Os possíveis sucessores de Bento XVI | Fábio Campana

Os possíveis sucessores
de Bento XVI

Cardeal João Braz de Avis tem fortes vínculos com o Paraná. Aqui estudou, aqui atuou, foi bispo de Ponta Grossa e Arcebispo de Maringá.

Das Agências de Notícias:

Nesta segunda (11), o papa Bento 16 anunciou sua renúncia ao cargo, que ficará vago no dia 28 de fevereiro, por considerar que não tem mais condições físicas de exercer o pontificado.

Na lista dos principais “papáveis”, figuram dois brasileiros: João Braz de Aviz, 65, e Odilo Pedro Scherer, 63.

Enquanto Aviz é visto como mais inclinado à caridade e aos pobres –embora não seja ligado à Teologia da Libertação–, Scherer é considerado conservador no Brasil, mas como moderado no resto do mundo.

Entre os principais candidatos, também se encontram o canadense Marc Ouellet, o ministro da cultura do Vaticano, Gianfranco Ravasi, o conservador Angelo Scola, ambos italianos, e o ganense Peter Turkson.

Um dos cinco cardeais brasileiros que deverão participar do conclave para eleger o sucessor de Bento 16, o mineiro dom Geraldo Majella Agnelo, 79, arcebispo emérito de Salvador, não quis julgar a decisão do papa de anunciar que irá renunciar ao cargo, numa atitude inédita em quase seis séculos na Igreja.

Aos 79, dom Geraldo não se considera um bom nome para a sucessão. “Fico numa idade, né…E não me vejo competente para isso”.

A Santa Sé informou, em comunicado, que a decisão do conclave, que definirá o novo papa, deve ser tomada até o final de março.

Entenda como funciona o processo de escolha do papa

RENÚNCIA

A decisão da renúncia do papa Bento 16 teria sido tomada quase um ano antes do anúncio, após a viagem que o pontífice fez ao México e a Cuba, em março do ano passado, segundo o “Osservatore Romano”, jornal semioficial do Vaticano.

Esta é a primeira vez em quase seis séculos que um papa renuncia ao cargo. O último fazer isso foi Gregório 12, em 1415.

O papa disse em um comunicado, em latim, que está “plenamente consciente da dimensão do seu gesto” e que renuncia do cargo por livre e espontânea vontade –condição que torna válida a entrega do cargo de sumo pontífice.

O irmão mais velho do papa, Georg Ratzinger, afirmou que os problemas de saúde decorrentes da idade avançada –Bento 16 completa 76 anos em abril– motivaram sua decisão de deixar o posto.

Georg disse, por exemplo, que o sumo pontífice tem cada vez mas dificuldades para andar, o que complica sua vida pública, e ressaltou que seu irmão “quer mas tranquilidade a esta idade”.

Durante a Sé Vacante –período em que não há um para nomeado–, no dia 28, Bento 16 irá à residência de Castel Gandolfo e, assim que houver um novo pontífice, se retirará a um mosteiro dentro do Vaticano, anunciou nesta segunda-feira Federico Lombardi, porta-voz da Santa Sé.

Saiba mais sobre a vida de Joseph Ratzinger

CNBB

A renúncia de Bento 16 está sendo encarada pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) como um gesto “nobre” de Joseph Ratzinger.

Para dom Leonardo Ulrich Steiner, secretário-geral da instituição, Bento 16 já havia dado sinais de que seu mandato poderia ser breve, em especial depois de ter afirmado que, se um papa tiver claro para si que não é mais capaz, tem o direito e obrigação de renunciar. “É um gesto que o enobrece porque mostra que está pensando na igreja. É um ato de coragem, mas também um ato nobre.”

O arcebispo de Aparecida e presidente da CNBB, dom Raymundo Damasceno Assis, se disse “consternado e pesaroso” com o anúncio da renúncia do papa Bento 16, nesta segunda-feira (11), mas considera que a mudança não deve gerar alterações nos temas fundamentais para a Igreja Católica.

Para o arcebispo, apesar da alteração no comando da Igreja Católica, os conceitos fundamentais à religião devem ser mantidos. “As posições da igreja do ponto de vista ético e moral se mantêm, como também do ponto de vista dogmático”, disse. “Não podemos equiparar a união de pessoas do mesmo sexo ao casamento como entendemos; não podemos entender a família de outra maneira a não ser: pai, mãe e filhos. O papa deve manter aquilo que é fundamental.”

Já o arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta, confirmou que a Jornada Mundial da Juventude, que será realizada na cidade entre os dias 23 e 28 de julho deste ano, contará com a presença do próximo papa.

O arcebispo emérito de São Paulo dom Cláudio Hummes, 78, disse nesta segunda-feira (11) que o anúncio sobre a renúncia do papa Bento 16 foi “uma grande surpresa”, mas que essa possibilidade já havia sido levantada.

*

Confira lista de sucessores em potencial ao pontificado:

João Braz de Aviz, (Brasil, 65) trouxe ar fresco para o departamento do Vaticano para congregações religiosas quando ele assumiu em 2011. Ele apoia a preferência para os pobres na teologia da libertação da América Latina, mas não os excessos de seus defensores.

