Taxa de homicídios fica longe da meta | Fábio Campana

Taxa de homicídios fica longe da meta

Peritos analisam assassinato em Curitiba: número de homicídios caiu 13% na capital (Aniele Nascimento/ Arquivo/ Gazeta do Povo).

De Diego Ribeiro, Gazeta do Povo:

A luta para reduzir os homicídios no Paraná sofreu um novo revés em 2012. No ano em que o governador Beto Richa havia definido uma meta de 25,8 assassinatos para cada 100 mil habitantes, o estado deu um passo atrás: foram 3.135 homicídios – taxa de 30 mortes para cada 100 mil habitantes. Em 2011, ocorreram 3.085. Naquele ano, a projeção do governo também foi frustrada. Na época, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) projetava uma taxa de 27,8 por 100 mil, mas acabou com 29,5.

O índice está longe do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que considera como aceitável dez mortes a cada 100 mil habitantes. O estado de São Paulo, mesmo com uma alta de 15% no número de homicídios no último ano, ainda permanece com uma taxa de 12 casos por 100 mil.Se não caiu, o número total de mortes no Paraná indica pelos menos uma tendência de estabilidade, já que a variação de casos de um ano para o outro foi de apenas 1%. Além disso, a capital registrou uma queda de quase 13% (de 685 para 597 homicídios).

A Sesp divulgou pela primeira vez o Mapa do Crime por município, o que impossibilita a comparação com o ano interior na maior parte do Paraná. No entanto, a reportagem conseguiu a variação em Foz do Iguaçu. Em 2012, a cidade fronteiriça registrou 165 homicídios – média de 64 por 100 mil habitantes – um aumento de 22% em relação a 2011. A Sesp informou que seguirá trabalhando para atingir as mesmas metas.

Causas

Para o delegado federal e coordenador do curso de pós-graduação Algacir Mi­­ka­­lo­­viski, as Unidades Paraná Se­­guro (UPSs), implantadas em Curitiba, Londrina e Cascavel, são uma boa iniciativa do governo, mas ainda estão distantes da cobertura necessária. “É muito complicado deixar policiais nas UPSs enquanto há uma demanda muito grande para atender ocorrências.”

Na avaliação dele, o estado já provou que não consegue combater o problema sozinho. “A solução passa pelo fortalecimento dos municípios, que precisam assumir o protagonismo de fato no combate à criminalidade”, afirma. Ele cita como exemplo a Grande Curitiba. “Os problemas da região metropolitana se refletem na violência de Curitiba. Por isso, municípios precisam trabalhar de forma coesa.”

Para o sociólogo Cézar Bueno, da Pontifícia Univer­sidade Católica do Pa­­ra­­ná (PUCPR), as UPSs ainda são mais um ideal do governo do que uma realidade. “Enquanto não implementar uma política pública realista entre União, estado e municípios, o combate à violência vai patinar”, diz. Ele lembra que uma das dificuldades para diminuir os homicídios está na cultura brasileira de resolver conflitos com violência.

Assassinatos crescem 23% em Foz, mas não preocupam a polícia

De Fabiula Wurmeister, da sucursal da Gazeta:

O aumento de 23% no número de homicídios em Foz do Iguaçu em 2012 não ameaça a tendência de estabilização que a cidade registra desde 2006, o ano mais violento da história da cidade, quando 303 pessoas foram assassinadas. Segundo o delegado da Homicídios Marcos Araguari, a maioria dos 165 mortes ocorreu ainda no primeiro semestre do ano passado e se concentrou em duas favelas da região central. “Grande parte foi resultado de desentendimentos internos entre membros de quadrilhas. Conseguimos prender sete envolvidos nestes homicídios”, disse.


6 comentários

  1. jorge
    sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013 – 10:16 hs

    Esse e´o choque de gestão ! Governo esta perdido tanto na seg publica como em outros aspectos ! A reeleição cada vez mais distante!

  2. lika
    sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013 – 10:32 hs

    ESQUECERAM DE COMBINAR COM OS BANDIDOS, RSRSRSR

  3. Vagalume
    sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013 – 12:38 hs

    O objetivo de imprimir maior celeridade para atingir resultados foi atingido!!! Parabéns Fernanda!!!

  4. laisa lopes
    sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013 – 14:07 hs

    reflexo de uma policia civil capenga, mal dirigida e, o que é pior, sem qualquer projeto de melhora. Deveria ser publicado o índice de identificacao e prisões de homicidas, aí o espanto é maior. bandido solto é bandido reincidente. Pobre Paraná.

  5. Parreiras Rodrigues
    sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013 – 16:45 hs

    Reflexo dos oito anos sem uma contratação para o quadro da Segurança.

    Jorge e Laisa: Impossível qualquer governador colocar um policial na porta de cada boca de droga.

    Sabe-se que a maioria das mortes acontece entre traficantes.

    O Paraná é a principal porta de entrada do narcotráfico arreganhada por um governo omisso quanto a fiscalização e policiamento em nossas fronteiras.

    Conveniente não comentar pelo simples prazer de comentar e sem o mínimo conhecimento do problema.

  6. sergio silvestre
    sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013 – 20:32 hs

    No rio de janeiro,no governo leonel brizola foi feita uma propaganda massiva dos cieps,onde a criança entrava cedo e só saia a tarde bem alimentada e com estudo integral.
    Exelente ideia do secretario da epoca prof DARCI RIBEIRO.
    Mas a propaganda inchou as favelas e a população sem emprego já que a maioria vinha da zona rural,caiu no crime.
    O mesmo aconteceu com curitiba,inchou e veio a furo,com seus fundos de vale das periferias ,onde o enfavelamento tomou conta.
    E a coisa caminha para a piora se os governos não forem na raiz da questão.
    Fica dificil até pelas leis e direitos humanos dar um tratamento de choque ,mas devem sim combater para minimizar aos poucos.

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