Justiça determina mais quatro prisões no Hospital Evangélico | Fábio Campana

Justiça determina mais quatro prisões no Hospital Evangélico

A médica Maria Israela Cortez Boccato chega ao Nucrisa acompanhada de policiais na manhã deste sábado (Átila Alberti / Tribuna do Paraná).

Da Gazeta do Povo:

A Justiça determinou a prisão temporária – por 30 dias – de três médicos e de uma enfermeira do Hospital Evangélico, de Curitiba, acusados de envolvimento em mortes de pacientes ocorridos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) geral da instituição. Eles integraram a equipe da médica da médica Virgínia Soares de Souza, presa desde o último dia 19, acusada de homicídio qualificado. O Núcleo de Repressão aos Crimes Contra a Saúde (Nucrisa), da Polícia Civil do Paraná, não divulgou detalhes da investigação, que corre sob sigilo de Justiça.

Três dos quatro mandados foram cumpridos neste sábado. Os médicos Maria Israela Cortez Boccato e Edison Anselmo da Silva Júnior foram levados à delegacia do Nucrisa, no centro da capital, para prestar depoimento. Por volta das 11h15, um terceiro médico se apresentou à polícia. Anderson de Freitas, que estava em Santa Catarina, chegou acompanhado do advogado e disse que “não tem nada a temer.”

Virgínia não tem especialização para dirigir UTI
A Polícia Civil informou, neste sábado, que a médica Virgínia Soares de Souza não é intensivista, especialidade médica necessária para dirigir uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Apesar disso, a delegada Paula Brisola afirma, em nota, que a acusada era quem “atuava como diretora da UTI” do Evangélico. Outro médico do hospital assinava os documentos por ela.

Na mesma nota, a Polícia Civil também informou que o mandado de prisão temporária de Virgínia – que tinha validade de 30 dias – foi convertido em prisão preventiva. Com isso, a acusada deve permanecer detida por tempo indeterminado, até nova decisão judicial.

O advogado da médica, Elias Mattar Assad, disse que, no início da próxima semana, vai tentar reverter a prisão. “Nós estamos formulando uma petição de revogação, que será protocolado, no máximo, na próxima terça-feira (26)”, adiantou o advogado.

A médica Maria Israela trabalhou cerca de seis anos no hospital. A irmã dela, Luciane Boccato, foi ao Nucrisa na manhã deste sábado e disse que a médica deixou de prestar serviços ao Evangélico há um ano e meio, por falta de pagamento. Luciane comentou que, de acordo com os relatos da irmã, Virginia era uma excelente profissional, mas ríspida. A irmã da médica afirmou ainda que desconhece as acusações da polícia contra a equipe de funcionários do Evangélico. O advogado da médica, Leonardo Buchmann, não quis se pronunciar sobre a prisão.

Depois de ouvida pelos policiais, Maria Israela foi levada ao Centro de Triagem I, que fica no centro de Curitiba. Silva foi transferido a uma delegacia da capital, já Freitas continuava no Nucrisa por volta das 12h40 deste sábado. Não há informações para a unidade onde ele foi levado após ser ouvido pela polícia.

Enfermeira vai se apresentar na segunda-feira

O quarto mandado de prisão só deve ser cumprido na próxima segunda-feira (25). A enfermeira que teve a prisão temporária decretada pela Justiça não está em Curitiba, mas deve se apresentar espontaneamente, segundo o advogado dela, Jefferson Heder dos Reis. “Ela [a enfermeira] está em férias, em outra cidade. Eu já comuniquei a delegada, por isso ela [a enfermeira] não está foragida. Eu vou apresentá-la assim que houver expediente, na segunda-feira”, afirmou.

Heder dos Reis disse que a enfermeira prestou depoimento ao Nucrisa na última quarta-feira (20) e que não haveria elementos que justificassem o pedido de prisão. O advogado contou que sua cliente ficou “bastante surpresa” com a ordem judicial, mas que pretende cumpri-la. O defensor considerou a prisão “arbitrária e ilegal” e adiantou que vai tentar revogá-la na próxima semana. “Ela está colaborando com as investigações, tem endereço fixo, trabalho lícito. Esta prisão é uma arbitrariedade total”, ressaltou.

