Sambódromo em Curitiba, com dinheiro público, é um erro | Fábio Campana

Sambódromo em Curitiba, com dinheiro público, é um erro

do Rogério Galindo

Então agora o pedido é para que se construa um sambódromo em Curitiba. E há apoio para a ideia, ao que parece. Claro, a obra, pede-se, seria feita com dinheiro público. Mas, vejamos, existe um bom argumento para isso?

É claro que o poder público tem a obrigação de investir em cultura, e faz isso muito menos do que devia. Isso não se discute. É claro, também, que pode e deve investir em arte popular, nada contra. Mas quais são os critérios?

Porque, é preciso lembrar, não há dinheiro sobrando, e é preciso escolher o que bancar. Não nasce em árvore. E normalmente há uma concordância de que, na área de cultura, há dois critérios para escolher o que patrocinar com verba pública.

1- É preciso que o projeto escolhido traga benefícios culturais.

2- Tem de ser algo que não se pague por si mesmo, que não tenha interesse comercial.

Começando pelo primeiro ponto. O carnaval é uma festa popular importante, não há dúvida. Mas que tipo de benefício se garante ao patrocinar (por meio da construção do sambódromo) um desfile de escolas de samba?

Não se trata de uma tradição local, por exemplo. Se fosse o caso, teria de se patrocinar, sim, um grupo de fandango. Um bloco cultural histórico. Um desfile de Reis típico. As escolas de samba, neste formato, não são uma tradição histórica, são uma cópia do que se faz no Rio de Janeiro…

Nada contra o desfile. É bom que exista. As pessoas se divertem nele, certo? Diz-se que 30 mil pessoas acompanham o desfile na Cândido de Abreu, por exemplo. Mas aí vem o segundo ponto.

Se tanta gente gosta e quer, trata-se de uma atividade que tem potencial comercial. E, nesse caso, as pessoas interessadas têm como fazer isso por conta própria. Se 30 mil pessoas pagarem ingressos a R$ 5 já dá um bom dinheiro. Se conseguirem patrocínio para anúncios, muito mais dinheiro haverá.

Mas há uma noção no Brasil de que toda arte ou forma de cultura tem de ser bancada pelo Estado, o que é uma mentira e uma afronta ao erário, que tem tanta coisa em que investir. Tudo tem de ter dindim do povão: da revista de poemas ao filme da Xuxa… Por quê?

Entende-se o patrocínio a um grupo de lundu. Ou a uma orquestra de Câmara, que não tem como se bancar, talvez. Mas desfile comercial de escolas de samba? Parece simplesmente surfar no nosso estatismo cultural mais uma vez.


29 comentários

  1. bico doce
    domingo, 3 de fevereiro de 2013 – 15:42 hs

    Carnaval em Curitiba ? Sambódromo ? Carro alegórico ? Mulatas ? Samba-enredo ? Escolas de samba ? Baterias ?

    Isso é mais grave que o delírio da Copa do Mundo.

  2. Strapasson
    domingo, 3 de fevereiro de 2013 – 15:46 hs

    Concordo plenamente.

  3. sergio silvestre
    domingo, 3 de fevereiro de 2013 – 16:26 hs

    Se construisse um sambodromo,como foi feito o do rio de janeiro,com ciaps ( ESCDOLAS INTEGRAIS) aproveitando os espaços tudo bem.
    Mas construir um elefante deste só para malacos sassaricar tres dias
    por ano,ai é prá acabar.

  4. Strapasson
    domingo, 3 de fevereiro de 2013 – 17:25 hs

    Ficou meio esquisito o “concordo plenamente”.
    Para não ficar absolutamente claro: sou contra a construção de um sambódromo em Curitiba, somente para este fim. Não faz sentido.

    O argumento do Sergio Silvestre é interessante e bem razoável.

  5. antonio carlos indignado
    domingo, 3 de fevereiro de 2013 – 18:52 hs

    Nada como um dia depois do outro, não é que concordo inteiramente com o Galindo. Sambódromo em Curitiba e ponte ligando Guaratuba à Caiobá são verdadeiras inutilidades. Por que não sugerem que algum empresário, ou empresário, afins com a folia que banquem o empreendimento? ACarlos

  6. caruncho
    domingo, 3 de fevereiro de 2013 – 20:38 hs

    SAMBÓDROMO PARA QUEM DESFILAR ? DESDE QUANDO CURITIBA TEM CARNAVAL ? TEM MUITA COISA A SER FEITA COM ESSE DINHEIRO ANTES DE SE PENSAR NUMA ABERRAÇÃO DESSAS.

  7. Trabalhador
    domingo, 3 de fevereiro de 2013 – 21:52 hs

    Carnaval em Curitiba só vale pelo feriado, que dá pra aproveitar e ir pra praia..Isso quando o patrão é bacana, tem aqueles terroristas que resolvem abrir na segunda, ou inventam que carnaval não é feriado, e também abrem na terça. O resto…Tem dó, Curitibano não gosta de carnaval, não faz parte de nossas raízes que vem lá da Europa….Isso aí é obra faraônica, coisa que não precisa,, que nem o viaduto estaiado que inventaram de inveja do Serra lá de SP. Melhorem o atendimento a Saúde dos idosos, que se analisarmos direitinho como é feita de forma enrolativa, pois na prática é um lixo.

