A mentira da inflação e outros contos-do-vigário de Cristina Kirchner | Fábio Campana

A mentira da inflação e outros contos-do-vigário de Cristina Kirchner

Reportagem de Duda Teixeira, na VEJA

O CONTO ARGENTINO
Cristina Kirchner faz com as estatísticas econômicas o mesmo que os seus militantes com os fatos históricos – uma manipulação grosseira da realidade. Quem sofre é o povo

A Argentina é um país onde o passado parece sempre mais auspicioso que o presente e o futuro. A falsificação da própria história é um traço da cultura nacional. O populista Juan Domingo Perón, que fez a desindustrialização forçada do país e o tomou dependente de importações pagas em dólares de produtos que vão de escovas de dentes a automóveis, é tido como grande inovador da economia.

Da sua mulher, Evita, não basta constatar que magnetizou as massas na Argentina como política, é preciso acreditar que ela também foi uma atriz de grandes méritos. Os kirchneristas representam muito bem essa característica e recorrem à manipulação do passado. A tentativa de enxertar no currículo do papa Francisco, um crítico do governo, um episódio de colaboração com a ditadura militar é só a mais recente dessas invenções.

Para esconder a ruína de seu desgoverno, Cristina Kirchner recorre à fabulação do presente tão intensamente quanto o faz em relação ao passado. As estatísticas econômicas oficiais viraram piada. A inflação anual oficial foi de apenas 10%. O valor real é 24%, com a projeção de bater em 30% no fim de 2013.

O ilusionismo kirchnerista é um desastre anunciado e um atentado à economia popular. Um argentino que acredite no governo e aceite a remuneração média dos investimentos em bancos, em tomo de 13%, poderá imaginar que está protegendo seu dinheiro da desvalorização. Está sendo depenado pela inflação real. Ao argentino está vedada até mesmo a fuga para o mercado imobiliário, opção preferencial em momentos de incerteza, já que as transações eram quase todas feitas em dólar.

A exemplo do que ocorre em Cuba, na Argentina ter dólar é impatriótico. Agora, a compra e a venda de imóveis têm de ser, por força de lei, em pesos. Como a maioria dos argentinos — escolados por décadas de regras econômicas voláteis — tem poupança em dólares, ser obrigado a convertê-los em pesos pelo câmbio oficial irreal equivale a ser roubado pelo governo. Por causa dessa imposição, a oferta supera em muito a procura e o valor das propriedades na Argentina está encolhendo. No último ano, a queda foi de 30%.

Como governos autoritários não precisam demonstrar coerência, a Argentina oficial sem inflação precisou recorrer ao congelamento de preços. A realidade é outra. E a realidade econômica morde. Obviamente, como se aprende no 1º ano da faculdade de economia, quando se congelam preços nos supermercados o consumo aumenta e, por uma incontornável lei econômica, pressiona a alta dos preços. É o que ocorre agora na Argentina.

O governo reagiu com a patética tentativa do secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, de proibir que os supermercados publiquem ofertas nos jornais. Moreno jogou mais gasolina na fogueira: “Ficou mais difícil para os consumidores comparar preços. Como resultado, a concorrência entre os supermercados diminuiu, o que estimula a inflação”, diz o economista Juan Luis Bour, da Fundação de Investigações Econômicas Latino-americanas (Fiel), em Buenos Aires.


7 comentários

  1. BinLaden
    sábado, 30 de março de 2013 – 19:22 hs

    E aqui no Brasil vcs pensam que é diferente com os irmãos PTralhas?

  2. Paulo
    sábado, 30 de março de 2013 – 19:35 hs

    Ao contrário do que a matéria deixa transparecer, os argentinos devem estar exultantes com seu governo, visto que deram uma VOTAÇÃO HISTÓRICA para a “presidenta” deles na última eleição. Estão reclamando do que? O partido que eventualmente poderia adotar outra política econômica, a UCR, fez minguados 11% de votos, enquanto a esquerda somou mais de 70%. Acho que eles MERECEM o governitcho mentiroso que têm!

  3. Constanza del Piero
    sábado, 30 de março de 2013 – 22:59 hs

    Hoje é a Argentina. Amanhã seremos nós! – O modus operandi e as cartilhas são as mesmas.
    Ainda dá tempo de defenestrar para os quintos dos infernos, essa ameaça vermelha que se espalha por toda América Latina.

  4. Deutsch
    domingo, 31 de março de 2013 – 17:58 hs

    hahahah! não se sabe quem governa a Argentina ou o brasil. As mentirosas sãoiguais.
    É só enganação e os idiotas que nelas votam adoram, não é silvestre e silva jr?

  5. Francisco de Assis
    domingo, 31 de março de 2013 – 21:36 hs

    Na verdade os Kichnner tiraram a Argentina do fundo do pooço, onde foi colocada pelo corrupto Menen

  6. Analista de Bagé
    segunda-feira, 1 de abril de 2013 – 7:56 hs

    Mas é exatamente para garantir esta maquiagem maquiavélica, que Cristina e outros governos odiosamente autoritários desejam calar a imprensa, através de marcos regulatórios…

    Isso me faz lembrar um governo federal bem próximo de nós, ansioso em quebrar grandes empresas de comunicação, as únicas que tem condições de sobreviver economicamente sem pedir diariamente penico ao crédito ou verbas controlados pelo grupo político dominante.

    Se os grandes grupos de comunicação deixarem de existir ou forem fracionados, o poder da MANIPULAÇÃO DE INFORMAÇÕES governamentais será a garantia de que grupos políticos que se valem da corrupção no legislativo – comprando a autonomia da “casa onde o povo se manifesta através de seus representantes” – simplesmente para o grupo executivo dominante se perpetuar no governo federal!

  7. Doutor Prolegômeno
    segunda-feira, 1 de abril de 2013 – 17:38 hs

    A Argentina já foi um grande país. O mais importante da américa latrina. Na primeira metade do século XX, orgulho dos portenhos e dos gauchos, era bela, rica, culta, civilizada, bem vestida, cheirosa e com uma arquitetura de dar inveja a nova-iorquinos e outros. Depois, o dilúvio. Uma sucessão de bandoleiros, arrivistas, demagogos, populistas, chefetes e outros que tais, iniciando pelo rei dos populistas latinos, o coronel Perón. Arruinou a matriz econômica do país, destruiu a têmpera empreendedora do povo argentino, corrompendo-o com os bolsas-misérias da época, transformado os argentinos em pedintes e mendigos do governo. De lá, para cá, alternando vagabundos populistas, com ditadores criminosos e demagogos de brilhantina, ou de costeletas, ou de olhos brigados ou de cara de bruxa, estão arrasando o que ainda restou de bom naquele país valente.

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