Timothy Dolan, (EUA, 62) tornou-se a voz do catolicismo dos EUA depois de ser nomeado arcebispo de Nova York, em 2009. Seu humor e dinamismo impressionaram o Vaticano, onde as duas coisas estão em falta. Mas cardeais estão receosos de um “superpapa” e seu estilo pode ser norte-americano demais para alguns.

Marc Ouellet, (Canadá, 68) é o chefe da Congregação para os Bispos. Ele disse uma vez que se tornar papa “seria um pesadelo”. Apesar de bem relacionado, o secularismo generalizado de sua Québec nativa poderia atrapalhá-lo.

Gianfranco Ravasi, (Itália, 70) é ministro da Cultura do Vaticano desde 2007 e representa a Igreja para o mundo da arte, ciência, cultura e até mesmo para ateus. Este perfil poderia prejudicá-lo se os cardeais decidirem que precisam de um pastor experiente em vez de outro professor como papa.

Leonardo Sandri, (Argentina, 69) nasceu em Buenos Aires de pais italianos. Ele deteve o terceiro posto mais alto do Vaticano como chefe de gabinete em 2000-2007, mas não tem experiência pastoral.

Odilo Pedro Scherer, (Brasil, 63) é considerado o mais forte candidato da América Latina. Arcebispo de São Paulo, a maior diocese do maior país católico, ele é conservador no Brasil, mas considerado moderado nos demais lugares. O rápido crescimento das igrejas protestantes no Brasil poderia pesar contra ele.

Christoph Schoenborn, (Áustria, 67) é um ex-aluno de Bento com um toque pastoral que o pontífice não tem. O arcebispo de Viena foi classificado como “papável” desde a edição do catecismo da Igreja na década de 1990.

Angelo Scola, (Itália, 71) é arcebispo de Milão, um trampolim para o papado, e muitos italianos apostam nele. Especialista em bioética, ele também conhece o Islã como chefe de uma fundação para promover a compreensão entre muçulmanos e cristãos. Sua densa oratória pode irritar cardeais que buscam um comunicador carismático.

Luis Tagle (Filipinas, 55) tem um carisma muitas vezes comparado com o do falecido papa João Paulo 2º. Ele também é próximo ao papa Bento depois de trabalhar com ele na Comissão Teológica Internacional. Embora tenha muitos fãs, ele só se tornou cardeal em 2012.

Peter Turkson (Gana, 64) é o principal candidato africano. Chefe do escritório de justiça e paz do Vaticano, é o porta-voz da consciência social da Igreja e apoia a reforma financeira mundial.


11 comentários

  1. Tânia
    terça-feira, 12 de fevereiro de 2013 – 11:23 hs

    Bom dia Fábio. Brincadeira né, todos nós sabemos que não será um brasileiro e muito menos ….

  2. MARCELO ARAÚJO
    terça-feira, 12 de fevereiro de 2013 – 12:24 hs

    Havia uma piada ou pegadinha que consistia em perguntar se a outra pessoa estava acompanhando o ‘Encontro Internacional de Papas’. Não se repetindo a história do Carvalho ter se tornado vitalício na Fiep, haveria dois Papas convivendo no mesmo momento histórico, até porque a expressão ex-Papa não costuma ser usada… O fato é que brasileiro não vai perder as piadas!

  3. PORTUÁRIO
    terça-feira, 12 de fevereiro de 2013 – 12:32 hs

    EXISTE UM TERCEIRO E OS CARDEAIS QUE SE CUIDEM, POIS PARA O “ALÍ BABÁ” QUE ALMEJA O PREMIO NOBEL DA PAZ – QUANTAS PESSOAS MORRERAM DESDE QUE AQUELE INFELIZ PASSOU A EXPLORAR A CREDULIDADE DAS PESSOAS – E NÃO SERÁ “NOVIDADE”, PELA SUA IGNORÂNCIA, ALARDEAR QUE SERÁ CANDIDATO E “DISPUTAR” A ELEIÇÃO DO PRÓXIMO PAPA!

