Dilma, o veto e o voto | Fábio Campana

Dilma, o veto e o voto

Por Mary Zaidan

Ninguém em sã consciência poderia criticar redução de impostos, especialmente dos que incidem sobre alimentos. Portanto, acertou a presidente Dilma Rousseff ao desonerar a cesta básica. Aliás, já poderia ter feito. Há apenas seis meses, a mesma Dilma vetou um projeto idêntico de autoria do deputado Bruno Araújo (PSDB-PE).

Nada surpreendente. Seria muito querer que alguém que briga pela paternidade do cadastro básico que permitiu colocar o Bolsa Família em pé entregasse de barato para seus adversários o barateamento da cesta básica.

A isenção, na verdade, só viria em maio. No dia 1º, claro, como manda o figurino de quem hoje só pensa em 2014. Mas o medo do dragão da inflação, que insiste em fazer fumaça, obrigou mudanças de planos. Rapidamente o marqueteiro de plantão fez o anúncio coincidir com a mágica data do Dia Internacional da Mulher para que a primeira mulher presidente proclamasse o alívio nas contas das donas-de-casa.

Tudo sob medida.

O pronunciamento da sexta-feira para propagandear a mesma isenção que vetara há seis meses – 11 minutos em rede de rádio e televisão – aconteceu exatos 36 dias depois de Dilma ocupar o mesmo espaço para anunciar redução na tarifa de energia. Duas redes nacionais em horário nobre em pouco mais de um mês.

Imaginem isso multiplicado por 18 meses, tempo que nos separa das urnas. Nem de longe seus concorrentes conseguirão chegar perto de tal exposição. Muito menos para entregar benesses, algo que Dilma não se cansa de fazer, ainda que com o chapéu alheio – desta vez, e mais uma vez, com um chapéu tucano.

Sem qualquer pudor, Dilma vai repetindo o que aprendeu com o seu padrinho Lula. Mesmo sem cancha, desajeitada, sobe em palanques, fala bobagens.

Corre para ocupar todos os espaços possíveis e, atabalhoadamente, tentar colocar a economia em pé, ainda que a fórceps, ameaçando o futuro próximo. Precisa desesperadamente de algum êxito nessa seara, sem o qual não conseguirá convencer nem mesmo o PT, quanto mais aliados que já namoram o inimigo futuro.

Nos pronunciamentos oficiais, segue à risca o script. Nem se constrange quando diz às mulheres: governo com a mesma responsabilidade que você e o seu marido governam a sua casa, com a mesma sensibilidade e cuidado que vocês devotam à sua família.

Isso dito no momento em que o País exibe baixo crescimento, inflação em alta, obras do PAC empacadas, quando não superfaturadas – basta olhar os canteiros da Transnordestina ou a transposição do Rio São Francisco -, é quase um acinte.

Para o bem do País, felizmente as famílias brasileiras fazem melhor. Na verdade, bem melhor.

Mary Zaidan é jornalista. Trabalhou nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, em Brasília. Foi assessora de imprensa do governador Mario Covas em duas campanhas e ao longo de todo o seu período no Palácio dos Bandeirantes. Há cinco anos coordena o atendimento da área pública da agência ‘Lu Fernandes Comunicação e Imprensa’. Escreve aqui aos domingos. @maryzaidan


10 comentários

  1. Silvajr
    domingo, 10 de março de 2013 – 19:30 hs

    Vamos aqui falar a verdade. Esses tucanos gostam de roubar as idéias alheias, a proposta foi feita pelo PT bem antes. Daí o governo mandou fazer um estudo para se certificar acerca do impacto da medida de exoneração no orçamento. Nesse meio tempo veio o PSDB com a proposta furtada, Dilma vetou sim, pois ainda estava fazendo os estudos. Nenhum governo zera tributo sem que se faça um estudo sobre seu impacto financeiro.Outra coisa, o PSDB teve tempo até demais para isentar os produtos da cesta básica e nada fez, o que fez foi arrochar salário, vender as estatais, aumentar os juros e assaltar o patrimônio público.

  2. Deutsch
    domingo, 10 de março de 2013 – 19:46 hs

    Essa é a presidANTA do Brasil. Vamos falar sério né? Experiência pra fazer merd@s tem de monte pois começou como bandida, assassina, assaltante, sequestradora, etc..
    Nada como um jogo baixo pra ganhar uns pontionhos.
    E os idiotas adoram.

  3. Palpiteiro
    domingo, 10 de março de 2013 – 20:16 hs

    Em tempo de inflação subindo rápido, a popularidade pode esvair-se, também, rapidamente, porque o povo é volúvel e é governado pelo bolso, pelo estômago e pelo circo. Assim, um pouco de demagogia pode ajudar a adiar o fim do sonho lulopetista do seu “Reich de Mil Anos”.

