Mídia e religiosos não se entendem às vésperas do conclave | Fábio Campana

Mídia e religiosos não se entendem às vésperas do conclave

Maurício Savarese

O clero católico não é feito dos homens mais acessíveis à imprensa. Alguns, pelo contrário, detestam o interesse súbito da maioria dos jornalistas por assuntos que, para eles, serão debatidos pela eternidade.

A imprensa, por sua vez, não é uma entidade permanentemente interessada em temas da igreja.

Quando se somam a pressa dos meios de comunicação, a languidez dos religiosos e um conclave que passa por denúncias de corrupção, a relação ganha contornos de provocação.

Aos jornalistas os cardeais não falam. Concentram-se nas congregações-gerais, reuniões que definem o perfil do sucessor do papa emérito Bento 16.

Os repórteres que mantêm um relacionamento mais antigo com a Cúria Romana, como os especialistas em Vaticano, ganham dicas de assessores dos religiosos que votarão no conclave – muitos deles interessados em vender a ideia de que o seu chefe está entre os cotados a assumir o trono de São Pedro. Mas nada decisivo.

Alguns jornalistas já foram constrangidos ao pedirem entrevistas a religiosos. Ao lhes oferecerem uma pergunta, ganham de volta uma mão para que seja beijada.

Dependendo da reação do repórter, os homens do clero dão nada ou declarações vagas. Ainda há os que vão à oficial Rádio Vaticana para reclamar da cobertura nos jornais.

“Parece que estamos em um evento e estão cobrindo outro”, disse à rádio um assessor de dom Raymundo Damasceno, arcebispo de Aparecida e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Outro, funcionário da Cúria Romana, disse à “radio do papa” que “estaríamos mais bem informados sobre o conclave se não tivessemos lido os jornais hoje”.

As entrevistas coletivas que abasteciam os repórteres, como as concedidas pelos norte-americanos, cessaram nesta semana a pedido da Cúria Romana.

Tudo que o Vaticano entrega a centenas de veículos de todo o mundo é uma conversa diária, às 13h (9h em Brasília), com o chefe de sua assessoria de imprensa, Federico Lombardi. Enquanto se reúnem os religiosos, nada de sinal de celular.

Ao renunciar, Bento XVI provavelmente não pensou em como o processo de sua sucessão seria comunicado ao público emgeral. Tanto que na primeira coletiva em que tratou do assunto, Lombardi tinha mais dúvidas do que certezas.

Uma semana depois de Joseph Ratzinger deixar o cargo, parece que não muito mudou para quem não participa das reuniões no Vaticano.

Maurício Savarese, jornalista, está em Roma como enviado especial do Blog do Noblat para cobrir a eleição do novo papa


Um comentário

  1. FUI !!!
    domingo, 10 de março de 2013 – 4:45 hs

    Com todo o respeito à Igreja Católica é muito protocolo demais para
    a minha pobre cabeça…

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