  4. Fernando
    terça-feira, 12 de fevereiro de 2013 – 12:34 hs

    ….e o Sarney ?
    Cargo livre…Deus nos livre…

  5. sergio silvestre
    terça-feira, 12 de fevereiro de 2013 – 12:51 hs

    Desde Constantino e Ambrósio,passando por Silvestre l a barca de Pedro vive em meio a uma tempestade.
    De lá para aos dias atuais,xifópagos desde o ano 400 dc,com a inquisição de pobres e pensadores ,entre eles GIORDANO BRUNO,
    a igreja tentou mudar seu comportamento a medida que corriam os seculos.
    Nos tempos atuais ,tentou com Jõão Paulo l,em sua breve passagem pelo papado,e com João Paulo ll,este cheio de vitalidade e boas intenções até acontecer o atentado que o aniquilou fisicamente.
    Agora com a alemão Ratznger,parece até por sua intelectuidade,não agradou a curia,e foi guindado a renunciar.
    Tem coisa que ainda penso como a morte logo depois de ter sido escolhido papa,Jõao Paulo l,pode ter sido coincidencia ,mas.
    O vaticano deve escolher agora um arcebispo da linhagem sucessora de Constantino e Ambrósio.
    Será com certeza o arcebispo de Milão,Don GIORDANO SCOLA,
    mais centrado nos problemas da igreja e no seu exodo,do que nas relações expurias que teve ao longo da historia,como a tolerancia de Hitler,e os conchavos com Reagan ,conspirando contra a União Sovietica.
    Os profetas de plantão pregam o piór,mas para igreja,nada mais é que uma readequação aos tempos moderno e escassos de fé que estão por vir.
    Talvez lá no ceu já esteja em percurso o plano dois de Deus.Mandar novamente seu filho na terra,para adequar os homens a nova realidade que vai passar o mundo.
    Quem viver verá!!!!!!!!!!!!.

  6. habemus papa
    terça-feira, 12 de fevereiro de 2013 – 13:27 hs

    Já temos papa: o papa bituca!

  7. Mané do Sudoeste
    terça-feira, 12 de fevereiro de 2013 – 20:13 hs

    Cuidado, que o LULA e o RENAM também estão por aí, estão dentro da idade…….

  8. Fui II
    terça-feira, 12 de fevereiro de 2013 – 22:09 hs

    Tirem o cavalo da chuva, jamais um tupiniquim será Papa..vai querer distribuir a riqueza do Vaticano, tipo bolsa família, aí o bicho pega

  9. Dom Helder Camâra
    quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013 – 10:48 hs

    Os dois cardeais brasileiros,são excelentes nomes e muito preparados,mas me parece que teremos uma polarização
    de dois italianos de milão e o fortissímo patriarca de veneza,que enfrentarão os dois africanos(que tem muyitas chances),o preparadíssimo cardeal de Honduras,o do Peru e por fim o argentino Leonardo Sandri e ainda corre por fora o influente cardeal canadense.Mesmo desejando um dos dois preparadissímos brasileiros,sendo Dom Odilo mais forte,devemos ter um Papa italiano Scola,ou africano(por incrivel que pareça),mas sem nunca substimar o poderossísimo Cardeal canadense(que tem reais chances).A discussão será uma só será italiano(28 eleitores) ou não europeu,row rest of the word.
    Agora só o divino Espirito Santo para iluminar os eleitores e o futuro da Igreja Càtolica Apostolica

  10. Coelho Ricochete
    quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013 – 16:55 hs

    O PAPA É POP SIM – Bento XVI ocupou hoje 18 páginas do Jornal da Europa (sim, Coelho Ricochete lê jornais em outros idiomas)… Especialistas de todas as correntes e redatores do Observatório Romano, incluindo colunistas dedicados, concluem que sua saída fará bem ao Vaticano e a Igreja.

    Nos seus 7anos de ofício, Bento desmontou uma quadrilha de assessores que “surrupiava” correspondencias (estão presos). Mudou o controle do Banco do Vaticano (que foi comandado 40 anos por corruptos) e tirou do “front” da gestão (aposentou) pelo menos 2 “cardeais” que tinham mais poderes que todos os Papas juntos. Fez uma limpa. Aposentou alguns “intocáveis nocivos”.

    Na Igreja, avançou contra setores resistentes a modernizações de gestão e de teorizações e rompeu facções que não aceitavam punibilidades contra a pederastia. Criou inimigos mas estes foram afastados. Quatro estão (pasmem) na cadeia por desvio de “grana”, que não é pouca.

    Ao se sentir com o dever cumprido, aos 80 anos, declara que outro poderá substituí-lo com uma energia que ele já não tem, tanto para assegurar que os “maus” não voltem a dominar como, de casa limpa, poder se dedicar ao catolicismo mundial. Viajar. Peregrinar. Difundir a Igreja. Bento XVI tem dores na coluna e outras degenerações. Tem medo de perder a lucidez e ser “marionete” de assessores que terão aposentadoria compulsória com sua retirada. Foi coerente! Está sendo elogiado por sua atitude inédita.

    Na linha de sucessão, há 3 (1Italiano, 1austríaco e 1canadense) que declaram interesse pelo “poder”. E que representariam um retrocesso na notável reestruturação feita por Bento. Mas há outros 9(nove) que representariam o avanço da Igreja e a manutenção da “limpeza” do Vaticano. Entre esses, 2brasileiros, um inglês e 1 filipino.

    Administrar a Igreja com o Vaticano nas mãos de gente que se considerava intocável, não será mais um problema para o próximo Papa. O Vaticano, segundo especialistas, foi remodelado e limpo. A Igreja pode seguir bem melhor depois de Bento. É o que consta nessa Quarta-Feira de Cinzas, início da QUARESMA, com tanta bobagem que foi dita no Carnaval. Uma boa Quaresma a todos…

  11. Anônimo
    sexta-feira, 8 de março de 2013 – 9:48 hs

    Tá de brincadera um presidente americano negão já foi quase o fim do mundo, imagina um papa ainda na itália…..duvidodeodó

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