Escutas telefônicas

A defesa da médica Virgínia Soares de Souza, apresentou neste sábado ao Nucrisa uma autorização do juiz Pedro Sanson Corat para que os advogados tenham acesso às gravações telefônicas que embasam a investigação da Polícia Civil. Porém, segundo o advogado Samir Assad, que compõe a defesa, as escutas não foram liberadas, por falta de expediente. A informação é que a delegacia só conseguiria repassar o material na próxima segunda-feira (25).

“A delegada está descumprindo uma ordem judicial. As gravações são importantes, porque eles [a polícia] estão pegando trechos de conversas, cujo contexto não sabemos qual é, e estão usando como pretensas provas”, disse Assad.

Apoio ao Evangélico

Diante das novas prisões, o Ministério Público do Paraná (MP-PR), a Secretaria Municipal de Saúde, a Secretaria de Estado da Saúde e o Conselho Federal de Medicina se reuniram neste sábado (23). As instituições emitiram nota ressaltando que a sociedade deve confiar na qualidade dos serviços prestados pelo Evangélico e no profissionalismo de sua equipe. “As investigações que têm sido noticiadas pelos meios de comunicação, por certo, não afetam a qualidade técnica dos serviços prestados no Hospital Evangélico”, disse o MP-PR.

A Secretaria Municipal de Saúde ressaltou a especialização do corpo clínico do Evangélico, no qual “atuam centenas de médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde, alguns dos quais figuram entre os mais respeitados da comunidade médica e acadêmica de Curitiba”.

Pelo Twitter, o prefeito Gustavo Fruet (PDT) também se manifestou, informando que apoia as investigações, mas ressaltando que “o fato negativo não pode contaminar o hospital”.

O Conselho Regional de Medicina (CRM-PR) também se posicionou em favor do hospital. Em nota divulgada à tarde, o órgão “manifesta confiança no corpo clínico da instituição, que durante décadas luta pelo bem-estar de toda a sociedade paranaense.”

O comandante da Polícia Civil, o delegado-geral Marcus Vinícius Michelotto, comentou as investigações pelo Twitter. Ele afirmou que “confia na classe médica paranaense” e explicou que o objetivo das apurações não é fechar o Hospital Evangélico, “nem generalizar um fato que consideramos ser isolado”.

Abraço simbólico

O Hospital Evangélico não se pronunciou neste sábado sobre as novas prisões. No domingo (24), funcionários da instituição devem fazer uma manifestação, promovendo um abraço simbólico ao prédio, localizado no bairro Bigorrilho. A expectativa é que, após o ato, a direção do hospital se manifeste sobre as investigações e sobre os novos mandados decretados pela Justiça.

Alunos do Centro Acadêmico de Medicina Daniel Egg, da Faculdade Evangélica do Paraná – ligada ao Evangélico – também apoiaram a instituição. Em nota, os discentes destacaram “empenho e dedicação” dos profissionais e ressaltaram história de 53 anos da entidade, atuando em observação a “valores e formação moral e ética”.

Polícia investiga seis óbitos na UTI

Após conseguir acesso ao inquérito sigiloso que investiga a médica Virgínia Soares de Souza, a defesa dela afirmou nesta sexta-feira (22) que a Polícia Civil apura as circunstâncias de seis óbitos e que havia um policial infiltrado como enfermeiro na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) geral do Hospital Evangélico.

Além disso, o advogado Elias Mattar Assad, que defende Virgínia, disse que a investigação está embasada apenas em relatos de familiares de supostas vítimas já que ainda não viu relatório algum feito pelo agente infiltrado no inquérito. A médica nega, segundo o advogado, a acusação de decidir sobre a morte de pacientes.


19 comentários

  1. CLOVIS PENA -E estas prisões ?
    sábado, 23 de fevereiro de 2013 – 20:32 hs

    Ao ouvir um defensor conhecido e muito qualificado, qualquer observador mais atento fica com uma indagação a respeito do amparo, finalidade ou necessidade que teriam estas prisões. O assunto é muito sério. Vamos ver adiante.

  2. Paulo
    sábado, 23 de fevereiro de 2013 – 22:10 hs

    Ei, você, cuidado com as piadinhas no ambiente de trabalho, na internet ou ao telefone. Isso pode voltar-se contra você, transformando-se em “provas irrefutáveis”, que poderão lhe condenar! Não se esqueça: vivemos tempos politicamente corretos, e todo cuidado é pouco!