  8. Porta bandeira
    domingo, 3 de fevereiro de 2013 – 21:59 hs

    Pelamordedeus…essa ideia é de dar urticaria no rei momo. Quem teve esta belissima diarréia que financie.

  9. Dieter
    domingo, 3 de fevereiro de 2013 – 23:46 hs

    Silvestre, concordo plenamente. Caranaval em Curitiba é PPV.

  10. Vandixon Richard Delemos
    domingo, 3 de fevereiro de 2013 – 23:50 hs

    Uma boa festa praticamente todo mundo gosta, mas não temos tradição ou raízes com o carnaval. Devíamos observar exemplos espontâneos que ocorreram nos últimos anos em Curitiba e que são um sucesso, Bloco Garibaldis e Sacis, Fim de Ano Fora de Época. Eu acredito que deveríamos incentivar os blocos, poderia até haver uma competição. em cada região da cidade estimularia-se a formação de blocos temáticos com trios elétricos e elegeria um bloco campeão, no sábado e domingo de carnaval esses blocos sairiam de suas regiões e se encontrariam no centro de Curitiba. As escolas de samba poderiam lançar vários blocos, cada um ao gosto de seu público. Porque não inovamos e criamos algo novo?

  11. ANTONIO
    domingo, 3 de fevereiro de 2013 – 23:54 hs

    Sambódromo?
    Se foce o Luciano Duti iria construir e depois firmar uma PPP onde as escolas iriam pagar para desfilar!

  12. Valéria Prochmann
    segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013 – 2:56 hs

    O que seria interessante é a construção de um espaço público para grandes eventos na cidade, deslocado das regiões residenciais e comerciais para não causar transtorno de trânsito e barulho. O que o vereador Jair Cézar chama de “avenida dos eventos” poderia servir para carnaval, missas (pais, mães, Corpus Christi, Natal, etc), marchas evangélicas de todas as igrejas da prosperidade (Universal, Internacional, Mundial, etc), eventos sindicais (1° de maio) e esportivos (largadas de maratonas, corridas, passeios ciclísticos, etc) e parada gay. Tudo que hoje atormenta a população do Centro Cívico iria para essa avenida, que teria toda a estrutura para grandes eventos, inclusive banheiros, postos de atendimento a emergências, sala de cobertura da imprensa, sem prejudicar o tráfego da cidade e as rotas de transporte coletivo. E aqui ficaria somente o desfile cívico-militar da Independência, compatível com a vocação do bairro. A isso sou favorável!

  13. VISIONÁRIO
    segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013 – 6:54 hs

    Sambódromo em Curitiba é como se construisse um parque de
    diversões em pleno deserto. Dinheiro público é para ser investido
    em saúde e bem estar de toda a população e não para uma minoria
    das minorias !!!

  14. MARCIO
    segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013 – 7:48 hs

    SOU TOTALMENTE CONTRA A CONSTRUÇÃO DE SAMBÓDROMO, ATÉ PORQUE EM CURITIBA O POVO É BASTANTE CONSERVADOR E ADIMIRO ESSA IDEOLOGIA.
    SOU A FAVOR SIM DE CURITIBA SEJA UMA CIDADE RESERVADA PARA AS PESSOAS QUE PRIMEM PELA PAZ E SOSSEGO DURANTE O PERÍODO DE CARNAVAL, TAMBÉM PARA ÀQUELAS QUE QUEREM PASSEAR NOS PARQUES E FREQUENTAR BONS RESTAUTANTES, OU SEJA, PRA QUEM QUER REALMENTE DESCANSAR.
    E PARA O CURITIBANO QUER GOSTA UM POUCO MAIS DO AGITO, QUE VÁ PARA O LITORAL DO ESTADO, CONHEÇA O CARNAVAL DE ANTONINA, MORRETES E GUARATUBA, LÁ SIM PODEM TOCAR HORROR.
    VIVA CURITIBA, VIVA O POVO CONSERVADOR DE CURITIBA.

  15. Motoqueiro Infernal !!!
    segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013 – 7:54 hs

    Lá no bairro Ganchinho… ia ficar ótimo!

  16. Fátima Souza
    segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013 – 8:39 hs

    Que construir sambodromo, eles que usem essa verba para o que realmente interessa: EDUCAÇÃO, SEGURANÇA, SAÚDE, EMPREGOS.
    Dar uma vida mais digna para as pessoas, onde não se tenha que mendigar por isso.

  17. ELEIÇÃO 2012
    segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013 – 8:42 hs

    Melhor que investir em estadio de futebol!!!
    Que é p/ em “DEUSAR” sertas pessoas c/ dinheiro do povo.

