Pesquisa aponta que pobreza e criminalidade estão dissociados | Fábio Campana

Pesquisa aponta que pobreza e criminalidade estão dissociados

Da Agência Brasil, no Terra:

O combate à pobreza não assegura a redução da violência nem a da taxa de homicídios no Brasil, conforme informação do estudo Avanço no Socioeconômico, Retrocesso na Segurança Pública, Paradoxo Brasileiro?, do professor doutor Luis Flávio Sapori, coordenador do Centro de Pesquisas de Segurança Pública da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG).

O estudo usa dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e das Nações Unidas.

Para Sapori, é fundamental as autoridades observarem três fatores que levam à violência e que não têm relação direta com a pobreza. “É preciso desfazer esse senso comum de que combatendo a pobreza quase que de maneira imediata será possível reduzir a violência e a taxa de homicídios no país”, destacou o pesquisador.

“Não é assim que funciona”, acrescentou. “A consolidação das nossas instituições democráticas e de uma efetiva justiça social dependem da nossa capacidade de controlar a criminalidade que vitimiza amplos segmentos da população, em especial os mais pobres.”

Os fatores que contribuem para o aumento da violência e, consequentemente, para a elevação da taxa de homicídios, mencionados na pesquisa de Sapori, são a consolidação do tráfico de drogas, principalmente o consumo de drogas, os elevados níveis de impunidade e a necessidade de adoção de medidas mais eficientes para combater os dois aspectos anteriores.

“O que preocupa é como o governo trata a questão da violência e a questão da pobreza e da miséria”, ressaltou Sapori, que deverá publicar o estudo na revista Desigualdade e Diversidade, da PUC-MG. “É preciso repensar o que tem sido feito e como agir. A pesquisa mostra que, apesar dos ganhos sociais, a violência aumenta.”

Pelos dados da pesquisa, há um aumento contínuo e gradual na taxa de violência no período de 1999 a 2010. O número saltou de 21 homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes para 31 homicídios (para o mesmo número de habitantes). A taxa é considerada elevada, segundo Sapori, e pode ser comparada a alguns países africanos apontados como os mais violentos do mundo.

“Não há qualidade de vida em uma sociedade que todos os anos coleciona mais de 50 mil vítimas de assassinatos”, ressalta o estudo, referindo-se à média de 50 assassinatos para cada 100 mil habitantes, registrada em alguns países africanos. Pela pesquisa, os países da Europa, da Ásia e da Oceania registram, em média, os índices mais baixos de homicídios, com cerca de três assassinatos para cada 100 mil habitantes.

Nas Américas, o Brasil é apontado entre os países mais violentos, ao lado do Paraguai, da Guatemala e de El Salvador, com base em dados da Organização das Nações Unidas (ONU). Na África, os mais violentos são África do Sul, Uganda, Angola e Nigéria.


16 comentários

  1. OCIMAR
    sábado, 2 de março de 2013 – 20:20 hs

    É A FALTA DE CARÁTER,É A ESCÓRIA, É O LIXO,POBREZA NUNCA TEVE RELAÇÃO COM O QUE ESSE AMONTOADO DE LIXO FAZ.

  2. Zangado
    sábado, 2 de março de 2013 – 21:34 hs

    É o mesmo argumento que a pena de morte diminuiria a criminalidade.

    As causas são muitas, não existe uma bala só para acabar com os problemas de violência e criminais

    Mas, primeiro de tudo, nada se faz sem investimento maciço em educação.

    Hoje no pais, aliás já de algum tempo para cá, a educação está dissociada do emprego.

    Depois de estabelecida a “MERCATILIZAÇÃO” do estudo, em geral, formam-se alunos para nada – não há emprego.

    Ganham somente as escolas e faculdade privadas.

    Essa a GRANDE DISSOCIAÇÃO nacional.

    É fácil o tráfico adotar a juventude e encher a cuca dos desempregados de crack.

    Mas, o mais importante é manter mais do mesmo PMDB/PT para 2014 …

  3. Lorival Bueno
    sábado, 2 de março de 2013 – 23:00 hs

    não concordo …mas aceito a opinião do rapaz

  4. Cajucy Cajuman
    sábado, 2 de março de 2013 – 23:04 hs

    É claro que não assegura. Pobre não é bandido. A bandidagem cresce quando o governo relaxa – …e goza do cidadão de bem , como diria a professora Marta – em relação à Segurança Pública e aos investimentos necessários na área.