  3. bacamarte
    sábado, 23 de fevereiro de 2013 – 22:29 hs

    Corrupção. DInheiro. Crimes.

  4. Pedro
    sábado, 23 de fevereiro de 2013 – 22:31 hs

    Esse advogado deveria deixar a mae dele como paciente dessa senhora. Duvido que deixaria com aquela cara que ela tem ou ela mata por falta de oxigênio ou de susto.

  5. Cavalo de Troia
    sábado, 23 de fevereiro de 2013 – 22:32 hs

    Assim como outras organizações pilantrópicas religiosas da saúde, o evangélico é um verdadeiro cavalo de tróia, totalmente lotiado por “grandes profissionais’ que dominam setores das especialidades usando a faixada destas organizações para seus honorários e lucros encobertos e “pastoriados” por nobres conselheiros e políticos, numa perfeita organização maquifiada.

    E o SUS, com nossos impostos, equipam e subsidiam estas castas.

    Qual vão prender os outros além dos médicos da UTI? E os outros?

    Precisamos urgente de um lei contra os pilantrópicos..

  6. Fragoso
    domingo, 24 de fevereiro de 2013 – 5:53 hs

    Às vezes me indago, será que o bom trabalho de uma investigação é avaliado pelo número de presos?

    De outra sorte, fica o contraquestionamento: se estas pessoas não fossem presas, mas afastadas do seu local de trabalho durante as investigações, não seria suficiente (e se descumpridas estas determinações, sua restrição de liberdade aí sim seria adequada)?

    Em termos de garantias constitucionais e das leis processuais penais, quando a sociedade, a imprensa e boa parcela dos operadores do direito (advogados, juízes, promotores, delegados, entre outros) vão entender que a prisão nesta fase nada tem haver com provas, grau de culpabilidade ou gravidade delitiva?

    Depois este mesmo grupo ainda se acha correto a criticar a melhor e mais alta Corte Jurisdiconal do nosso País, o Supremo Tribunal Federal, quando o Min. Joaquim Barbosa, mesmo com pedido de prisão dos condenados do mensalão, pela Procuradoria Geral da República, NEGOU A PRISÃO DE CONDENADOS ENQUANTO HOUVER RECURSOS A SEREM JULGADOS, ou seja, numa fase muito pior a que está o caso do Evangélico, na qual ninguém sequer foi processado, apenas investigado.

    Não sou a favor dos médicos investigados no caso, sou a favor do cumprimento rigoroso das Leis, até mesmo quando o operador do direito acaba por “contrariar” a opinião leiga, mas lado a lado com a legítima Justiça!

  7. velha guarda
    domingo, 24 de fevereiro de 2013 – 7:59 hs

    Será que investigação chegará no deputado federal Zacarowi?

  8. Leika
    domingo, 24 de fevereiro de 2013 – 9:55 hs

    O defensor é sério realmente, mas só se a polícia estivesse louca em prender todas essas pessoas porque resolveu, do nada, acreditar nos inimigos que essa médica colecionou ao longo do tempo, sem prova nenhuma; só resolveu acreditar. E mais. É possível acreditar que os ditos inimigos da médica resolveram se unir, combinaram dizer a mesma coisa, e procuraram a ingênua polícia que acreditou em tudo que eles disseram ? Os pacientes também combinaram procurar a polícia pra contar o que não presenciaram?? É, é quase uma centena de mentirosos, a médica é que está certa.!!!!

  9. Marco
    domingo, 24 de fevereiro de 2013 – 10:03 hs

    Varias vidas se foram por intermédio destes Médicos ,e como esta Médica me parece que tem muito dinheiro contratou um Advogado nada barato uns dos mais caros do Brasil, e digo mais a pode ser lenda e falha a Justiça Brasileira , mas aos olhos de Deus não escapara !!!!!

  10. Dunha
    domingo, 24 de fevereiro de 2013 – 10:19 hs

    E a diretoria? A resolução do CRM é clara quando diz que médico não pode assinar por outro. Essa denúncia é gravíssima.
    Todos devem ser averiguados, tem muita coisa por baixo disso…

  11. domingo, 24 de fevereiro de 2013 – 10:35 hs

    Parece, que quase todos os anjos viraram demônios.
    Será ?
    Vamos aguardar,e torcer para que alguns provem inocência…se não…
    Melhor fechar o hospital evangélico.
    Quem hoje,amanhã ou depois, internaria alguém de sua família naquele hospital?