  18. segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013 – 9:11 hs

    Causa estranheza crônica, essas aberrações desse comunista…..dias atrás estava horrorizado porque a iniciativa privada iria usar a Pedreira, a ópera de Arame, o Parque Náutico……falou um monte do parque Barigui, porque não podia passar pra iniciativa privada blá,blá,blá……agora vem com discurdinho de “cabeça aberta”………a primeira coisa que ele precisa é ter COERÊNCIA NO DISCURSO…….embora isso sejá impossível de pedir pra quem tem uma visão tão limitada do mundo……

  19. Aguirre
    segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013 – 10:29 hs

    Devemos lembrar que o carnaval curitibano existe, mas apenas como um lamentável mal entendido.

  20. Doutor Prolegômeno
    segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013 – 10:40 hs

    Sambódromo em Curitiba. Francamente. O Centro Cívico já serve para isso: lá o samba do afrodescendente doido toca todo dia.

  21. Saragiotto
    segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013 – 11:02 hs

    Em Curitiba Carnaval não se cria, até porque o povo curitibano não gosta dessa folia, dessa bagunça “meio organizada”.
    Sou de opinião que essa verba de R$ 40.000,00 que é repassada ao Diretores de escolas de samba, seja destinada para outros fins ou repassada às prefeituras de Guaratuba, Morretes, Matinhos, Antonina, porque lá sim o povo “brinca” carnaval.

  22. segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013 – 11:04 hs

    Se utilizam dinheiro público para construir um estádio de futebol privado, devem também construir uma área para o carnaval (outras atividades juntas). O correto é não financiar estádio de futebol privado e sambódramo com dinheiro público mas onde passa um boi a boiada vai passar. Direitos iguais.

  23. JOKA
    segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013 – 11:08 hs

    Se o questionamento é apenas sobre a fonte do dinheiro para custeio, concordo com os demais que com dinheiro público é um erro, porem se o custo total for pela iniciativa privada em troca de publicidade, acho válido, pois as escolas de samba, mesmo com todas as limitações prestam um trabalho interessante nas comunidades, tirando jovens da ruas, da criminalidade e levando para os barracões das escolas para aprender arte, musica e cultura e geral.

  24. Ali BaBa
    segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013 – 11:39 hs

    Isso é coisa da PTzadas só pra desviar dinheiro público….

  25. suetonio nogueira
    segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013 – 12:01 hs

    o povão que está comparecendo as festas pre carnavalescas etão dizendo que sim.
    Porém essa arena de cultura popilar tem que estar ligada a outras atividades fóra do momento carnavalesco.
    Curitiba sempre teve seu desfile de escolas de samba e só eram ignorados pelos pedantes da Boca Maldita e os ditos intelectuais de uma classe média alta falida, pois classe A já morreu por aqui tem tempo.

  26. Vitor
    segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013 – 16:09 hs

    Sambódromo em Curitiba?? Desculpem mas eu Preciso… KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK Morro e nao vejo tudo!! Criar Sambodromo numa cidade que nem Carnaval TEM?? Alguem vai levar muitaaaaaaaaaaa grana nisso. Ahse vai.

  27. Constanza Del Piero
    segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013 – 21:44 hs

    Curitiba tem que construir é um Pavilhão para eventos comerciais; atraindo o turismo de negócios, produzindo riquezas e trabalho DE e PARA os curitibanos.
    Joinville, uma titica, se comparada com Curitiba, tem três, totalizando quase 25mil m² de área para exposição.
    Tínhamos um, somente um, com pouco mais de 8mil m², portanto uma mixaria se comparada à capacidade de exibição de Joinville,.e o Ducci, na ânsia de se eleger, entregou-o de mão beijada à inicitiva privada, que agora, cobram o que querem por aquilo lá, afastando os pequenos empresários daquela casa que pertencia ao público curitibano. Pertencia……….

  28. Constanza Del Piero
    segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013 – 21:53 hs

    Curitiba tem que construir é um PAVILHÃO DE EXPOSIÇÕES, para atrair o turismo de negócios, produzindo riqueza e trabalho DE, e PARA os curitibanos.
    O único que tínhamos, com cerca de 9mil m², Il Ducci, na ânsia de de eleger, entregou-o à iniciativa privada, que hoje faz e cobra o que quer, num pavilhãozinho de 5mil m²; lógico, diminui-se a oferta, para aumentar o preço; e o curitibano ó…
    Joinville, uma titica de cidade, se comparada a Curitiba, mantém três belíssimos Pavilhões, públicos, totalizando quase 25mil m² de área para exposição, produzindo eventos de nível, o ano inteiro, e atraindo gente do mundo inteiro para a Manchester Catarinense.

  29. quarta-feira, 31 de julho de 2013 – 23:33 hs

    Pelo amor de Deus…curitibano branquela de cintura dura falar em Sambódromo? Estão mais para polka. É hilário, pra não dizer que é mais uma forma de roubar dinheiro do povo!!!

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