Estímulos sem resposta | Fábio Campana

Estímulos sem resposta

Da Miriam Leitão, O Globo:

O magérrimo PIB de 0,9% representa um fracasso maior do que parece. Fracassaram todas as medidas de estímulo, algumas boas, como a queda dos juros, outras que criaram tratamento desigual dentro da economia, com subsídios e vantagens distribuídas a escolhidos.

O PIB per capita foi zero. O investimento caiu 4%. Olhando para frente, 2013 será melhor do que 2012. O que se discute é quanto melhor.

Na quinta-feira à noite, passando perto de um grupo de economistas reunidos numa livraria do Rio, perguntei a Silvia Matos, do Ibre/FGV:

— Que número sairá amanhã?

— 0,9% — respondeu.

Ela fez essa afirmação categórica porque estudou os dados que levam ao cálculo do PIB e chegou à conclusão de que esse era o número. Isso mostra que o IBGE fez com independência sua conta, apesar de trazer uma má notícia. Serve de consolo.

Nossa vizinha Argentina tem um instituto de pesquisa que, por ordem do governo, tem que torturar os números para que saiam como o governo quer. É um alívio saber que os índices do IBGE são previsíveis e respeitados.

Olhando para 2013, houve nas últimas semanas uma série de previsões otimistas, de que o Brasil poderia crescer até 4%. Essa é a estimativa de Nilson Teixeira, do Credit Suisse, que foi muito criticado pelo ministro Guido Mantega, no ano passado, que afirmou que era piada sua previsão de 1% para 2012. Não foi piada, foi o que aconteceu.

Outro otimista é Octávio de Barros, do Bradesco, mas sua estimativa de 3,5% entrou em viés de baixa, ontem. A consultoria inglesa Capital Economics cortou sua projeção de 3,5% para 3%, a mesma do HSBC. A Austin Rating manteve 3,7%. Entre os mais cautelosos, estão a Rosenberg & Associados, que prevê 2,5%, e a Gradual, em torno de 2%.

Sobre 2012, o PIB do quarto trimestre, quando anualizado, dá um crescimento de 2,4%, segundo Rafael Bacciotti, da Tendências. É um número bem menor do que dizia o governo: o país terminaria o ano crescendo 4%.

A atividade ficou abaixo do esperado e o carregamento estatístico para este ano será menor, de 0,7%. Teremos que remar muito para chegar a um PIB 4%. Esse carregamento funciona assim: mesmo que o país fique estagnado ao longo do ano, ele terá, na média, um PIB 0,7% maior que a média de 2012.

O que foi pior em 2012 foi a queda de 4% do investimento. Foi a segunda queda anual e se igualou a 2009, que foi ano de crise. A indústria encolheu e também voltou a 2009. A maior retração foi a da agropecuária, e o melhor desempenho foi o dos serviços. A taxa de poupança caiu para 14,8% do PIB, e o investimento desceu a 18,1%.


7 comentários

  1. salete cesconeto de arruda
    sábado, 2 de março de 2013 – 15:31 hs

    Esse economistas são aqueles que continuam esperando o bolo crescer…. sem que percebam que o POVO já está COMENDO há muito tempo.
    É um novo paradigma Miriam.
    Acorda antes que uma TSUNAMI te pegue novamente!

  2. HENRY
    sábado, 2 de março de 2013 – 15:33 hs

    ESTE RESULTADO É O QUE SEMPRE ACONTECE COM O (des)GOVERNO DOS corruPTos DO pt “partido do trambique”. MAS OBSERVEM QUE OS QUADRILHEIROS MILITANTES, DESDE SEU CHEFÃO MAIOR, O lula 51, TODOS FICARAM MUITO RICOS NOS 10 ANOS QUE TOMARAM DE ASSALTO ESTE PAÍS CHAMADO “braZil”. O PIOR DE TUDO É QUE O PAÍS FICA POBRE E OS ELEITORES ANALFABETOS POLÍTICOS, E QUE INFELIZMENTE SÃO UMA GRANDE MAIORIA, VOTAM NESTA CALHORDA! VEJAM O EXEMPLO DA ex MAIOR EMPRESA DO PAÍS, A PETROBRAS. ESTÁ FALIDA E VEM COISA MUITO PIOR POR AÍ. É ESPERAR PRA VER.