  12. luiz
    domingo, 24 de fevereiro de 2013 – 11:32 hs

    A imprensa deveria boicotar a Justiça, Será que nessa altura faz algum sentido o sigilo do processo? Tudo já foi para a lama.
    Se resta alguém que possa atrapalhar o andamento do processo é só mandar prender, só não faz sentido o sigilo dos fatos verdadeiros ou não.
    A cada fragmento de notícia, há uma convulsão de conclusões explosivas. A imprensa pode estar colaborando com extinção da vida profissional de alguns médicos.
    O Conselho Nacional de Medicina ainda não acordou?
    Ou será que temos em mãos a mais extraordinária quadrilha de assassinos, nunca imaginada nem nos filmes de terror?

  13. roberson
    domingo, 24 de fevereiro de 2013 – 12:29 hs

    O que poucos sabem é que as UTIs do Evangélico são “vendidas” ao médico que pode pagar., ele se torna dono da UTI. Daí que o hospital faz vistas grossas ao que o “dono” da UTI faz com os pacientes-clientes, ou clientes-clientes. Porque não divulgam isso? E o CRM PR cade? corporativistas sempre.

  14. Luiza Gonçalves
    domingo, 24 de fevereiro de 2013 – 15:25 hs

    Ainda bem que resolveram acabar com a mafia dos médicos. Já era hora desta classe começar a se explicar. Eles querem ter 3 ou 4 empregos e não trabalhar em nenhum. FOLGADOS BANDIDOS!

  15. Raposa do Rabo Felpudo
    domingo, 24 de fevereiro de 2013 – 19:33 hs

    De acordo com o advogado, as prisões são ilegais e arbitrarias. E as mortes na UTI do hospital? São o que? Em se tratando de médicos e hospitais nada mais me surpreende. O preço de uma vida é na maioria das vezes o valor de uma consulta. Profissionalismo é uma palavra extinta para a maior parte de médicos e enfermeiros. Está na hora da Associação Médica agir, em nome dos poucos verdadeiros médicos que ainda restam, antes que seja tarde….

  16. Fragoso
    segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013 – 5:58 hs

    Já tendo tido o que acho das prisões neste caso, acredito que deva haver uma reflexão sobre, além de se punir exemplarmente os culpados, que tipo de fiscalização EXTERNA, já que a interna ne$te ca$o do HEvang. se demonstrou ineficiente para detectar estes crimes bárbaros que lá provavelmente ocorreram…

    Após o incendido da casa de show do RS, lugar freqüentado pela classe alta e média, governos municipais e estaduais começaram a fiscalizar melhor suas casas noturnas…

    Agora, após esta nefasta realidade de uma das UTI$ do HEvang., lugar freqüentado pela classe mais pobre (SUS), ninguém se preocupa em rever o formato de fiscalização atual…

    Estranho, não?

  17. jose silva
    segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013 – 7:50 hs

    Quem pode julgar um medico é somente outro medico .A medicina nao é uma ciencia exata como a engenharia , direito, economia …Este linchamento publico vai trazer serias consequencias para nós pacientes !!! Uma pessoa com cancer terminal tem dores horriveis que nem morfina resolve …nenhum medico mais assumira a responsabilidade de abreviar seu sofrimento !!!!

  18. Nobre Cristão
    segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013 – 10:22 hs

    Ora, quem está prendendo é o Judiciário e não a Polícia. Se erros estão sendo cometidos é o Juiz que decretou a prisão que os está cometendo. O pior, inclusive, agravou a prisão da “Mortícia”, transforou-a de temporária em preventiva. Este Juiz deve estar “louco”…tenha paciência …

  19. indominado
    terça-feira, 26 de fevereiro de 2013 – 10:47 hs

    OLHA O ADVOGADO ELIAS MATAR ASSAD ESTA TENTANDO DESMORALIZA A NOSSO POLICIA PARA TENTAR LIVRA ESSA MONTRA DA UTI DO EVANGÉLICO SENHOR ADVOGADO SEUS PODERE ESTÃO ACABANDO VC NUNCA FOI UM BOM CRIMINALISTA,COMPROU MUITA TESTEMUNHA.NOSSA POLICIA E MP DO PARANA E UNS DO MELHORES DO PAIS.

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