Miriam Leitão, feminista, no Dia da Mulher | Fábio Campana

Miriam Leitão, feminista, no Dia da Mulher

Da Miriam Leitão, O Globo:

Por que sou feminista e sempre serei

É bom que haja um momento de reflexão para grupos que são discriminados, como o das mulheres. Eu, Míriam Leitão, sou feminista. Tem gente que acha que ser feminista é uma coisa feia, ultrapassada, há muitos que têm preconceito contra essa palavra. Eu sou feminista desde que me entendo por gente, quando percebi a diferença de tratamento de meninos e meninas.

Para mim, ficou consolidado que eu era realmente feminista, aos 16 anos, quando li “O segundo sexo”, de Simone Beauvoir, um livro muito marcante na formação da minha maneira de ver o mundo.

Ela mostra como em cada ramo do pensamento as mulheres foram sendo relegadas a um segundo plano, a um segundo sexo. Simone fala que a mulher é o outro, não a pessoa principal. Consolidei, depois, minhas convicções em outras leituras. Sou uma estudiosa do que os americanos chamam de “gender gap”, sobre a diferença entre homens e mulheres em todas as áreas. Há, por exemplo, apenas 15% de CEOs nos EUA que são mulheres, apesar de elas terem maior escolaridade do que os homens, inclusive no Brasil. O poder é muito masculino ainda.

Mas nós avançamos. Ao longo da minha vida, vi as mulheres avançando no mercado de trabalho, na defesa dos seus direitos, na reconstrução do seu papel, mas ainda acho que há muito machismo dentro das casas, na ideia de que a mulher é a principal responsável pela criação dos filhos, quando tem de ser uma missão compartilhada. Aquela expressão “eu ajudo muito a minha mulher” deve ser abolida.

Ela é a única que consegue carregar no útero e amamentar o filho; a partir daí, o trabalho tem de ser dividido igualmente.

Ainda temos muito a avançar. Quando olho os números da violência contra a mulher, ainda me choco. Hoje, O Globo publicou uma reportagem sobre esse assunto, que mostra, por exemplo, que os casos de estupro aumentaram 23% entre 2011 e 2012 no Rio de Janeiro, subindo para 6.029. Esses são os denunciadas, mas ainda há subnotificação. Dessas 6.029 mulheres estupradas, 53% eram meninas e adolescentes.

A mulher, ao longo da história, tem sido colocada em segundo plano e às vezes submetida à força do homem, mais forte fisicamente.

Esse assunto me emociona, me mobiliza, me faz pensar. Tenho netas e quero que elas vivam num mundo em que essas coisas não aconteçam. Vamos enfrentar essas desigualdades porque elas nos apequenam.


Um comentário

  1. salete cesconeto de arruda
    sexta-feira, 8 de março de 2013 – 18:16 hs

    Miriam está atrasada.
    Agora são 11 sexos como diz o Ronaldo Pamplona.

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