, mostra nossa cara. Apesar de nossos esforços, ainda somos um país subdesenvolvido, faltam elementos para gerarem índices melhores. Não adianta dizer que a culpa é da Dilma, do Lula, do PT, do PSDB, do FHC; são discussões inúteis que não resolvem nada. Nós Brasileiro, todos nós, precisamos lutar por um país mais eficiente. Precisamos de taxas de juros mais baixas, escolas melhores, um maior alívio na carga tributária (os governos estaduais precisam contribuir mais), acabar com a corrupção, diminuir a burocracia no setor público, aliviar a pesada máquina estatal (fora da privatização não há salvação, os cabides de emprego precisam acabar), alívio nos encargos sociais incidentes sobre o trabalho remunerado, etc. Precisamos ser, todo nós, mais eficazes em nossas ações. Precisamos ver em que direção o mundo vai e ir junto, correr atrás da bola, o futuro não vai ficar esperando por nós.
    Como esperamos melhorar nosso PIB se continuarmos fazendo tudo sempre igual? Ano que vem tem eleição, que tal mudarmos, chega dos mesmos.

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