Indústria do Paraná sofre com queda na produção de veículos | Fábio Campana

Indústria do Paraná sofre com queda na produção de veículos

A produção industrial do Paraná em 2012 encolheu 4,8% – a maior queda dos últimos 17 anos. Produção de veículos automotores recuou 16,2% em 2012. Crescimento deve vir em abril.

De Cíntia Junges, Gazeta do Povo:

A produção industrial do Paraná encolheu 4,8% em 2012 e fechou o ano com o pior resultado da série histórica desde 1998, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com retração de 28,3%, o mês de dezembro contribuiu decisivamente para que o Paraná amargasse a quarta pior posição do país entre as 14 regiões avaliadas – atrás média nacional, que ficou em -2,7%.

Das 14 atividades pesquisadas pelo IBGE, oito apresentaram queda em 2012, com destaque para o setor o setor de veículos automotores (-16,2) e de edição e impressão (-14,4%). Em dezembro do ano passado, em relação ao mesmo mês de 2011, esses dois setores impactaram negativamente a média nacional, apresentando recuo de 57,3% e 73%, respectivamente. Na contramão, madeira (24,7%) e refino de petróleo e produção de álcool (12,3%) tiveram as principais altas.

Para Gilmar Mendes Lourenço, do Ipardes, o fator que mais impactou negativamente a retração da indústria no estado foi a queda na produção de automóveis, caminhões e ônibus, que desacelerou toda a cadeia produtiva do setor no estado. Mais especificamente, ele destaca a parada de oito semanas na fábrica da Renault e a queda de 17% nas vendas de caminhões da Volvo.

Segundo Lourenço, o enfraquecimento da demanda internacional, principalmente da crise na Europa, estagnação nos EUA e Japão e desaceleração da China, e a queda de competitividade das exportações brasileiras em função do câmbio desfavorável (entre R$ 2 e R$ 2,05), que acabou favorecendo as importações, complicaram o cenário da indústria nacional. “A resposta que a economia brasileira deu aos estímulos oferecidos pelo governo, sobretudo na questão do IPI e da desoneração fiscal da folha de pagamento, não foi satisfatória e isso se refletiu também aqui no Paraná”, disse.

Para o diretor da Grow Investimentos, Rogério Garrido, o hiato da produção ajuda a explicar a queda da produção no estado e na indústria nacional, de forma geral. “O governo cria medidas anticíclicas estimulando o consumo exagerado. As indústrias produzem muito para atender a demanda, mas depois são obrigadas a reduzir drasticamente a produção”, afirma. Garrido, acredita que nos próximos seis meses a produção vai continuar em ritmo lento. “Vai demorar um pouco mais para que o ciclo dos estoques chegue ao fim e para que as pessoas consigam reequilibrar o seu orçamento e voltar a consumir”.

Crescimento deve vir em abril

Para o diretor do Ipardes, Gilmar Mendes Lourenço, o resultado de 2012 não significa que a indústria paranaense está em crise, mas está no ciclo da entrega dos estoques. A retomada provavelmente começará a partir de abril, diz ele. Por causa da base de comparação elevada do final de 2011 e começo de 2012, a retração deve continuar nos três primeiros meses do ano. Além disso, o cenário mundial é menos sombrio do que foi em 2011 e 2012. Ele também destaca a retomada da produção industrial no estado com a maturação dos investimentos do Programa Paraná Competitivo – estruturado desde o começo de 2011, e que já contabiliza mais de R$ 20,0 bilhões em projetos industriais. “O amadurecimento desses projetos depende de um ambiente favorável interna e externamente. O grande trunfo foi atrair esses investimentos num momento desfavorável da economia. Para que eles se concretizem é preciso reverter esse quadro desfavorável da economia e retomar a produção”, afirma Lourenço.


Um comentário

  1. TRABALHADOR
    quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013 – 8:53 hs

    Tivemos a crise na Europa que ajudou bastante nos resultados negarivos. Mas temos que lembrar que na gestão passada, do Sr. Roberto Requião, o estado não teve insvestimentos e não atraiu novas industrias praticamente, vivemos 8 anos de marasmo econômico. Pra piorar elegemos Beto Richa, apesar de toda a propaganda dele, não fez nada mais ainda do que elevar impostos. Elevou a alíquota de ICMS da Energia elétrica para 29%, não queria aderir ao plano de redução da Presidenta Dilma. No campo da arrecadação de ICMS, aderiu a desastrosa forma de arrecadação de vários produtos por Substituição Tributária. Recentemente assinou o decreto 6875, colocando a tributação de ICMS de APARELHOS MECÂNICOS, ELÉTRICOS, ELETROMECÂNICOS E AUTOMÁTICOS sob o regime se SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA a partir de 01/03/2012 . O grande problema é que o governador utiliza para recolhimento índices MVA (Margem de Valor Agregado) extremamente altos e irreais. O resultado vai ser alta de preços novamente de produtos no estado, por execesso de tributação. O que o empresário faz? Ao invés de ficar investindo em produção, gerando empregos, investe em imóveis e no mercado financeiro, que estão aquecidos e dão mais retorno e muito menos dor de cabeça. Aos poucos os governantes brasileiros vão afundando o país e a China agradece…

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