  3. Carlos Bahia
    sábado, 2 de março de 2013 – 17:23 hs

    A crise bate à porta, só o Governo que não quer admitir.
    O crescente índice de inadimplencia é um dos principais termomito da incapaciedade de consumo.
    Não poderia ser diferente! O mundo inteiro fechando as portas para a evasão de divisas, enquando no Brasil as multinacionais fazem a festa. O problema não é só uma questão de balança comercial. A queda foi geral, menos consumo, menos produção, menos empregos, em contra partida muito impotação e remessa de royalts.
    Se as grandes potências economicas setiram a crise não será o Brasil que ficará livre.

  4. TRABALHADOR
    sábado, 2 de março de 2013 – 19:21 hs

    O resultado do PIB está dentro do que se esperava, em dezembro de 2012 estava-se falando em 1%. O FMI também já havia avisado que em 2012 cairia a nível mundial, pois estamos em meio a uma crise econômica. Em vista do que aconteceu na Europa, até que fomos bem, nossa economia se fortaleceu nos últimos anos e conseguimos passar por tudo isso sofrendo pouco (ou quase nada, dependo da classe social). Se essa situação mundial tivesse acontecido há 15 anos atrás, os resultados teriam sido catastróficos.
    Nosso PIB mostra nosso pais, mostra nossa cara. Apesar de nossos esforços, ainda somos um país subdesenvolvido, faltam elementos para gerarem índices melhores. Não adianta dizer que a culpa é da Dilma, do Lula, do PT, do PSDB, do FHC; são discussões inúteis que não resolvem nada. Precisamos ser, todo nós, mais eficazes em nossas ações. Precisamos ver em que direção o mundo vai e ir junto, correr atrás da bola, o futuro não vai ficar esperando por nós.

  5. Parreiras Rodrigues
    domingo, 3 de março de 2013 – 9:01 hs

    Trabalhador, de novo, com razão. Sobretudo há que se reconhecer a importância do Plano Real, do Proer, da Lei de Responsabilidade Fiscal, para amenizar impactos das crises internacionais. Difícil é suportar a mitologia criada pelo petê que nada de bom herdou dos governos que o antecederam, mitologia que começa com: Nunca na História desse País …

    e deveria continuar assim: se copiou e ampliou práticas de governos anteriores e que nos possibilitaram melhorar o consumo por parte da nossa gente. Queremos pedir perdão — deveria dizer Lula, ao meu ex-companheiro de trincheira, o dr. Fernando Henrique Cardoso, pelo Plano Real que tanto combatemos, pela criação do Fome Zero, do Vale Gás que hoje ampliamos e que está possibilitando o surgimento de nova massa de consumo para dinamizar a nossa economia. E que os brasileiros todos sejam caridosos e benevolentes para com os erros que cometemos por termos roubado tanto, tão descarada e impunemente. E que nem dêm importância práquelas viagenzinhas com Rose Noronha, sabem, ela era muito “eficiente”.

  6. Silva Jr
    domingo, 3 de março de 2013 – 9:34 hs

    Falau a comentarista econômica que não acertou nenhuma das previsões catatstrofistas feita até a presente data. Grande defensora dos bancos e dos juros altos.

  7. Silva Jr
    domingo, 3 de março de 2013 – 9:46 hs

    Para o desespero dela, os sinais macroeconômicos do Brasil são de crescimento e desaceleração da inflação. Portanto, logo, logo, a urubú tucana ficará sem bandeira outra vez.

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