    É o que tem acontecido além dos maus exemplos dados por políticos ao se apropriarem de verbas públicas, nivelando tudo por baixo. Aí, num país em que moral, ética e os bons costumes estão fora de moda de uns anos para cá, fica propício para a marginalidade. Ou estou errado?

  5. sergio silvestre
    domingo, 3 de março de 2013 – 0:00 hs

    Vivemos hoje não as barbaries da idade media,mas a complacencia das intituiçoes com o banditismo.

  6. Viezzer
    domingo, 3 de março de 2013 – 0:01 hs

    Será que um dia esse país será de 1° mundo? A pobreza está caindo, mas os bandidos estão aumentando…Quando a violência diminuir, a pobreza voltará…Parece que o nosso Brasil vive em um círculo vicioso…Levamos muito azar de sermos colonizados por um periférico país católico da Europa…

  7. Analista de Bagé
    domingo, 3 de março de 2013 – 2:45 hs

    Interessante… Mas não traz nada de novo, exceto a conclusão…

    Um raciocínio científico de que programas sociais de auxílio (bolsa isto e aquilo) são ineficientes para também combater o mal da violência…

    Primeiro reafirma o que todos já sabem, que o tráfico de drogas (lógico que sem consumo ele não existiria) é um dos principais vetores da violência no País.

    Ousando discordar da conclusão desta bela iniciativa neste campo de pesquisa, continuo acreditando que a pobreza é infelizmente um dos principais fatores que geram a violência, mormente nos crimes de intolerância e patrimoniais.

    Se abstrairmos a situação geográfica da violência, nos atendo primordialmente não ao Brasil, mas à condição humana em todos os Países onde há fortes nichos de miséria, logo se denota nestes grupos de miseráveis que é impossível a manutenção de alguns valores, tais como o respeito ao patrimônio alheio e tolerância à condição de pessoas melhores sucedidas que outras…

    É fundamental frisarmos que a pobreza não é, e nunca vai ser, a única mola-mestra da violência, mas é impossível retirá-la da equação, como o trabalho cientifico – do qual discordo – descarta a pobreza da criminalidade.

    LÓGICO que os crimes mais bárbaros que atingem milhares de pessoas ao mesmo tempo, como o descaso e a corrupção na saúde pública, são genuinamente típicos de classes mais abastadas, tanto nível político bem como empresarial…

    TENHO NOJO de quem associa a condição social de pobre de um ser humano à possibilidade deste cidadão ser mais suspeito do que de outro… O preconceito é abominável em quaisquer de suas formas…

    Mas que já conheceu a realidade de nossas internacionalmente conhecidas “favelas”, quem já acompanhou os trabalhos de pacificação com unidades governamentais instaladas nestas comunidades, sabe que ocorre uma redução significativa da violência em toda a região onde se realiza tal trabalho fundamental para a vida pacifica nestas comunidades…

    O assunto e a polêmica em torno dele jamais vão terminar… Mas é preciso reconhecer nossos erros para tentar reparar as desigualdades e contribuirmos de forma significativa para a redução da miséria e por via de consequência todas as mazelas correlatas e derivadas da pobreza…

  8. Parreiras Rodrigues
    domingo, 3 de março de 2013 – 8:50 hs

    Mais uma pesquisa para constatar obviedade.

    Mas, entre eu, pé duro lá de Santa Isabel do Ivai, postar essa constatação já há ano em diversos blogues e o doutor lá da Universidade de Minas, é, claro, sem tamanho.

    E tenho insistido também nos combates às principais causas da criminalidade destacadas pelo autor: o tráfico/consumo de drogas, a legislação mão na cabeça e a impunidade. Uma ação contra um bacana, se arrasta por anos, até a caducar. Os líderes do narcotráfico colocam “dimenor” no transporte e nossas fronteiras estão escancaradas – a passagem por barcos, pontes, balsas e céus.

  9. OCIMAR
    domingo, 3 de março de 2013 – 9:18 hs

    É SÓ EXTIRPAR O petê DO PLANETA E OITENTA POR CENTO DO PROBLEMA ESTA RESOLVIDO.

