77 votos elegem o Papa | Fábio Campana

77 votos elegem o Papa

De Maurício Savarese, O Globo:

O número mágico para o novo papa: 77 votos, por Maurício Savarese
O novo pontífice precisa do apoio de, pelo menos, dois terços do colégio cardinalício para ser eleito. E esse caminho para os 77 votos exige mais do que um candidato com apelo em seu continente ou em sua corrente teológica: ele terá de agregar. Até agora, em um dos conclaves mais imprevisíveis, nenhum deles parece ter controle sobre os grupos que lhes atribuem.

Liberais no conclave não haverá. A tendência conservadora se vê em quem indicou os que escolherão o próximo pontifice: quase 70 dos 115 eleitores chegaram pelas mãos do papa emérito Bento XVI e os demais pelas de João Paulo II. Mas se não é possível vencer apenas com os de linha dura mais dura, tampouco é plausível triunfar sem eles.

Na divisão geográfica, são 60 europeus, 19 latino-americanos, 14 norte-americanos, 11 africanos, 10 asiáticos e um australiano. Dentro desses mesmos grupos, muitas vezes o que une os cardeais é a origem. Desgosto pessoal ou divergências teológicas costumam afastá-los.

De qualquer forma, o vencedor terá de extrapolar questões paroquiais. Um candidato que fosse exclusivo da Cúria Romana, como a mídia italiana tem pintado o arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, teria certamente menos chances de vencer do que um postulante que concilie moderados e conservadores de fora do Vaticano.

Já um italiano, como o arcebispo de Milão, cardeal Angelo Scola, não poderia abrir mão dos votos de fora do Velho Continente, ainda que a presença europeia seja tão preponderante entre os votantes. Ainda há, na possibilidade de um impasse entre duas candidaturas fortes, o surgimento de uma terceira via para resolver a disputa.

Os especialistas em Vaticano indicam que o caminho para a vitória, embora complexo, dificilmente se abrirá sem apoio na administração da Igreja Católica: a Cúria. Ela conta com 38 votantes. A indicação de como se dividem os gestores do Vaticano tende a aparecer já na primeira votação, como a que ocorreu esta tarde.

Isso viabiliza uma primeira rodada de observação, a ser discutida no jantar.

Como os membros da Cúria convivem diariamente, seus votos estão mais amadurecidos do que o dos cardeais que vêm de fora da Itália e precisam de mais contato com os candidatos.

A decisão para a escolha de um novo papa também pode passar pela indicação do número dois, o secretário de Estado do Vaticano. Por hora, o homem mais citado para essa função é o prefeito da Congregação para Igrejas Orientais, o ítalo-argentino Leonardo Sandri, também papabile. Se não vencer, ele pode ter apoio o bastante para despejar votos em quem possa ser eleito.

São tantos interesses diferentes a conciliar que, vença quem vencer, haverá por merecer ser chamado de pontífice — aquele que é ponte.


5 comentários

  1. Previsão
    quarta-feira, 13 de março de 2013 – 0:25 hs

    Linda foto!

  2. Constanza Del Piero
    quarta-feira, 13 de março de 2013 – 9:18 hs

    Conforme o Zé Simão, se essa votação é inspirada pelo Espirito Santo, o resultado teria que sair de primeira, e por unanimidade…
    Faz sentido, não acham?

  3. quarta-feira, 13 de março de 2013 – 10:03 hs

    Parece reunião do PT !

  4. PEDRO CAMARGO
    quarta-feira, 13 de março de 2013 – 10:43 hs

    QUE VENHA DOM ODILO, AMÉM.

  5. Constanza Del Piero
    quarta-feira, 13 de março de 2013 – 15:44 hs

    Oh loco, Cezar! Não precisa esculachar com o velhinhos…

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