  4. Luis C. Break
    domingo, 10 de março de 2013 – 21:00 hs

    Muito simples o PT não cria, mas copia e da nome ao filho que não é capaz de gerar. Como fez com a bolsa família que já existia no Governo Fernando Henrique Cardoso.
    Este é o motivo pelo qual não permitiram fazer valer o projeto do Dep. Bruno Araújo (PSDB-PE) que iria desde a data da apresentação baratear a cesta básica. entenda toda manobra do PT para ser pai da criança.

  5. NEVES
    domingo, 10 de março de 2013 – 21:12 hs

    Único Projeto do PT é de PODER, no mais só CÓPIA do governo anterior que apenas mudaram o nome.

    Mas a CARA DE PAU e o descaramento é tão grande que os PETRALHAS nem disfarçam

    Esse PROJETO DE DESONERAÇÃO DA CESTA, FOI VETADO dia desses , nem esfriou e a gerenta apresenta como seu “projeto”.

    Bando de ENAGANADORES

  6. Constanza Del Piero
    segunda-feira, 11 de março de 2013 – 9:43 hs

    Pra quem roubou até os aplausos do presidente da ONU, na cara dura, na frente das câmeras do mundo, não vai roubar um projetinho fuleiro desses? –
    O petê com seu sindicalista analfabeto travestido de presidente, e sua terrorista travestida de democrata, conseguiu roubar até o Proálcool do governo militar, mudando inclusive o nome pra Etanol.
    Isso não é um partido, Isso é uma quadrilha! E muito perigosa.

  7. Gardel
    segunda-feira, 11 de março de 2013 – 10:55 hs

    Dilma, a pouco tempo, vetou um projeto de autoria do deputado Bruno Araújo do PSDB que isentava a cesta básica de impostos. Agora, com a maior cara de pau, posa de salvadora da pátria. O que o PT quer, é implantar o projeto de dominação do povo brasileiro.

  8. ernesto
    segunda-feira, 11 de março de 2013 – 12:41 hs

    cara de pau é dos tucanos, ou como alguns aqui do blog preferem tucanalhas que roubaram ideia e apresentaram a proposta justo quando o governo já estava estudando a medida. Os deputados do PSDB parecem aqueles vereadores de cidades do interior que, sabendo das obras planejadas pela prefeitura, apresentam requerimentos solicitando as obras já previstas pelo prefeito apenas para fazer média com a população. lamentável

  9. Rodrigo
    segunda-feira, 11 de março de 2013 – 13:56 hs

    Desonestidade intelectual absurda de queme escreveu a coluna. O veto à que o escritor se refere ocorreu por absoluta inconstitucionalidade do projeto de lei aprovado. Nunca é demias lembrar que na era FHC, houve a aprovação da lei de responsabilidade fiscal. Para que o parlamentar possa propor uma isenção ou redução de tributo, precisa necessariamente anexar ao projeto o estudo de impacto orçamentários no 4 anos subsequentes, além de indicar de que fonte sairá o recurso renunciado ou criar novo imposto para suprir a renúncia fiscal do quel criou a isenção ou redução. não me parece que tenha sido o caso do tal projeto que o escritor se refere.
    Ocorre que como hoje não há oposição no Congresso Nacional, esse papel de contraponto oposicionista ao governo é feito pela imprensa. Então o importante é criticar com virulência e se a crítica virulenta não funcionar, a receita é dobrar a dose. Hoje em dia, os parlamentares do PSDB e do DEM, são pautados pela Veja, Folha e Estadão, com a Globo reverberando. Não há projeto nos partidos ditos de oposição, apenas atuam como ventríloquos das grandes famílias que comandam a oligarquia da informação.
    Observem como são fundamentados os requerimentos dos parlamentares de “oposição”. Todos eles fazem pedidos e requisições em razão de “fatos estarrecedores divulgados pela revista Veja, ou reportagem do Fantástico, ou em manchete da Folha”…..
    Até quando a presidente toma uma medida bacana, o pessoal não se aguenta e começa a chiar, dizendo que é por causa da eleição e tal. Pode até ser, mas com certeza aprenderam com a tucanalha. O exemplo mais recente quem nos forneceu foi o beto richa, que durante a campanha em 2012 inventou um subsídio para o trasnporte para ajudar o pupilo a tentar a reeleição.

  10. Constanza Del Piero
    segunda-feira, 11 de março de 2013 – 18:19 hs

    O Arnesto nos convidou….

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