  10. TRABALHADOR
    domingo, 3 de março de 2013 – 9:55 hs

    A maior causa da criminalidade é a corrupção. A corrupção é mãe de todos os outros crimes. Quando o agente do estado se corrompe, ele restringe a ação deste e aí a coisa fica fácil para os criminosos. Temos a partir daí a facilitação do tráfico e consumo de droga, enriquecimento ilícito (dinheiro para quem não tem caráter e sabedoria), acesso dos bandidos à armas e explosivos, etc.
    A pena de morte não resolveria nada aqui em nosso páis, pois nossa estrutura de judiciário ainda é falha e ineficiente, não há democracia na relação desse poder com o povo do país. Matariam-se os ladrões de galinha apenas, que são de fácil reposíção, pois normalmente tem pouco recurso para contratar um advogado.
    E corrupto não são apenas algumas (ou muitas) figuras da política brasileira e do funcionalismo público, corrupto é quem corrompe, quem aceita ser corrompido. Então esse time de corruptos é bem maior do que parece.

  11. domingo, 3 de março de 2013 – 14:26 hs

    Prezado Fábio,
    Boa tarde, meu nome é Sergio Graziano e gostaria de saber onde/como posso ter acesso a esta pesquisa que vc menciona.
    Muito obrigado pela colaboração.
    Att,
    Sergio Graziano

  12. salete cesconeto de arruda
    domingo, 3 de março de 2013 – 18:00 hs

    E só descobriram agora?
    Mas me diga: onde se escondiam os traficantes do Rio?
    Sei.
    Os CHEFES NA ZONA SUL.
    E os executantes?
    O que os levava para os bairros mais pobres?
    Então a pesquisa – para ser válida – teria que ABORDAR a falta do estado nas comunidades mais pobres.
    Ou não?
    Chamem o Caetano.
    Já CARÁTER não depende de ser rico ou pobre.
    Essa é outra história.

  13. sergio silvestre
    domingo, 3 de março de 2013 – 20:20 hs

    A maior causa da criminalidade são os costumes de um povo.
    Estava a pouco assistindo no estadio do café Londrina e Curitiba,onde pelo que parece foi afanado de novo.
    Ao meu lado,os filhos puxavam o coro dos pais,vai tomar n c coxa.
    Olhei para os meus dois filhos e disse parem,e pararam.Porque meu e minha esposa,que é educadora fazemos com a educação dos nossos filhos,aquilo que ela não pode fazer pelo seu filho,porque as leis e as frescuras dos proprios pais não deixam a professora orientar mais rispidamente seus filhos.
    Caso o menino de um tapa em sua cara,fica por isso mesmo,mas se ela dar um empurão ou ou qualquer gesto que não goste,da até reporter policial no caso e ela será escrachada na midia avida por noticias cabulosas.
    Se continuar assim ,daqui dez anos teremos uma geração de mutilados,sem saber que sexo vão seguir,e as gangues tomaram conta de tudo;

  14. Renato Fernandes Silva Junior
    domingo, 3 de março de 2013 – 23:55 hs

    Basta uma análise séria para se verificar que “pobre” decente passa dificuldade e nem pensa em delinquir. Por outro lado, os “indecentes” podem desfrutar até mesmo de situação privilegiada, mas não dormem tranquilos se não estiverem lesando de algum modo os outros. Pode ser assaltando, desviando recursos, administrando conglomerados, etc.

  15. Mauro Halffman
    quarta-feira, 26 de outubro de 2016 – 19:46 hs

    Em que lugar do mundo isso aconteceu ?! Esse cara precisa vir pro Rio e subir no terraço do prédio de Física da UFRJ usar uma luneta eletrônica com tripé e tudo mais e ver no mar de favelas que se estende por toda a sua volta e fazer um estudo. Que mundo que esse SAPORI vive. Discordo totalmente com sua suposta “PESQUISA”. Onde que investimentos em qualidade de vida, em um Estado com educação forte, política de esportes e cultura, arquitetura e urbanismo com saneamento básico para todos, uma boa infra-estrutura de transportes terá um aumento na CRIMINALIDADE. Esse DOUTOR parece estar filiado talvez a algum partido político ou parece crer em alguma ideologia de algum deles.

  16. Peri
    quarta-feira, 11 de janeiro de 2017 – 5:49 hs

    Pelo que entendi, a pesquisa não falou que pobreza e violência estão dissociados. Ela falou que há outros fatores além da pobreza envolvidos na violência. Atacar somente a pobreza não resolve. A violência é um problema complexo.

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